Nacional, Política

Jean Wyllys Desiste do Mandato e Sairá do Brasil Após Ameaças

O deputado Jean Wyllys durante o 15º Seminário LGBT do Congresso Nacional

Jean Wyllys (PSOL) foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro pela terceira vez no último ano. Apesar disso, ele afirmou, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, que vai abrir mão do mandato. Fora do país, de férias, ele disse que não voltará do Brasil por conta de ameaças, e que vai se dedicar à carreira acadêmica.

Após o assassinato de Marielle Franco, também do PSOL, em março de 2018, Jean Wyllys passou a andar escoltado. As ameaças de morte, já presentes há anos, aumentaram e fizeram ele abandonar a vida pública. “O Pepe Mujica [ex-presidente do Uruguai] quando soube que eu estava ameaçado de morte, falou para mim: ‘Rapaz, se cuide, os mártires não são heróis’. E é isso, eu não quero me sacrificar”, afirmou.

O fato de familiares de um ex-PM suspeito de chefiar a milícia investigada pela morte de Marielle ter trabalhado para o senador eleito Flávio Bolsonaro também assusta o parlamentar. “Me apavora saber que o filho do presidente contratou no seu gabinete a esposa e a mãe do sicário. O presidente que sempre me difamou, que sempre me insultou de maneira aberta, que sempre utilizou de homofobia contra mim. Esse ambiente não é seguro para mim”, acrescenta.

O fato de ter sido acusado de pedofilia pelo deputado eleito Alexandre Frota (PSL) fez as denúncias aumentarem, segundo Wyllys. Ele venceu uma disputa na Justiça Federal, em dezembro do ano passado, que obrigou Frota a pagar uma indenização de R$ 295 mil.

Por fim, Wyllys afirma que há falta de liberdade no Brasil para continuar como parlamentar. “Como é que vou viver quatro anos da minha vida dentro de um carro blindado e sob escolta? Quatro anos da minha não podendo freqüentar os lugares que eu freqüento?”, completou.

Fonte: IstoÉ

Parlamento, Política

Juíza Nega Visita de Senadores a Lula e Diz que Pedido “Causa Estranheza”

A juíza Carolina Lebbos, da 12ª Vara Federal de Curitiba, negou nesta segunda-feira (10) visita de membros da comissão de Direitos Humanos do Senado ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que está preso desde abril na sede da Polícia Federal na capital paranaense.

Lebbos é responsável pela execução penal de Lula. Já outra juíza, a substituta Gabriela Hardt, da 13ª Vara, está conduzindo os processos da operação Lava Jato em que o petista é réu desde que o juiz federal Sergio Moro pediu exoneração para aceitar o cargo de ministro da Justiça no futuro governo do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL).

Em seu despacho, Lebbos justifica a decisão afirmando que o lugar em que Lula está preso já foi inspecionado por diversas comissões parlamentares, inclusive também compostas pelos senadores que solicitaram a visita: Regina Sousa, Fátima Bezerra, Vanessa Grazziotin, Paulo Rocha, José Pimentel, Humberto Costa, Paulo Paim, Lindbergh Farias, Gleisi Hoffmann, Jorge Viana, Roberto Requião e João Capiberibe. Os senadores pediram para que as visitas acontecessem entre 11 e 13 de dezembro.

“Desde a data da prisão, em 7 de abril de 2018, três comissões de parlamentares já realizaram diligências no local de encarceramento do executado: em 17/04/2018 a Comissão de Direitos Humanos e Participação Legislativa do Senado Federal; em 29/05/2018 Comissão Externa da Câmara dos Deputados; em 17/07/2018 a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado Federal”

Ela afirma que o requerimento “causa estranheza” e não aponta motivos para a realização da visita. Segundo ela, nenhum dos relatórios feitos nas visitas mostram “irregularidades efetivas”.

“Causa estranheza, nesse sentido, a aprovação de diligência, por comissão parlamentar dotada de elevada relevância no âmbito do Estado Democrático, para, novamente, sem exposição de motivos concretos, verificar as condições de um detento específico, que inclusive conta com a atuação de grande número de advogados em sua defesa”, diz a juíza.

