Ciência, Saúde

Cem Anos Depois, Gripe Espanhola Carrega Lições Para a Próxima Pandemia

Há 100 anos, a gripe espanhola infectou um terço da humanidade, matando dezenas de milhões e provocando pânico em continentes que ainda se recuperavam da guerra.

Cientistas dizem que, embora lições tenham sido aprendidas com a pandemia mais mortal da história, o mundo está mal preparado para o próximo assassino global.

Em particular, eles alertam que alterações demográficas, resistência a antibióticos e mudanças climáticas podem complicar qualquer surto futuro.

“Agora enfrentamos novos desafios, incluindo o envelhecimento da população, pessoas vivendo com doenças como obesidade e diabetes”, disse à AFP nesta segunda-feira (8) Carolien van de Sandt, do Instituto Peter Doherty para Infecção e Imunidade.

Os cientistas preveem que a próxima pandemia de influenza – provavelmente uma cepa da gripe aviária que infectará humanos e se espalhará rapidamente pelo mundo através de viagens aéreas – pode matar até 150 milhões de pessoas.

Van de Sandt e sua equipe examinaram uma grande quantidade de dados sobre a gripe espanhola, que afetou o planeta em 1918.

Os pesquisadores também estudaram três outras pandemias: a gripe asiática de 1957, a gripe de Hong Kong de 1968 e o surto de gripe suína de 2009.

Eles descobriram que, embora a gripe espanhola tenha infectado uma em cada três pessoas, muitos pacientes conseguiram sobreviver à infecção grave e outros apresentaram apenas sintomas leves.

Ao contrário da maioria das nações, que usaram a censura durante a guerra para reprimir as notícias sobre a disseminação do vírus, a Espanha permaneceu neutra durante a Primeira Guerra Mundial. Numerosos relatos da doença na mídia espanhola levaram muitos a supor que a doença se originou lá, e o nome acabou ficando.

Hoje acredita-se amplamente que a cepa da gripe em 1918 na verdade surgiu entre militares americanos e matou uma quantidade desproporcionalmente alta de soldados e jovens, mas os pesquisadores disseram que as coisas seriam diferentes desta vez.

Em 1918, em um mundo que lutava contra o impacto econômico da guerra global, o vírus se tornou mais letal devido às altas taxas de desnutrição.

Mas a equipe por trás de um novo estudo, publicado na revista Journal Frontiers in Cellular and Infection Microbiology, disse que o próximo surto se espalhará no mundo desenvolvido entre uma população que sofre com taxas recordes de obesidade e diabetes.

Duplo fardo

O que sabemos da pandemia de 2009 é que pessoas com certas doenças (como obesidade e diabetes) tiveram probabilidade significativamente maior de serem hospitalizadas e morrer de gripe”, disse à AFP Kirsty Short, da escola de Química e Biociências da Universidade de Queensland.

A equipe alertou que o mundo enfrentava um “duplo fardo” de doenças graves devido à desnutrição generalizada nos países pobres – exacerbada pelas mudanças climáticas – e à supernutrição nos países mais ricos.

E o aquecimento global poderia impactar de outras formas.

Van de Sandt disse que, uma vez que muitas cepas de influenza começam nas aves, um planeta em aquecimento pode alterar onde o próximo surto surgirá.

“A mudança climática pode mudar os padrões de migração das aves, trazendo potenciais vírus pandêmicos para novos locais e potencialmente uma variedade maior de espécies de aves”, disse.

Uma coisa que a investigação sobre 1918 levantou foi que as pessoas mais velhas se saíram significativamente melhor contra a cepa do vírus do que os adultos mais jovens.

A equipe teorizou que isso se devia em parte ao fato de que os cidadãos mais velhos acumularam alguma imunidade por meio de infecções anteriores.

A maioria das mortes no surto de 1918 – cerca de 50 milhões de pessoas, ou 2,5% dos infectados – foi devido a infecções bacterianas secundárias, algo que os antibióticos ajudaram a aliviar durante as pandemias subsequentes.

Mas hoje muitas bactérias são imunes a antibióticos.

