Internacional

Merkel e Macron Lembram Fim da Primeira Guerra Mundial

No local onde foi assinado o armistício, há cem anos, líderes inauguram placas comemorativas e destacam importância da amizade entre Alemanha e França para paz na Europa e no mundo.

O presidente da França, Emmanuel Macron, e a chanceler federal alemã, Angela Merkel, protagonizaram neste sábado (10/11) um encontro histórico em Compiègne, ao norte de Paris, no mesmo lugar onde, cem anos atrás, a Alemanha e as potências aliadas assinaram o armistício que encerrou a Primeira Guerra Mundial.

Esta é a primeira vez que os líderes máximos dos dois países visitam juntos o local que serviu de cenário também, duas décadas depois, para a capitulação da França ocupada diante da Alemanha nazista de Adolf Hitler.

No memorial, localizado na chamada clareira de Rhetondes, existe desde os anos 1920 uma grande placa de granito com as inscrições, em francês: “Aqui, em 11 de novembro de 1918, sucumbiu o orgulho criminoso do Império Alemão, derrotado pelos povos livres que ele pretendia escravizar”.

Os dois líderes inauguraram duas novas placas comemorativas no memorial, com textos em alemão e francês destacando a importância da reconciliação franco-alemã para a Europa e para a paz, cem anos depois do fim da Primeira Guerra Mundial.

Após serem recebidos pela Brigada Franco-Alemã, criada em 1989, Macron e Merkel fizeram um minuto de silêncio pelas vítimas da guerra e se dirigiram ao Vagão do Armistício, uma cópia do vagão-restaurante reformado onde as delegações aliada e alemã assinaram o cessar-fogo, em 11 de novembro de 1918. No interior do veículo, eles assinaram o livro de ouro do memorial.

Assessores do presidente francês disseram que a visita conjunta dos dois líderes tem um grande caráter simbólico, pois, depois dela, Compiègne deve deixar de ser visto como um local de revanche e passar a ser o local da reconciliação definitiva entre Alemanha e França.

Após a cerimônia, Merkel e Macron conversaram com vários jovens que participavam do evento, a quem o presidente francês lembrou que as mais de sete décadas de paz na Europa só foram possíveis pelos esforços dos países do continente, especialmente França e Alemanha.

“A mensagem é que, se queremos estar à altura daqueles jovens que morreram, não devemos ceder às tentações da divisão e enfrentar os desafios do mundo contemporâneo juntos e não uns contra os outros”, acrescentou.

Uma cerimônia agendada para este domingo no Arco do Triunfo em Paris, com a participação de 72 chefes de Estado e de governo, marca o ponto culminante das celebrações do centenário do fim de um conflito que causou a morte de quase 9 milhões de soldados e mais de 6 milhões de civis.

Fonte: Deutsch Welle

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Dia Mundial do HTLV, Vírus ‘Primo’ do HIV Que Pode Causar Leucemia e Paralisia

Vírus linfotrópico da célula T humana. O nome complexo é simplificado com uma sigla: HTLV, um vírus da família do HIV que pode desencadear paralisia nas pernas e leucemia em até 5% dos pacientes infectados.

A gravidade das doenças que pode causar, porém, é inversamente proporcional ao investimento em pesquisas para o tratamento do vírus. Descoberto em 1980, ainda pouco se sabe sobre ele. Tampouco há cura.

Diante da falta de perspectiva dos pacientes, pesquisadores e estudiosos do vírus tentam chamar a atenção para o problema criando o Dia Mundial do HTLV, celebrado pela primeira vez neste sábado (10).