Ela destaca que, desde que foi preso, Lula recebe visitas regulares de familiares e amigos, além “de denominadas visitas religiosas e atendimento médico”, além de receber advogados. “Não há qualquer distinção restritiva de visitas em relação aos demais detentos da carceragem da Polícia Federal”, afirma.

Lebbos diz que o pedido de acesso ao local onde Lula está preso não é “proporcional à regularidade do cumprimento da pena e do estabelecimento prisional”, evocando a necessidade de remanejamento de agentes, reforço na segurança “do local, de seus arredores, das pessoas que ali trabalham, do preso e dos próprios parlamentares”. “Afrontaria a disciplina de visitação regular do detento”, afirma no texto.

O PT, em nota, diz que a negativa “viola as prerrogativas das senadoras e dos senadores de fiscalizar, no exercício do mandato parlamentar, a atividade executiva, dentre elas a situação em que se encontra a execução provisória da pena imposta ao ex-presidente Lula e as condições de saúde do mesmo”.

O partido diz ainda que a decisão de Lebbos viola cláusula pétrea da separação de poderes, “pois pretende impedir que um órgão do poder Legislativo exerça uma atribuição constitucional que está na origem do constitucionalismo democrático, qual seja a de fiscalizar atos do Poder Executivo”, diz.

Fonte: UOL

Do Blog: Como bem lembra o texto do UOL, a Comissão de Direitos Humanos do Senado já “inspecionou” a situação do ex-presidente Lula antes das eleições deste ano. Agora, já próximo ao fim do mandato de alguns e novos cargos de outros, a comissão quer retornar a Curitiba. Bom lembrar que esta comissão é paga pelo povo brasileiro, e que raramente se percebe tanto empenho para visitar outros presos.

Internacional, Política

Aliada de Merkel Será Sua Sucessora Como Líder da CDU

Após 18 anos na liderança do partido conservador União Democrata Cristã, chanceler federal alemã passa o bastão para Annegret Kramp-Karrenbauer. Mudança marca o princípio do fim da era Merkel.

Annegret Kramp-Karrenbauer, uma aliada de longa data da chanceler federal alemã, Angela Merkel, foi escolhida nesta sexta-feira (07/12) para sucedê-la como líder de seu partido, a União Democrata Cristã (CDU).

A mudança no comando da CDU marca o princípio do fim da era Merkel. Apesar de abrir mão da liderança da legenda, que assumiu há 18 anos, Merkel pretende seguir à frente do governo alemão até o fim de seu mandato, em 2021.

Dos 999 delegados da CDU que se reuniram num congresso da legenda em Hamburgo, 517 (51%) votaram em Kramp-Karrenbauer, atual secretária-geral da CDU. Os demais 482 votos foram para Friedrich Merz, advogado milionário que já foi oponente interno de Merkel.

A eleição foi decidida em segundo turno, pouco depois de Merkel ser aplaudida em pé durante quase dez minutos por seu último discurso como líder da CDU. O terceiro candidato, Jens Spahn, atual ministro da Saúde, foi eliminado na primeira rodada, com 157 votos, contra 450 para Kramp-Karrenbauer e 392 para Merz.

Antes de ser eleita, Kramp-Karrenbauer se apresentou como a candidata da unidade e da continuidade e falou sobre sua ligação com a chanceler federal, que lhe rendeu o apelido de “mini Merkel”. A política de 56 anos ganhou o codinome devido tanto à sua reputação de leal a Merkel quanto a seu estilo de centro e pragmático.

“As pessoas me consideram uma mini, uma cópia, simplesmente ‘mais do mesmo’, mas posso dizer que estou aqui como eu mesma, da maneira como a vida me configurou, e tenho orgulho disso”, disse.

Cinco dos nove chanceleres federais que governaram a Alemanha desde 1949 eram ou são da CDU. Merkel, que está no cargo desde 2005, reconheceu nesta sexta-feira ser hora de uma mudança. Agora, Kramp-Karrenbauer será vista como uma potencial futura chanceler federal, caso a CDU vença as eleições de 2021.

Histórico como política regional

A história de Annegret Kramp-Karrenbauer parece um exemplo didático de quão importante é, na política, estar no lugar certo, no momento exato.

Há apenas dois anos, AKK, como é conhecida, era a respeitada governadora do pequeno estado do Sarre, enfrentando uma dura batalha pela reeleição. Dois anos mais tarde, ela substituirá sua mentora, Merkel, à frente do maior partido do país, tradicionalmente dominado por homens.