“Isso aumenta o risco de que as pessoas sofram novamente e morram como resultado de infecções bacterianas secundárias durante o próximo surto pandêmico”, disse Katherine  Kedzierska, do Instituto Doherty, em Melbourne.

Os autores soaram particularmente alarmados com o influenza  H7N9 aviário – um vírus que mata cerca de 40% das pessoas infectadas, mesmo que atualmente não possa passar de humano para humano.

“No momento, nenhum desses vírus adquiriu a capacidade de se espalhar entre humanos, mas sabemos que o vírus só precisa fazer algumas pequenas mudanças para que isso aconteça e poderia criar uma nova pandemia de gripe”, disse Van de Sandt.

Informar o público

Enquanto o mundo em 2018, com mais de sete bilhões de pessoas, megacidades e viagens aéreas globais, seja muito diferente de um século atrás, os pesquisadores insistem em que há muitas lições que a gripe espanhola pode ensinar aos governos de hoje.

Por natureza, as cepas de vírus pandêmicos são imprevisíveis – se as autoridades soubessem com certeza qual gripe se alastraria, poderiam investir em uma vacina amplamente disponível.

Até que uma vacina universal seja criada, “os governos devem informar o público sobre o que esperar e como agir durante uma pandemia”, disse Van de Sandt.

O estudo disse que os governos poderiam usar o poder comunicativo da internet para ajudar a espalhar o conhecimento e as instruções no caso de uma nova pandemia.

“Uma lição importante da pandemia de influenza de 1918 é que uma resposta pública bem preparada pode salvar muitas vidas”, disse Van de Sandt.

Fonte: UOL

Saúde, Tecnologia

Como Startup Usa a Tecnologia para Ajudar a Achar o Melhor Tratamento de Câncer

Dois oncologistas americanos formados em Harvard, financiados pelo bilionário de Hong Kong Li Ka-shing, estão tentando usar a tecnologia para repaginar o acesso ao tratamento do câncer. Eles estão dando alguns de seus primeiros passos na China – o marco zero do câncer.

A China tem o maior número de pacientes com câncer do mundo, mas o tratamento especializado é tão escasso que os pacientes precisam viajar longas distâncias até os melhores hospitais e têm de morar em lugares precários durante meses para comparecer a consultas curtas com oncologistas.

Esse problema começou a chamar a atenção de grandes investidores, e Li, um dos homens mais ricos da Ásia, tornou-se em 2015 o primeiro financiador da startup dos médicos, chamada Driver.

Outros investidores aderiram e, agora com US$ 100 milhões, a empresa está desenvolvendo uma tecnologia para que os pacientes com câncer tenham mais controle sobre seus tratamentos.

A startup começa a inscrever formalmente pacientes na China e nos EUA nesta semana, depois de um teste de 17 meses com várias centenas de pessoas.

A Driver pretende usar a tecnologia para resolver um problema perene no coração da oncologia global. Existem muitos medicamentos e tratamentos experimentais contra o câncer, e US$ 133 bilhões em todo o mundo são gastos com esses remédios por ano, de acordo com a empresa de pesquisa Iqvia Institute.

No entanto, os pacientes geralmente não conseguem encontrar todas as opções disponíveis, somente as que passam pelo filtro de um oncologista sobrecarregado. Ao mesmo tempo, os pesquisadores nem sempre conseguem se manter a par de outros estudos – às vezes nem mesmo dentro de suas enormes instituições médicas.

Qual é a solução proposta pela Driver? Os laboratórios da startup em São Francisco e no sul da China analisam os tumores, o DNA e outros registros médicos dos pacientes. Depois, um aplicativo mostra aos pacientes os melhores tratamentos e testes clínicos em todo o mundo que correspondem a seus tumores específicos.

A Driver funciona nos dois países. Ainda assim, a escassez das informações em que o aplicativo se baseia são particularmente visíveis na China: há apenas 18 oncologistas por 1 milhão de pessoas na China, em comparação com 161 para o mesmo número de pessoas nos EUA, de acordo com um artigo no Journal of Global Oncology.

“Há uma lacuna entre o conhecimento e os pacientes, e ela existe no tratamento do câncer desde 1850”, disse Will Polkinghorn, cofundador da Driver. “Queremos fechar essa lacuna.”