“Mesmo tendo sido descoberto antes do HIV, as pesquisas [para o HTLV] avançaram pouco nesses quase quarenta anos. Conseguimos progredir no controle do HIV, mas a pesquisa em relação ao HTLV ficou estagnada, e nenhum país conseguiu desenvolver um antirretroviral para combatê-lo”, diz a infectologista Júlia Fonseca de Morais, que coordena um projeta de extensão em HTLV na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

O HTLV é da família dos retrovírus, o que significa que ele estabelece um vínculo com nossas células. Em outras palavras: além de se hospedar no nosso organismo, ele se acopla às fitas do nosso DNA, dificultando o combate. O vírus tem duas versões, o HTLV I e o HTLV II, sendo o primeiro o responsável pelas doenças.

A transmissão se dá pelas mesmas vias do vírus da Aids, sendo a principal delas a relação sexual desprotegida. O HTLV também pode ser difundido pelo compartilhamento de seringas e pela transmissão vertical, quando a mãe passa o vírus para o filho durante a gestação. Os riscos de contágio aumentam com o aleitamento materno.

“A diferença genética é pequena, mas há uma grande diferença clínica entre os dois tipos de vírus. Até hoje não foi comprovado que o tipo II do HTLV tenha qualquer doença associada”, explica Morais. “Em relação à transmissão, quando identificamos uma gestante com o vírus, indicamos que ela não amamente o recém-nascido por conta da alta probabilidade de contaminação”.

“Primo” do HIV e baixo risco

A história do vírus tem paralelos com a descoberta da Aids pelos cientistas na década de 1980. O HTLV, no entanto, foi revelado um pouco antes do seu ‘primo’, o HIV. Observou-se pela primeira vez no Japão em 1977 e, três anos depois, havia sido isolado pelos estudiosos. O vírus da Aids até foi chamado de HTLV III antes de ser pesquisado a fundo.

Mas os medicamentos utilizados no tratamento contra o HIV não fazem efeito contra o HTLV. Em suma, não há cura, e todos os tratamentos utilizados nos pacientes são paliativos. Os riscos para quem porta o vírus, no entanto, são baixos, já que 95% dos portadores não têm sintomas ou doenças associadas.

“A maioria das pessoas que tem o vírus nasce e morre sem saber que tem. Os que sabem descobrem quando vão doar sangue ou doar órgãos, mas quem não faz isso acaba não tendo conhecimento”, explica a infectologista.

E por quê poucos pacientes desenvolvem? Morais é enfática: “Não sabemos, por isso precisamos de mais pesquisas e mais financiamento para entender melhor como o vírus funciona. Não só em relação ao porquê dessa porcentagem baixa, mas também para desenvolver remédios para combater o vírus”.

“O vírus mais cancerogênico”

O HTLV está associado a várias doenças, desde as degenerativas até as hematológicas (aquelas relacionadas ao sistema hematopoético, tecidos e órgãos responsáveis pela proliferação, maturação e destruição das células do sangue). As mais graves são a leucemia e a mielopatia associada ao HTLV – doença neurodegenerativa que pode paralisar progressivamente o movimento das pernas.

No caso da leucemia, ou câncer no sangue, o desencadeamento está atrelado a uma característica específica do vírus. “O HTLV é o vírus mais cancerogênico que existe. Ele possui genes que fragilizam o controle que as células exercem sobre a nossa genética. Dessa forma, a célula fica mais propensa a se transformar em cancerígena e se replicar sem qualquer regulamentação”, explica a infectologista Júlia Fonseca de Morais.

Já me relação à mielopatia, a questão é mais complexa e ainda pouco decifrada pelos pesquisadores. Os movimentos do nosso corpo acontecem por conta de uma ligação do nosso cérebro com a medula espinhal, que serve como ‘canal’ para comandar o corpo. Os médicos acreditam que o HTLV pode criar uma infecção na medula, e que a reação do nosso organismo pode ser a responsável pela paralisação das pernas.

“Sabemos, hoje, que essa infecção é combatida de forma violenta pelo sistema imunológico, mas não exatamente o porquê esse combate pode gerar mielopatia. A principal hipótese é que esse combate é tão forte que acaba destruindo os tecidos da medula, e isso acaba gerando a paralisia nas pernas. Mas são só hipóteses, por conta da ausência dessas informações que não conseguimos realizar um tratamento eficiente”, argumenta Morais.