Sua estrela começou a ascender em março de 2017, quando guiou a CDU numa vitória surpreendentemente fácil na eleição estadual, obtendo 40,7% dos votos. Na época, o candidato social-democrata à chefia de governo, Martin Schulz, brilhava nas pesquisas de opinião. Kramp-Karrenbauer foi a primeira oposicionista a tirar dos trilhos o assim chamado “trem de Schulz”.

Praticamente da noite para o dia, ela passou a contar entre os protagonistas da política alemã – uma ascensão improvável para alguém que por muito tempo parecia destinada a permanecer uma figura regional.

Kramp-Karrenbauer nasceu em 1962 na pequena localidade de Völklingen e crescida na igualmente pequena Püttlingen – ambos topônimos bem representativos do mais provinciano sudoeste alemão. Seu pai era professor de escola, a mãe, dona de casa. Hoje mãe de três crianças, Kramp-Karrenbauer é católica romana, assim como a maioria dos habitantes da região.

Ela se filiou à CDU em 1981, subindo na hierarquia partidária desde a ala juvenil, pelos cargos regionais acima. De 2001 a 2004, Kramp-Karrenbauer foi a primeira mulher a ser secretária do Interior de um estado alemão. Em 2011, eleita com impressionantes 97% dos votos, foi também a primeira mulher a liderar a CDU no Sarre.

No mesmo ano, assumiu o governo do estado, após forjar uma coalizão com os Partidos Verde e Democrático Liberal (FDP), porém já em 2012 encabeçava a dissolução do parlamento regional e novas eleições, que resultaram numa “grande coalizão” com o rival da CDU, o Partido Social-Democrata (SPD).

Na época, negou qualquer ambição de seguir subindo no nível federal, afirmando estar contente em servir o Sarre. No entanto, a CDU estava em apuros nas enquetes nacionais, necessitando desesperadamente de sangue novo, e AKK passou a ser citada como possível sucessora de Merkel.

Menos de um ano após essa reeleição, recebeu o telefonema de Merkel oferecendo-lhe o posto de secretária-geral dos democrata-cristãos. Ela aceitou e foi confirmada no posto em fevereiro último. Dez meses mais tarde, alcançava o degrau máximo da hierarquia partidária.

Da cooperação ao distanciamento

Do trio que concorreu à presidência do partido, Kramp-Karrenbauer é considerada a mais parecida com Merkel. Ambas trabalharam em cooperação estreita, e o estilo discreto dela é reminiscente do de sua mentora. Assim como Merkel, ela também liderou grandes coalizões.

No entanto, suas posições são mais de direita do que a da atual chanceler federal, em especial na questão da imigração. Ela se refere à abertura das fronteiras aos refugiados, em setembro de 2015, que desencadeou uma grave crise no governo Merkel, como “algo que trabalhamos para assegurar que nunca acontecerá novamente”.

Por mais que deva a sua antecessora, parece claro para Kramp-Karrenbauer que também necessita se distanciar dela. Assim, declarou durante sua campanha pela presidência da CDU: “Este é o fim de uma era com que associo muitas relações e experiências pessoais. Mas essa era acabou, e não pode nem ser simplesmente continuada, nem revertida. A questão decisiva é, o que se faz com que se herdou, que é novo e melhor.”

Partidos, Política

Rede Vai ao STF Contra Artigo que Impede Fusão

Depois de não conseguir eleger deputados federais suficientes para ultrapassar a cláusula de barreira neste ano, a Rede Sustentabilidade vai ingressar com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Supremo Tribunal Federal (STF) questionando artigo da lei dos Partidos Políticos (n.º 9.096) que impede fusão quando a sigla tem menos que cinco anos. O registro da Rede é de 2015.

A medida é uma das iniciativas da legenda da candidata derrotada à Presidência, Marina Silva, para garantir a possibilidade de se juntar ao novo partido que o PPS articula criar com os movimentos Agora! e Acredito. A Rede estuda hoje duas hipóteses de sobrevivência: fusão ou continuar como uma legenda própria, mas com mudanças na estrutura e no estatuto.

A decisão será tomada em um congresso extraordinário convocado para os dias 19 e 20 de janeiro do próximo ano. O estatuto já previa a realização de um congresso para definir a continuidade ou não da legenda no período de dez anos, mas foi antecipado após o desempenho nas eleições.

