Opinião

Limitações e Limitadores

Na impossibilidade de conhecimento preciso de mundo e da maioria de pessoas no mundo, parto para a generalização local.

Lendo sobre o evento que postei anteriormente sobre a Campus Party Natal 2 (#CPN2), e analisando tantos outros casos e eventos, vejo o quanto somos limitados e limitadores de conhecimento.

Em eventos grandes como esses, primeiro tratamos como um grande favor, com enorme gratidão, por Natal fazer parte (por exemplo) e esquecemos que eventos, em sua maioria, são feitos para que alguém tenha lucro. É dinheiro, não é favor. Se não tiver nenhum lucro, difícil voltar ao mesmo local.

Segundo, pensar localmente sobre esse evento é ver que se resume aos “escolhidos” da bolha, que apontam, direcionam aquilo que eles acham que pode funcionar bem no evento. É normal, é comum, mas quem quer oferecer além da expectativa não se resume a consultar alguns, mas buscar ideias com vários. De onde menos se espera aparece uma ideia que ninguém perguntou se existia ou poderia ser executada. Um aplicativo. Um produto diferente.

No Rio Grande do Norte, o pote de ouro está com quem guarda as informações para si e uns poucos. Os grandes, e hoje raros, eventos que possuem parceria com o poder público são atestado de competência, motivo de competição e necessidade de mostrar serviço. Logo, limitar as informações, dar em forma racionada, chamando quando acha que deve para tirar uma dúvida, parece ser para constar. Neste caso da Campus Party, o evento é de tecnologia, para amantes do assunto, para curiosos também (tecno curiosos?) e para mostrar o poder da informação intramuros mostrando quem manda.

Soundtrack: “So Am I” (Ava Max), “No Sleep” (Martin Garrix, Bonn), “Only You” (Cheat Codes, Little Mix)

Opinião

Ouvir, Ver e Perceber

Deveria ser missão de todo político: Sentar, anonimamente, sem seus assessores de plantão, e ter o “trabalho” de ouvir, observar e pensar como fazer para solucionar o que ele pode ouvir nas praças, transporte público, centros clínicos, e lugares por onde circula o povo que representa.

Os despachos de gabinete costumam afastar os políticos, via de regra, de suas bases, do hábito de ouvir críticas, de pensar nas coisas que a maioria passa e como solucionar, e aqui sem apontar e nem julgar gestões, nem nomes e muito menos funções políticas.

Pose, muitos fazem (com e sem mandato) e na prática não saem do óbvio, do feijão com arroz cru. Não é preciso criar projetos mirabolantes, é preciso testemunhar histórias, perceber o outro além de um mandato, que acaba.

Opinião

Apatia

Leilaine da Silva

Leilaine da Silva. É esse o nome da mulher que, na garupa de uma moto, quase foi atingida pelo helicóptero em que estava o jornalista Ricardo Boechat e o piloto Ronaldo Quattrucci. Leilaine voltou para socorrer o motorista do caminhão, atingindo pelo helicóptero, João Adroaldo Tomackeves. Dela se viu toda coragem, luta pela vida do outro, incompreensão ao não socorrer os envolvidos com a mínima chance de sobrevivência. Na cabeça dela, todos poderiam ter sido socorridos. Isso é empatia. Isso é sair da zona de conforto. Isso é acreditar até o fim, mesmo sem conhecer aquelas pessoas que estavam alí.

O exemplo de Leilaine, muitos dizem que até irresponsável e inconsequente, deveria ser levado para todas as áreas desse país que tem passado por tantas coisas em tão pouco tempo. Temos governos apáticos, sem entusiasmo, clichês, burocráticos. Somos esferas de poder letárgicas. Os gestores são o óbvio, suas falas não passam confiança e dão tom, ainda que não seja, de fingimento. Seus secretários não se engajam, suas ações não convencem, a vontade de aparecer sem fazer algo realmente dignificante prevalece. O povo tem pressa e não tem paciência.

O heroísmo inconsequente e irresponsável de Leilaine é típico de quem sai da posição de divulgador da desgraça dos outros para ser graça na vida dos outros; é típico de quem quer fazer acontecer, usando todas as possibilidades e forças, sem pensar em para quem está sendo feito. Nada mais incomum nesse mundo midiático, nesse país do jeitinho, do fazer algo para ganhar alguma coisa depois.

Apatia
Nossos poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) não aprendem com os erros. Nosso povo não aprende com os erros. Choramos todas as desgraças, não tomamos providências sérias para evitar nenhuma. Não mantemos vigilância. Não damos continuidade. Somos tragados pela próxima tragédia, pelo próximo lamento. O sistema é corrompido, e nós somos o sistema. Até quando ficaremos admirando a coragem e a empatia de uma Leilaine enquanto filmamos o mundo pegar fogo ou ser afundando na próxima enchente?

Opinião

Mais Um Novo Começo

Um novo momento das casas legislativas começa hoje, nos estados em cada Assembléia Legislativa, na Câmara Federal, no Senado Federal, e até mesmo nas Câmaras Municipais, com mudanças na sua composição.

O Rio Grande do Norte tem uma significativa mudança na sua bancada, nas suas assessorias, tão importantes quanto os eleitos. Tem vantagem quem consegue contratar assessores com mais conhecimento do funcionamento das casas legislativas. O deputado, ou senador, perde menos tempo nos trâmites dos seus projetos.

A roda gigante do poder também movimenta o time que aprendeu a conviver com os nomes conhecidos da política e já não vive mais sem eles. Quem estava de um lado, vai para o outro, por uma questão de afinidade pessoal, sobrevivência/”sobrevivência” ou esperteza.