Atualmente, apenas alguns estados mantêm pesquisas recorrentes em relação ao vírus HTLV, a maioria financiados ou com parcerias com a iniciativa privada. A questão é que houve um aumento significativo das doenças sexualmente transmissíveis, e o HTLV segue essa linha. Por isso a importância de investimento maciço nas pesquisas em relação ao vírus, antes que o problema deságue na saúde pública e, consequentemente, no SUS (Sistema Único de Saúde).

Fonte: UOL Notícias

Nacional

Em 8 Meses, Empresário Prestou Mais de 30 Depoimentos

Mais célebre delator do país, o bilionário Joesley Batista, um dos donos da JBS, esforçava-se para levar rotina discreta desde que foi autorizado a deixar a prisão, em março deste ano, após passar seis meses no cárcere.

A vida reclusa, como fontes próximas ao empresário classificaram ao Estado seu dia a dia, era, em parte, consequência das limitações impostas pela Justiça. Para responder em liberdade, ele fora proibido de participar da gestão de suas principais empresas e de fazer viagens para o exterior.

A rotina derivava também do receio da reação das pessoas caso voltasse a circular por restaurantes badalados e eventos da alta sociedade de São Paulo – o irmão Wesley chegou a ser hostilizado em uma churrascaria paulistana enquanto almoçava com filhos e neto.

De tornozeleira eletrônica, Joesley passava a maior parte de seu tempo em sua casa, no bairro do Jardim Europa, onde é vizinho dos pais e de Wesley. O empresário evitava aparecer na sede da J&F e da JBS com receio de sua presença ser interpretada como infração às exigências da Justiça. Amiúde, porém, visitava o instituto Germinare, braço social da J&F.

Com a limitação judicial para viagens ao exterior e a necessidade de demonstrar austeridade financeira e de aparentar hábitos mais simples, Joesley colocou à venda seu apartamento em Nova York – que já encontrou comprador -, sua casa no balneário de Angra dos Reis e seu iate, que ainda buscam interessados. Vez ou outra, o empresário refugiava-se em uma de suas fazendas acompanhado da família, segundo uma fonte próxima. Sua mulher, a ex-apresentadora de TV Ticiana Villas Boas, está grávida do segundo filho do casal e do quinto de Joesley, que tem outros três do primeiro casamento.

Delação

O empresário ocupava-se de forma incessante dos processos que resultaram de sua delação. No total, foram mais de cem inquéritos abertos em diversos Estados a partir das informações de sua colaboração premiada. Havia documentos a juntar e depoimentos a prestar. Desde março, quando deixou a prisão, foram ao menos 30 depoimentos, em várias cidades, incluindo Belo Horizonte, Brasília, de acordo com levantamento da defesa.

As obrigações do acordo tomavam tanto seu tempo que Joesley costumava brincar com os delegados que tomavam seu depoimento que havia se tornado “funcionário da Polícia Federal em tempo integral”.

Alijado dos negócios, legou as decisões do conglomerado que tocava ao lado de Wesley a outros integrantes da família. A holding do conglomerado J&F, que era por ele presidida, passou a ser comandada pelo sobrinho José Antônio Batista.

O grupo, que conseguiu promover uma reestruturação financeira após a crise desencadeada pela divulgação da delação dos irmãos, ainda enfrenta dificuldades. Recentemente, entrou em disputa societária com a multinacional Paper Excellence, que havia firmado acordo para comprar a fabricante de celulose Eldorado.

Inesperado

A prisão pegou Joesley e os familiares de surpresa. O empresário se preparava para viajar a Brasília na segunda que vem para prestar depoimento no Supremo Tribunal Federal (STF), passo que considerava importante na defesa da manutenção de seu acordo. Planejava passar o fim de semana debruçado sobre o caso e reunindo documentos. Fazia cálculos sobre os próximos passos, mas mão imaginava ter de retornar oito meses depois à prisão.