Se decidirem por continuar como um partido ou se juntar a outro, os membros da Rede já reconhecem que o mau desempenho nas urnas pôs em xeque o projeto político do partido nos moldes atuais. Um deles disse ao jornal O Estado de S. Paulo, em anonimato, que a Rede como instituição “morreu” na apuração do primeiro turno. Uma reunião da executiva nacional, chamada de Elo, no final de semana passado em Brasília, estabeleceu a criação de dois grupos de trabalho que vão preparar teses das duas possibilidades – voo solo ou fusão – para serem apresentadas em janeiro. 

Segundo membros da Rede, o partido está dividido. A própria Marina evita se posicionar para não “contaminar” os filiados, mas quadros históricos do partido, como Bazileu Margarido, são favoráveis à fusão com outra legenda. “Acho que a Rede vai ter muita dificuldade em superar a cláusula de barreira, que será crescente. E acho que é preciso, inclusive numa conjuntura de polarização extrema com o governo Bolsonaro, fortalecer esse campo democrático progressista”, disse. O dirigente ainda ponderou que, para as eleições de 2016, será importante ter estrutura e fundo partidário, o que o partido não terá caso continue como tal.

Ao jornal, Marina disse que a questão dos recursos não é determinante para a decisão, mas evitou se posicionar sobre o tema. “Nosso desafio é o que é melhor fazer neste momento. Tenho a clareza de que se a melhor forma for ir para um caminho de nos juntar para esse esforço do PPS, é uma possibilidade. Ou, a desculpa não pode ser a ausência do fundo partidário”, afirmou a ex-ministra (mais informações nesta página). 

“Nesse momento, a única coisa que posso dizer é que esse gesto do PPS é saudado por nós, mas tendo a compreensão de que eles já vêm de um debate interno anterior. Nós vamos começá-lo agora e temos que verificar primeiro quais as vantagens de ir”.

Comissão

Antes do encontro de filiados que definirá o futuro da Rede, a ideia é deixar a possibilidade de fusão encaminhada. Para isso, o grupo de trabalho que se debruçou sobre essa hipótese participará também de uma comissão com o PPS e os movimentos para discutir questões práticas do novo partido, como estatuto e articulação nos Estados.

No PPS, a impressão das conversas é boa. “Está caminhando bem. (A fusão) Interessa a eles, pelo menos (pelo que falei) com as principais lideranças, é uma ideia que eles ainda não decidiram, mas simpatizam”, disse Roberto Freire, presidente da sigla. O apresentador Luciano Huck, que pertence tanto ao Agora! quanto ao Acredito, também participa das conversas, afirmou Freire. 

O grupo que defende a permanência da Rede como partido teme perder a “essência” da legenda e se questiona se haverá, de fato, abertura para novos quadros, se for efetivada a fusão com um partido com 26 anos de existência – o registro do PPS é de 1992.

Na avaliação de Lucas Brandão, membro da Executiva da Rede, se permanecer como partido, será necessária o que chamou de “renovação estatutária” na legenda. “A Rede sempre se colocou como experimento da política. Chegou a hora de fazer um balanço”, disse.

O consenso progressivo, processo de decisão interna em que há uma tentativa de convencimento em vez de votação, é um dos que está na mira. Hoje ele é utilizado amplamente na sigla, que é criticada pelas longas reuniões e demora na tomada de decisão. 

“Uma das coisas que temos discutido é que a gente toma muitas decisões que não precisavam ser colegiadas, que são mais administrativas. É necessário dar uma acelerada”, afirmou Brandão. No balanço do que deu certo e deve ser manter no partido ou levar para a fusão com o PPS está a paridade entre homens e mulheres em cargos de direção do partido. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: UOL Notícias

Internacional, Política

Contra a Esquerda, Polarização e Ataques à Democracia: Política na Polônia se Parece com a do Brasil

polonia

Apesar dos mais de 10 mil quilômetros de distância e das muitas diferenças que separam brasileiros e poloneses, as duas sociedades vivem debates políticos parecidos: rejeição à esquerda, discussão sobre livre mercado, renovação política, separação de religião e Estado e acolhimento a imigrantes são alguns exemplos.