Parceria

A primeira grande parceria da Driver também surgiu na China: o Centro Nacional do Câncer, com sede em Pequim, a agência central de pesquisas sobre o câncer pela qual 840.000 pacientes passam anualmente. Na próxima semana, o Centro planeja anunciar oficialmente o uso da plataforma da Driver para gerenciar os mais de 200 testes clínicos em execução constantemente.

Mas, para que suas maiores ambições se concretizem, a Driver precisará que grandes quantidades de pacientes se inscrevam. O serviço completo, incluindo o processamento de tumores e histórico médico, seguido pela curadoria de tratamentos, custará US$ 3.000, o que limita o acesso a pacientes ricos.

Polkinghorn, da Driver, era radioterapeuta no Memorial Sloan-Kettering, um dos maiores centros de tratamento do câncer nos EUA, e o outro cofundador, Petros Giannikopoulos, era um patologista da Faculdade de Medicina de Harvard quando tiveram a ideia. Ambos eram graduados da Faculdade de Medicina de Harvard, mas não conseguiram financiamento no Vale do Silício.

Eles tiveram sorte em Hong Kong, onde captaram recursos da Horizons Ventures, um fundo administrado pela companheira de Li, Solina Chau, e o principal canal de investimento do patrimônio dele.

Fonte: UOL Tecnologia- Flipboard

Prefeitura, Saúde, Transporte, Trânsito

Natal Terá Nova Edição da Proposta “Na Cidade Sem Meu Carro”

A Prefeitura do Natal, por meio das secretarias de Mobilidade (STTU) e Esporte e Lazer e a Associação de Ciclista do RN (ACIRN), realizam neste sábado (22) mais uma edição do CicloNatal, dentro da proposta do evento internacional “Na cidade sem meu carro”.

A concentração será no IFRN campus da Av. Salgado Filho, a partir das 15h, e não é necessária inscrição prévia. Os participantes contarão com o apoio de batedores da STTU, apoio mecânico, coletes refletivos e água.

A proposta visa incentivar a adesão ao movimento por uma mobilidade verde valorizando deslocamentos a pé, de bicicletas e transporte público – priorizando estes deslocamentos por meio de adoção de políticas públicas focadas na mobilidade sustentável.

O evento, que teve início em 1997, na França, é organizado no Brasil pelo Instituto da Mobilidade Sustentável – RUAVIVA, com parceria do Instituto Movimento Nacional pelo Direito ao Transporte Público (MDT) e apoio do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Públicos de Mobilidade Urbana (FNSTT), do Fórum Nacional da Reforma Urbana (FNRU) e da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP).

Em Natal (RN), a ação conta com a parceria da Prefeitura do Natal, Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU), Secretaria Municipal de Esporte e Lazer e a Associação dos Ciclistas do RN.

Fonte: SECOM PMN

Saúde

1 em 5 Homens e 1 em 6 Mulheres Terão Câncer em Algum Momento da Vida, Diz Agência Ligada à OMS

Quimio

Um em cada cinco homens e uma em cada seis mulheres terão câncer em algum momento de suas vidas. Além disso, um em cada oito homens e uma em cada onze mulheres irão morrer por causa da doença.

Os dados são do último relatório estatístico sobre a situação do câncer no mundo, da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (Iarc, na sigla em inglês), divulgado na última quarta-feira. Todos os anos, a Iarc, instituição ligada à Organização Mundial de Saúde (OMS), avalia 36 tipos de câncer em 185 países.

O relatório também mostra que o número de casos da doença está aumentando. Neste ano, haverá 18,1 milhões de novos casos de câncer no mundo, estima o relatório da Iarc. Destes, 9,6 milhões vão resultar em morte. Em 2012, por sua vez, foram contabilizados 14,1 milhões de casos e 8,2 milhões de mortes.

“O aumento da incidência de câncer se deve a diversos fatores, incluindo o crescimento e o envelhecimento da população”, afirma a publicação. Outra explicação é a mudança na prevalência de câncer à medida que os países se desenvolvem – caem os tipos de câncer relacionados à pobreza e infecções e aumentam os tipos de câncer associados ao estilo de vida de países industrializados.