Fonte: UOL Notícias

Prefeitura

Prefeito Álvaro Dias Assina Ordem de Serviço para Obras de Urbanização na Zona Norte

Do Agora Vai, de Tácio Cavalcanti:

A Zona Norte de Natal vai receber uma grande obra de urbanização integrada que prevê a drenagem e pavimentação de mais de 300 ruas e a construção equipamentos públicos como um Centro de Referência em Assistência Social, praça, escola, quadras e ecoponto.

O prefeito Álvaro Dias vai emitir a ordem de serviço para a obra nesta quinta-feira (8), às 9h30, no gabinete anexo da Prefeitura, no bairro de Candelária.

OAB

No Olimpo, Paulo Coutinho e Samara Couto Apresentam a Chapa 10 Para Administrar a OAB/RN

Lançamento da Chapa 10 – “Avança OAB” foi considerada um sucesso pelos componentes da chapa de situação na Ordem dos Advogados do Brasil – RN, tendo como candidato à reeleição o presidente Paulo Coutinho e, como vice, Samara Couto.

No Olimpo Recepções cerca de 500 advogados lotaram o espaço. Paulo Coutinho prestou contas da sua gestão, lembrando que 90% de suas propostas foram cumpridas, e reafirmou seu compromisso com as prerrogativas dos advogados e com os jovens advogados.

A Chapa 10 conta com o apoio importante do professor e advogado Erick Pereira.

Tecnologia

Samsung Indica Chegada de Smartphone Dobrável com Foto em Redes Sociais

O aguardado smartphone de tela dobrável da Samsung parece estar prestes a virar a realidade. Isso porque a divisão móvel da empresa deu um indicativo e tanto ao mudar as suas fotos de perfil nas redes sociais.

Como pode ser visto acima, a imagem adotada pela Samsung Mobile no Facebook e no Twitter traz o logo da companhia “dobrado”, o que parece sugerir de forma bastante clara que teremos o tão falado celular dobrável muito em breve.

A expectativa é que o dispositivo seja finalmente anunciado de forma oficial pela empresa sul-coreana durante a sua conferência para desenvolvedores, a Samsung Developer Conference, que acontece em 7 e 8 de novembro em San Francisco, nos EUA.

Vale notar que uma startup dos EUA chamada Royole apresentou na última semana o que afirma ser o primeiro smartphone dobrável do mundo. O aparelho é chamado de FlexPai e deve chegar ao mercado em dezembro com preços a partir de 1.290 dólares.

Fonte: IDGNow

Nacional

Governo Bolsonaro: Quem é Onyx Lorenzoni, Responsável por Coordenar a Relação Rntre a Futura Gestão e o Congresso

Onyx Nomeado ontem como ministro extraordinário para coordenar o governo de transição do presidente eleito e anunciado como futuro ministro-chefe da Casa Civil, o parlamentar de 64 anos acumula uma bagagem de 22 anos de Legislativo, 15 deles na Câmara dos Deputados. O porto-alegrense Onyx foi reeleito neste ano para um quinto mandato com a segunda maior votação do Estado. Seus 183.518 votos foram superados apenas pelo deputado eleito Marcel van Hattem, do Novo, com 349.855 votos. Em 2014, tinha ficado em quinto, com 148.406 votos. O incremento na performance deve-se sobretudo à decisão de aderir à candidatura de Bolsonaro, de quem se tornou coordenador de campanha antes de o DEM definir posição na sucessão presidencial. Depois de ensaiar uma candidatura do deputado Rodrigo Maia (RJ), o partido acabou integrando a coligação de Geraldo Alckmin (PSDB). “Eu tenho uma leitura de que, depois de 30 anos de hegemonia absoluta da esquerda no Brasil, quer através da centro-esquerda, que é o PSDB, quer através da esquerda, que o PT representou e que acabou numa quase tragédia, agora há um movimento de endireitar o Brasil. É um movimento em que a centro-direita chega ao poder. Não tenho nenhuma dúvida de que esta é uma eleição da centro-direita brasileira e não consigo enxergar o DEM não estando, direta ou indiretamente, apoiando Bolsonaro”, afirmou durante a campanha.