Com 38 milhões de habitantes, a Polônia anunciou na última semana o resultado das eleições regionais, que consagraram a expansão do polêmico Lei e Justiça (PiS, na sigla em polonês), partido conservador de direita. No governo desde 2015, a agremiação tem grande apelo popular, mas é alvo de críticas por parte da União Europeia e de observadores internacionais, que apontam algumas medidas antidemocráticas do governo.

À diferença do Brasil, porém, na Polônia discursos extremos são menos bem recebidos.  “Na Europa, Bolsonaro seria chamado de neonazista, dados seu histórico militar e sua declarações homofóbicas e de apologia da tortura”, diz Monika Sawicka, do Instituto de Estudos Americanos da Universidade Jaguelônica, em Cracóvia, na Polônia.

O que se passa na Polônia

A Polônia é uma democracia desde 1989, quando começaram as eleições livres. A abertura política ocorreu depois de 40 anos de comunismo e repressão política e foi seguida de um crescimento de modelos políticos e sociais conservadores, com aumento do peso da igreja católica.

Um dos resultados dessa transição é o nascimento da chamada “cidadania religiosa”: a valorização do “bom e devoto cristão católico”, diz a brasileira Thaís Wenczenovicz, pós-doutora em Ciências Humanas pela Universidade de Varsóvia, na Polônia.

Com o Plano Balcerowicz, a transição para a democracia foi brusca, e os anos 1990 foram muito difíceis para uma população que não estava preparada para o mercado livre e suas regras.

“O governo optou pela terapia de choque em 1989, e a sociedade teve que aprender a se virar sem apoio do Estado. Vieram problemas graves de desemprego e desvalorização da moeda, e houve novas mudanças radicais com a entrada na União Europeia em 2004”, conta Monika. Com mais de 20 anos de crescimento econômico ininterrupto, hoje a Polônia tem uma taxa de desemprego inferior 4%.

Onda conservadora na Polônia e na Europa

A Polônia não só vive os efeitos de uma onda conservadora que impacta diversos países, dos Estados Unidos ao Brasil, como foi uma das primeiras nações a iniciar o movimento. “Desde a chamada crise dos refugiados, partidos de direita conquistaram espaço em quase todas as eleições na Europa e, em alguns países, chegaram ao governo”, avalia Thais.

O PiS, fundado em 2001, tem maioria nas duas câmaras do Parlamento do país. Suas pautas conservadoras e céticas em relação à Europa têm acompanhado um crescimento econômico estável e baixas taxas de desemprego nos últimos anos. Nas eleições regionais do começo de outubro, o PiS estendeu seu alcance à maioria das assembleias locais, garantindo 245 de 552 assentos, mas perdeu na maior parte das grandes cidades. O regime é parlamentarista e o presidente, Andrzej Duda, segue a linha do partido.

Um dos atuais pontos de conflito são as políticas duras anti-imigração — o governo se recusa a receber refugiados da guerra na Síria e migrantes de outras partes da Ásia e da África. A medida  tem respaldo de grande parte da população , mas há anos causa críticas da União Europeia, que também acusa o PiS de atentar contra a democracia.

O governo polonês tem forçado alguns membros da Suprema Corte de Justiça a se aposentar neste ano. Em setembro, a  Comissão Europeia processou o país , alegando que a medida é uma tentativa de elevar o controle sobre o sistema judiciário. O partido também votou a favor de  endurecer as leis contra o aborto  — a Polônia já tem uma das legislações mais restritivas sobre a questão entre os países da região.

Em ambos lados do oceano, sistemas democráticos ainda em estágio de ‘maturação’ têm fragilidades semelhantes. “Assim como no Brasil, a democracia ainda não está totalmente consolidada. Isso se reflete em reformas que podem ser anticonstitucionais”, diz Monika.

O jeitinho polonês

Outra similaridade entre Brasil e a Polônia é a ‘flexibilidade legal’. “Na Polônia, nós aceitamos um pouco de caos nas nossas vidas. Assim como no Brasil existe o ‘jeitinho brasileiro’, na Polônia temos o conceito de ‘kombinowat'”, explica. O verbo, ela explica, significa algo como “esquivar da lei” – agir de forma não necessariamente ilegal. A importância da religião também une as duas nações. “Como o Brasil é uma ex-colônia portuguesa, tem muita influência católica. Mesmo que hoje esteja em declínio, certos valores são fortes”, defende.