Tipos de câncer mais comum

O câncer de pulmão, de mama e o câncer colorretal (intestino grosso) são os três principais tipos, em termos de incidência.

O de pulmão é responsável por 11,6% dos casos da doença. O de mama registra o mesmo percentual de incidência. Já o câncer colorretal corresponde a 10%. Juntos, eles são responsáveis por um terço de todos os tipos de câncer e mortes pela doença no mundo.

Em seguida, está o câncer de próstata (7%) e o câncer de estômago (5,7%).

Os autores do estudo dizem que o câncer de pulmão é responsável pelo maior número de mortes – cerca de 1,8 milhões. Um dos motivos é a falha no diagnóstico da doença. Em seguida, entre os mais mortais, estão o câncer colorretal, o câncer de estômago e o câncer de fígado.

Já o câncer de mama é apenas o quinto mais mortal. Isso se dá devido a acertos no diagnóstico.

Mapa
Mapa da Iarc mostra a incidência de câncer em cada país – quanto mais o tom de azul maior a incidência

Diversidade “extraordinária”

Cerca de metade dos casos de câncer e das mortes pela doença este ano devem ocorrer na Ásia. Isso ocorre, em parte, devido ao grande número de pessoas que vivem no continente – 60% da população mundial. Além disso, alguns dos tipos de câncer mais mortais são mais comuns nessa região – entre eles, o câncer de fígado.

A Europa responde por um quarto dos casos de câncer. Já a América, por 21% – apesar de ter apenas 13% da população mundial.

Segundo os pesquisadores, há uma “extraordinária diversidade” nos tipos de câncer e padrões de doença ao redor do mundo. Por isso, a recomendação é que os países avaliem qual é a melhor maneira de prevenir e tratar a doença de acordo com as realidades locais.

Fonte: BBC

Saúde

Saiba Quais São as Vacinas Que os Idosos Devem Tomar pela Rede Pública de Saúde

Idoso Vacina

O envelhecimento populacional é uma realidade no Brasil e no mundo. Associado ao aumento da expectativa de vida, este fenômeno está ligado a fatores relacionados ao maior cuidado com a saúde, incluindo a busca pela qualidade de vida, prática de exercícios físicos, alimentação saudável e prevenção de doenças com a realização de exames e administração de vacinas para idosos.

“Se por um lado temos mais procedimentos disponíveis para tratar e curar doenças, por outro, temos que pensar em sua prevenção”, afirma o presidente da Associação Brasileira de Clínicas de Vacinas, Geraldo Barbosa. “A população acima dos 60 anos deve ter em mente que é possível evitar muitas doenças – que podem inclusive ser fatais – por meio das vacinas para idosos “.

Uma projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) prevê que até 2060 a população com mais de 60 anos – que hoje representa 13% do total de brasileiros – mais do que dobrará e atingirá 32%.

Sendo assim, é preciso que os idosos, que compõem um grupo de risco aumentado para complicações e óbitos por algumas doenças, tenham a caderneta de vacinação em dia.

 Atualmente, a rede pública de hospitais no Brasil disponibiliza mais de 20 vacinas diferentes, capazes de combater doenças em diversas faixas etárias, principalmente, em idosos.

Ao procurar um posto do Sistema Único de Saúde (SUS), pessoas com mais de 60 anos poderão encontrar três tipos de vacina: hepatite B, dupla adulto (difteria e tétano) e febre amarela (no caso de idosos que estejam morando ou têm acesso a áreas de risco).

Além dessas, também poderão estar disponíveis no Calendário Nacional de Vacinação as doses que combatem a influenza e a pneumocócica 23-valente.

Para receber a imunização, basta levar um documento que comprove a idade e, caso o paciente possua, a carteira de vacinação e comprovantes de recebimento de vacinas nos anos anteriores. O Ministério da Saúde reforça a importância de manter os dados atualizados e registrar todas as doses que receber.

Veja as vacinas disponíveis:

  • Hepatite B

Se não houver registro de que a pessoa recebeu a vacina anteriormente, a aplicação será administrada em três doses, tendo um intervalo de 30 dias entre a primeira e a segunda, e seus meses entre a primeira e a terceira. Caso o sistema vacinal estiver incompleto, o paciente receberá as doses faltantes.