Em maio de 2017, Onyx foi um dos políticos citados por um dos diretores da empresa JBS como beneficiário de recursos em caixa 2. Em entrevista à RBS TV, o deputado assumiu ter recebido o dinheiro em 2014, mas afirmou que o valor teria sido inferior aos R$ 200 mil citados e que não tinha como declarar os recursos à Justiça Eleitoral por conta do prazo. Até o momento, não houve abertura de inquérito para investigar o caso. Em junho deste ano, a pedido da PGR (Procuradoria Geral da República), o STF (Supremo Tribunal Federal) arquivou um inquérito que investigava o parlamentar de acusação de caixa 2 na campanha de 2006 feita em delação da Odebrecht.

Atuação em Brasília

Diferentemente do presidente eleito, que chegou à Câmara em 1990 após dois anos como vereador no Rio, Onyx tinha experiência considerável ao chegar a Brasília, em 2003. Ele despontou no cenário nacional em 2005, aos 49 anos, durante as sessões da CPI Mista dos Correios, criada para investigar um escândalo de propina em uma diretoria da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (EBCT). Na primeira fase dos trabalhos, o então presidente nacional do PTB, deputado federal Roberto Jefferson (RJ), denunciou a existência de pagamentos intermediados pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a parlamentares em troca de apoio, o chamado mensalão.

Um dos dois únicos representantes do DEM (então denominado PFL) entre os 16 titulares da CPI, Onyx tornou-se desde o início um dos parlamentares mais ativos da comissão. Costumava ser um dos primeiros a chegar à sala de reuniões, no Senado, munido de chimarrão e garrafa térmica de água quente. Comedido e afável no trato pessoal, transformava-se durante os interrogatórios, ao microfone: a voz elevava-se e as mãos moviam-se em gesticulação frenética, numa atitude de palanque.

Numa época em que Lula ainda gozava de amplo apoio popular, Onyx passou a afirmar diante das câmeras, aos gritos, que o PT, partido do então presidente, havia formado uma “quadrilha” a partir do governo federal para assaltar os cofres públicos. Colegas da oposição viam exagero na atitude, e governistas reagiam com fúria. “Para o senhor (Lorenzoni) me acusar de formação de quadrilha, o senhor apresente provas”, vociferou o ministro-chefe do Núcleo de Estudos Estratégicos do governo, Luiz Gushiken, durante uma das audiências.

Anos depois do fim da CPI, Onyx manteria um curioso hábito testemunhado por quem o encontrava no início do dia. Ao falar ao telefone, costumava interromper a conversa e dizer: “E aí, galera? Bom dia! Vamos trabalhar?”. A quem se surpreendia, explicava que a saudação era dirigida a supostos responsáveis por grampos em seu aparelho. “Desde a CPI dos Correios, sou grampeado 24 horas por dia e seguido”, afirmava.

A CPI dos Correios culminaria, sete anos depois, com a condenação, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), de 25 dos 37 réus do escândalo. Ao concluir os trabalhos, porém, não chegou a inviabilizar o governo Lula, que recompôs sua base de apoio no Congresso, com a inclusão do PMDB, então detentor da maior bancada na Câmara. Em 2006, Lula foi reeleito com 60,83% dos votos, marca ainda hoje não superada em pleitos presidenciais.