Polarização dificulta avanços

Outro ponto em comum é a forte polarização das opiniões nas duas sociedades – que, para Monika, trará efeitos mesmo após as eleições. Segundo a pesquisadora, sociedades fraturadas têm dificuldade para avançar com reformas. “Falo em reforma eleitoral, reforma política que exija mais disciplina partidária, manutenção da lei da ficha limpa e maior investimento na educação”, diz.

“Mas a conversa nem se concentra nisso, fica restrita à corrupção”, diz. Apesar dos desafios, a pesquisadora vê “energia” na sociedade brasileira. “Nos países bálticos, há uma desconfiança muito grande nas instituições e uma vontade de se distanciar delas, então falta movimento cívico. Já no Brasil, tanto a esquerda quanto a direita estão mais mobilizadas”, diz.

Ela cita como exemplo os frequentes protestos nas ruas brasileiras vistos nos últimos anos. “Quando há mudanças grandes na Polônia, o número de protestos é muito baixo”, diz.

Brasilianista diz que certas coisas ditas por Bolsonaro não seriam aceitas na Polônia

Para Monika, discursos como os promovidos pelo presidente eleito Jair Bolsonaro durante a campanha seriam menos bem vistos na Polônia. “Na Polônia e na Europa, os tipos de coisa que ele fala não seriam aceitáveis”, avalia.

Para ela, o apoio ao novo presidente é resultado da desilusão política, em especial após a operação Lava Jato. “Esses eleitores simplesmente não querem votar no PT. Querem uma alternativa”, disse.

Política

Carlos Eduardo Reúne Lideranças para Agradecimento

Na sede do Partido Democrático Trabalhista – PDT, o ex-prefeito de Natal, que concorreu ao Governo do Estado, Carlos Eduardo, esteve com mais de 100 pessoas para uma reunião de agradecimento.

No auditório do partido, Andréa Ramalho, os vereadores Ney Jr, Nina Souza, Preto Aquino e Robson Carvalho, os coordenadores de campanha, como Damião Pitta, agradeceram o empenho, a dedicação nesta campanha de todos que estavam envolvidos na campanha de Carlos Eduardo. Foram palavras de incentivo, união, e agradecimentos aos presentes. As lideranças comunitárias também tiveram voz e falaram sobre a campanha e o futuro, em união.

“Lutamos em um momento difícil para o Brasil, econômica e politicamente, em um movimento claro de que o Nordeste caminhou com o PT e seus aliados, diferente das demais regiões do Brasil. Não ganhamos, mas fizemos uma luta justa, honesta e saímos fortalecidos para outras batalhas. Natal nos deu uma diferença de 90 mil votos sobre a adversária. Natal não falhou, Natal nos conhece. Saímos de cabeça erguida sabendo que tínhamos a melhor proposta. Estamos de pé e vamos continuar lutando. Desistir, jamais! Obrigada, amigos! Obrigada, Natal!”, disse Carlos Eduardo durante a reunião.

Eleições 2018, Política

Presidente do PSL Defende Voto Casado de Bolsonaro com Carlos Eduardo

O presidente estadual do PSL, Brigadeiro Carlos Eduardo da Costa defendeu em Mossoró o voto casado em Jair Bolsonaro para Presidente e o ex-prefeito de Natal, Carlos Eduardo(PDT) para governador. “Quem vota em Bolsonaro, vota Carlos Eduardo”, pontuou o presidente do PSL.

O Brigadeiro participou de movimentação política (passeata) para defender a aliança no segundo turno “para mudar o Brasil e o Rio Grande do Norte afastando os males do PT da vida dos cidadãos e cidadãs”.

O Brigadeiro Carlos Eduardo declarou que conversou com Jair Bolsonaro e este assegurou apoio à parceria no Rio Grande do Norte na campanha e durante seu governo “com a vitória de Carlos Eduardo sobre o PT”.

Em Mossoró, a tradicional “Descida do Alto de São Manoel” foi prestigiada por milhares de pessoas. Acompanhado pelo vice Kadu Ciarlini (PP), o candidato a governador pelo PDT disse que está convicto da vitória da dobradinha que vai resgatar “nosso país e nosso Estado”.