Essa proteção garante imunidade ao vírus da hepatite B, que provoca uma inflamação no fígado e, se não cuidada, a doença poderá se tornar crônica, e evoluir para cirrose ou câncer de fígado.

A eficácia da vacina contra a hepatite B é superior a 95%, podendo ser menor em populações especiais, como obesos, diabéticos, pacientes com insuficiência renal crônica, entre outras situações clínicas.

  • Difteria e tétano (dupla adulto)

Na ausência de esquema vacinal ou esquema incompleto, as três doses serão atribuídas, considerando as doses anteriores, caso haja. Já os idosos que receberam essas vacinas, poderão receber o reforço, que deve ser aplicado a cada 10 anos.

A imunização protege de enfermidades como difteria que é uma doença que afeta as amígdalas, faringe, laringe, nariz e outras mucosas, e o tétano, transmissível por contaminação em ferimentos na pele ou mucosa.

  • Febre amarela

Para quem que nunca foi vacinado ou sem comprovante de vacinação, o médico deverá avaliar o benefício/risco da vacinação e a necessidade de administrar uma dose, levando em conta o risco da doença e o risco de eventos adversos nessa faixa etária ou decorrentes de comorbidades, e o histórico vacinal.

  • Influenza

Pessoas com mais de 60 anos fazem parte do grupo prioritário de vacinação contra a gripe. Neste ano, a campanha vai até 9 de junho. A vacina contra influenza é segura e também é considerada uma das medidas mais eficazes na prevenção de complicações e casos graves de gripe. A proteção vale contra o vírus da gripe A H1N1, A/Hong Kong (H3N2) e B/Brisbane.

  • Pneumocócica 23-valente

Administrada durante a Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza nos indivíduos de 60 anos, e os não vacinados que vivem acamados ou em instituições fechadas, como casas geriátricas, hospitais, unidades de acolhimento ou asilos e casas de repouso.

A vacina deixa os idosos imunes da pneumonia, doença que afeta o sistema respiratório, provocando dores no peito, falta de ar, febre e vários outros sintomas, podendo até levar à morte.

Na Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa , oferecida pelo Ministério da Saúde, é possível encontrar mais informações sobre as vacinas para idosos e fazer os registros das doses recebidas.

Fonte: IG

Saúde

Venda de Antidepressivos Quase Dobrou no Brasil em Cinco Anos

A venda de medicamentos antidepressivos e estabilizadores de humor quase dobrou no Brasil nos últimos cinco anos.

Comprimido

De acordo com levantamento realizado pela IQVIA, empresa norte-americana de auditoria e pesquisa de mercado farmacêutico, entre julho de 2013 e junho de 2014, o número de vendas de tais medicamentos era de quase 47 milhões de comprimidos, enquanto entre julho de 2017 e junho de 2018 a venda foi de quase 71 milhões. Estes dados não incluem vendas para hospitais, clínicas ou compras realizadas pelo governo.

Segundo dados de 2017 da OMS (Organização Mundial da Saúde), a depressão afeta quase 6% dos brasileiros, o equivalente a mais de 11 milhões de pessoas no país. Mas, segundo o psiquiatra Antônio Geraldo da Silva, diretor tesoureiro da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), esse aumento de vendas não se dá apenas pelo aumento de casos mas pelo mau diagnóstico realizado pelos médicos.

“Houve um aumento de casos, inclusive pelo aumento de população, mas a incidência é a mesma. Muita gente se conscientizou da gravidade dos problemas para a saúde mental e as diretrizes evoluíram bastante. E o que, antes, era considerado sintomas de estresse, por exemplo, hoje tem um diagnóstico mais certeiro. Mas nem todos os diagnósticos estão corretos. Muitos profissionais receitam esses medicamentos para tratar sintomas, mas não uma doença. Vários desses sintomas poderiam ser tratados com mudança de hábitos ou com terapia, por exemplo”, afirma o psiquiatra Rodrigo Leite, coordenador dos ambulatórios do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPq-HCFMUSP).