Para Onyx, os dividendos políticos foram consideráveis. Depois da divulgação do relatório final da CPI, ele publicou um livro-denúncia, A máfia da estrela, no qual sistematizava os ataques ao PT. Na Câmara, envolveu-se em uma disputa pela liderança da bancada com o ex-colega de CPI, Antonio Carlos Magalhães Neto, hoje prefeito de Salvador. Como líder, teve Bolsonaro entre os companheiros de bancada (o presidente eleito permaneceria por dois anos no DEM). Os dois haviam tido contato em 2003, durante a campanha contra o desarmamento.

A relação com Paulo Afonso Feijó

O lance mais audacioso de Onyx nos anos 2000 ocorreu em seu Estado natal, onde o PFL, aliado ao PSDB, emplacou o vice-governador na chapa da tucana Yeda Crusius, que acabou eleita. Pela primeira vez em mais de 20 anos de existência, o partido que surgira em 1984 de uma dissidência do PDS voltava ao topo do Executivo no Rio Grande do Sul. O eleito era um afilhado político de Onyx.

Ex-presidente da Federação das Associações Comerciais do Rio Grande do Sul (Federasul), Paulo Afonso Feijó era mais do que um empresário seduzido pela política. De família tradicionalmente ligada ao comércio em Porto Alegre, havia sido um dos animadores do Instituto de Estudos Empresariais (IEE), entidade classista dedicada à divulgação do ideário liberal entre o empresariado local. O primeiro encontro de Feijó e Onyx havia ocorrido nos eventos do IEE, na década de 1980. “Conheço Onyx da época em que ele era veterinário. Sempre gostou muito de política, leu muito. Tinha participação destacada em nossas atividades”, relembra Feijó. As dificuldades na aliança PSDB-DEM começaram antes da posse de Yeda. Em entrevista durante a campanha, Feijó defendeu a privatização do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul), considerado por ele um “cabide de empregos”.

Impopular, a tese desagradou ao comando da campanha. A crise agravou-se quando, já no governo, Feijó gravou clandestinamente uma conversa com o então secretário-chefe da Casa Civil, Cézar Busatto (PPS), no qual o colega admitia o uso de estatais como fonte de financiamento ilegal de campanhas políticas. Além de marcar o rompimento definitivo entre Feijó e a governadora, o caso paralisou o governo. Pressionado pela cúpula do DEM (denominação adotada pelo antigo PFL em 2007) a expulsar Feijó, Onyx ficou ao lado do pupilo. Em 2008, concorreu pela segunda vez à prefeitura de Porto Alegre, esperando pelo menos repetir o resultado de 2004, quando ficara em terceiro lugar, com 80.633 votos (9,97%). Acabou colhendo 38.803 votos (4,91%). A amizade com o ex-vice-governador perdurou. Em agosto, durante a Expointer, maior feira agropecuária do país, em Esteio (RS), Feijó organizou um almoço para recepcionar Bolsonaro no Country Club, em Porto Alegre. Compareceram cerca de 200 empresários, além do candidato e de Onyx.

Da atividade sindical para a política

Filho do veterinário Rheno Júlio Lorenzoni e da dona de casa Dalva Lorenzoni, Onyx nasceu em 3 de outubro de 1954. No ano anterior, seu pai havia instalado uma clínica para animais de todos os portes no porão de sua casa, no Menino Deus, bairro de classe média de Porto Alegre. Hoje, o Hospital Veterinário Lorenzoni é mantido por Rodrigo Lorenzoni, filho de Onyx e da terceira geração de veterinários da família. Formado em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Onyx presidiu o sindicato da categoria entre 1984 e 1990. Da atividade sindical, passou à política.

No início, militava no Partido Liberal (PL), pelo qual concorreu a uma vaga de deputado estadual em 1994, numa coligação com o PFL. Obteve uma primeira suplência, mas, quando o veterano pefelista Germano Bonow foi convidado pelo então governador Antonio Britto (PMDB) a comandar a Secretaria Estadual de Saúde, assumiu a vaga. A partir de 1999, Onyx passou a compor a bancada oposicionista ao governo do petista Olívio Dutra. A experiência marcaria sua atividade para sempre. “Cheguei à Câmara em 2003, vindo da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, onde vivenciei como oposição a primeira experiência petista de um governo estadual”, afirmou em discurso na Câmara em fevereiro.

Em 2016, Onyx foi um dos 367 deputados a votar favoravelmente ao relatório que propunha o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Caixa 2

Onyx foi um dos parlamentares mencionados na delação premiada do ex-diretor da Odebrecht Alexandrino Alencar, no âmbito das investigações da Operação Lava Jato, como destinatário de contribuições de campanha em caixa 2. Segundo Alexandrino, Onyx teria recebido R$ 175 mil por meio de doação ilegal. “Eu percebi que, dentro do escopo político, o senhor Onyx Lorenzoni era uma pessoa importante, era um jovem impulsivo, lutador, que precisávamos mantê-lo próximo”, disse Alexandrino. A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu abertura de inquérito para apurar falsidade ideológica eleitoral por parte de Onyx.

Uma perícia apresentada pela defesa do deputado ao Supremo Tribunal Federal (STF) sustentou que a principal prova contra ele – uma planilha na qual era identificado pelo codinome “inimigo” – teria sido fraudada.

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu o arquivamento do inquérito em razão do fato de que “diligências realizadas não foram suficientes para elucidar a materialidade do suposto crime”. A solicitação foi acolhida pelo ministro do STF Luiz Fux em junho deste ano. Em maio de 2017, Onyx foi um dos políticos citados em delação premiada pelo diretor da empresa JBS Ricardo Saud como beneficiário de recursos em caixa 2. De acordo com o executivo, o parlamentar teria recebido R$ 200 mil da empresa em setembro de 2014, por intermédio do presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Antônio Jorge Camardelli, ligado a Onyx por uma amizade de 30 anos.

Em entrevista à RBS TV, o deputado assumiu ter recebido o dinheiro, mas afirmou que o valor teria sido inferior aos R$ 200 mil citados por Saud – na versão de Onyx, foram R$ 100 mil – e argumentou que não teria como declarar a contribuição à Justiça Eleitoral.

A Procuradoria-Geral da República pediu ao STF que a parte da delação premiada da JBS referente a caixa 2 de campanha, incluindo os recursos destinados a Onyx, sejam desmembradas do processo. Não há inquérito aberto sobre o caso. “Entre carregar uma mancha que me macularia pela vida toda, eu resolvi ter uma cicatriz. E a melhor forma é trabalhar com a verdade. Tanto é que eu tenho tatuado aqui (mostra uma citação bíblica no braço direito): ‘João, 8:32, Conhecerás a verdade e a verdade vos libertará'”, disse o deputado durante a campanha eleitoral. A sentença do Novo Testamento costuma ser repetida por Bolsonaro como lema contra a corrupção. Ao lado da frase, Onyx exibe outras duas tatuagens: um brasão do Internacional e uma bandeira do Rio Grande do Sul.

Futuro político

Onyx 2 A vitória de Bolsonaro deu margem a especulações sobre o futuro político de Onyx, como uma eventual (e terceira) candidatura à prefeitura de Porto Alegre em 2020. Apontado como um dos homens fortes do governo Bolsonaro, Onyx chocou-se na última terça-feira (30) com Paulo Guedes, guru econômico do presidente eleito. Na véspera, o deputado havia descartado aceitar a oferta do presidente Michel Temer de aprovar o projeto de reforma da Previdência em tramitação no Congresso, qualificando-o de “remendo”. Questionado sobre a declaração de Onyx, Guedes disse: “É um político falando de coisa de economia. É a mesma coisa que eu sair falando coisa de política. Não dá certo, né?”. Depois de reunião com Bolsonaro, Guedes recuou e concordou que haverá dificuldades políticas para aprovar a reforma este ano.

Fonte: BBC