Segundo Silva, médicos de outras especialidades podem fazer a prescrição, mas não é o procedimento mais adequado. Leite completa que o problema de especialistas de outras áreas e até mesmo psiquiatras receitarem esse tipo de medicamento é não ponderar a necessidade da droga e usar como ferramenta acertiva, para não acontecer uma superprescrição. Outra questão é a falta de conexão entre médico e paciente, de maneira que o profissional conheça todo o contexto da vida e saúde mental da pessoa, atendendo apenas a demanda da queixa. e não a de uma patologia. “Preocupado em atender à queixa do paciente, o médico, muitas vezes, não sabe o que ofertar, como a terapia, mudança de hábitos ou até buscar ajuda de psiquiatra e faz um diagnóstico que não se encaixa para aquela pessoa”, afirma.

Outra questão que Leite observa é que, tanto profissionais psiquiátricos, quanto os de outras especialidades podem fazer, inconscientemente, a sugestão de sintomas por meio das perguntas, como: “você é muito ansioso(a)?” ou “você se sente triste com frequência?”. Isso inclina a pessoa a responder exatamente esses indícios, que podem ser psicossomáticos.

Leite afirma que um dos maiores problemas para o diagnóstico de doenças psiquiátricas é a falta de exames para diagnosticar um transtorno, que é determinada apenas por avaliação clínica. Assim, há uma banalização na prescrição de medicamentos psicotrópicos, que podem ser receitados para pessoas que não têm a necessidade de usá-los.

De acordo com Leite, também já foi observado que, no mundo inteiro, diante de crises econômicas ou crises sociais, as pessoas passam a tomar mais medicamentos psiquiátricos. “Quando houve o atentado de 11 de setembro [de 2001], as pessoas ficaram muito abaladas e houve um aumento de consumo desses medicamentos para aliviar sintomas como o estresse e a ansiedade, pois as pessoas passaram a procurar mais os médicos para aliviar esses sentimentos”, declara.

A amplitude do uso desses medicamentos para outros problemas também ajudou a aumentar as taxas de vendas. Leite afirma que essas medicações não são específicas, não sendo exclusivas para tratar apenas a depressão ou transtornos de humor. “Alguns antidepressivos, por causar sono, são indicados para problemas de insônia ou para tratar ansiedade, por exemplo”, relata.

Outro problema avaliado pelos médicos é o “mercado negro de medicamentos”, que incluem medicamentos contrabandeados, falsificados, e até mesmo a venda sem receitas, o que aumenta o número de vendas de maneira indiscriminada.

O uso dessas medicações varia em cada caso, desde período de uso, que pode ser por tempo determinado ou durante toda a vida, e a quantidade a ser ingerida, deve ser receitado e acompanhado por um especialista. Assim como qualquer medicamento, os remédios psiquiátricos podem ter efeitos colaterais, como aumento de peso, aumento de colesterol e glicemia. O uso inadequado de tais medicações pode trazer riscos à saúde e à vida da pessoa.

Fonte: R7

Prefeitura, Saúde

Shoppings de Natal Receberão Postos de Vacina Neste Final de Semana

Os principais shoppings de Natal receberão, neste fim de semana, postos de vacinação como forma de aumentar o percentual de crianças vacinadas contra a poliomielite e o sarampo. A iniciativa da Prefeitura Municipal do Natal, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), iniciada semana passada foi um sucesso. Mais de duas mil doses foram aplicadas. As ações acontecerão no Natal Shopping, Midway Mall, Partage Norte Shopping, Cidade Jardim e Praia Shopping.

Até o momento, Natal conta com uma cobertura de 53,45% contra Poliomielite e de 52,18% contra o Sarampo. A campanha é voltada exclusivamente às crianças com idade entre 12 meses e menores de 5 anos, incluindo as que já receberam as vacinas anteriormente. Apenas aquelas que foram imunizadas nos últimos 30 dias é que não precisarão de nova dose.

Horário de funcionamento nos Shoppings:

Midway Mall – sábado e domingo – 10h às 19h
Natal Shopping – sábado e domingo – 13h às 20h
Partage Norte Shopping: Sábado – 10h às 18h; Domingo – 11h às 18h
Shopping Cidade Jardim: Sábado – 9h às 17h; Domingo – 15h às 19h
Praia Shopping: Sabado e domingo – 10h as 17h