Por afinidade vai quem reconhece no novo chefe semelhanças seja nas ideias, no comportamento. Por sobrevivência vai quem até nem concorda com tudo do novo chefe, mas precisa do salário para viver (o óbvio); já o da “sobrevivência” é aquele que usa a palavra para permear varias situações e não ser questionado. O esperto é aquele que muda de lado, de ideia, de camisa, para continuar sua ligação com poder, e muitas vezes sua arrogância travestida de humildade precisa arrotar essa “sabedoria” e impressionar, ainda que morta negando.

O poder embriaga. O embriagado, quando perto de quem tem o poder que pode, faz parecer que o bêbado também pode, faz parecer um iluminado, abençoado dos céus.

O tempo dirá os caminhos da bancada potiguar, de quem se deslumbra, de quem produz, da equipe que trará melhor resultado para um estado falido, sem norte, e sem sorte. Que as vaidades possam ficar fora das discussões, das ações, assim como os interesses pessoais e partidários. O povo de RN não tem partido, tem urgência, tem fome de soluções.

Opinião

Enfim, Acabou!

Inesperada, e talvez isso tenha refletido pelos 48 meses seguintes, a eleição de Robinson Faria, em 2014, não trouxe esperança, trouxe o sentimento, digamos, de revanche contra quem não o escolheu como governador.

Quem não lembra dos “outdoor” que dizia: “Serei o melhor governador da história do Rio Grande do Norte”? Quatro anos depois, Robinson sai do Governo do Estado como o pior governador da história do RN,impopular, devendo salários, com o mesmo discurso vitimista durante todo o mandato, é assim que Robinson Faria será lembrado. Apesar de abraçar muitos jornalistas, de tomar café, dar inúmeras entrevistas, nenhum deles, ou a cadeia de comunicação governamental, foi capaz de salvar a imagem do governador.

Ronda Cidadã, Ronda Integrada, nada disso mudou o calcanhar de Aquiles deRobinson. Nem a Educação, nem a Saúde, causaram tanto estrago para um governo que bateu recordes de aparições em rede nacional com “propaganda” negativa. A rebelião em Alcaçuz fez o governador demonstrar inaptidão, fraqueza no comando, sangrar publicamente, e perder secretário de Estado que era considerado importante para a reestruturação do sistema prisional.

Além disso, Robinson Faria, que arrogantemente sempre fez pouco caso da bancada federal, termina o mandato bradando falta de apoio, abandono da bancada ao seu mandato. E ainda sim, e muito graças ao EMPRÉSTIMO ao Banco Mundial, diz ter feito 1.200 obras desconhecidas pelo povo do Rio Grande do Norte. Um contra senso, tendo em vista que quem é beneficiado é o primeiro a conhecer as obras que muda sua vida.

Dia 31 de dezembro de 2018 e fica a sensação de final melancólico, como povo contando as horas para o governador passar o cargo. Enquanto isso, Robinson inaugurou diversas obras (realmente prontas ou não) como se não houvesse amanhã, e assim continuou falando como se o RN fosse aquilo que ele imagina no mundo de Bob. Acabou.

Eleições 2018, Justiça, Opinião

Gosto Amargo

Ganhou mas não levou. É assim que deve se sentir o ainda deputado estadual Fernando Mineiro (PT).

Em um erro inédito, o TRE-RN não protocolou os documentos de Kericlis Alves Ribeiro, o Kerinho (PDT), impugnando seu registro de candidatura e não contabilizando os seus 8.890 votos.

Ao buscar junto ao TSE a contabilização desses votos de Kerinho, o deputado federal Beto Rosado (PP), conseguiu sua reeleição. É que com esses votos de Kerinho, a coligação de Beto Rosado ultrapassou o quantitativo de votos da coligação de Mineiro.

O petista garantiu ainda recorrer da decisão do Ministro Jorge Mussi, que devolveu o caso ao TRE-RN a correção do erro.

Esse ganhar e não levar, levando em consideração coeficiente eleitoral, faz lembrar o caso da ex-vereadora Amanda Gurgel, que em 2016 obteve 8.002 votos, a segunda mais votada da capital potiguar, e não conseguiu sua reeleição.

Pode não ser justo, mas é a regra do jogo.

Opinião, Política

Pecados Eleitorais

O fixo, o difícil, o pouco crível. Depois de 2018 as campanhas eleitorais não serão mais as mesmas.

Só o marketing como ferramenta de persuasão acabou, provou-se que o marketing precisa ser sensível ao que se passa nas ruas, precisa ser criativo, agir rapidamente e conectado com redes digitais com capacidade de disseminar o material produzido. Muitos foram eleitos sem grandes agências em sua campanha, mas com forte atuação nas redes sociais e na assessoria de imprensa.

As pesquisas não ditam o ritmo de campanha, o povo dá o ritmo. As manipulações nas pesquisas foram claras, e estas pesquisas só serviriam para nortear estratégias de campo, mas não real conhecimento do público eleitor, com fortes tendências como anteriormente.

As Fake News não possuem controle, ainda que se queira ter. Além disso, percebe-se que há uma camada de pessoas sendo pagas para fazerem esse jogo sujo de difamar, caluniar, mentir, com a garantia de que há a impunidade neste país. O “pobre” candidato não faz, mas paga para fazer. Honestidade nas mensagens não foi o forte desta eleição.

Não há mais ideologia a ser seguida, há qualquer preço a ser pago para alcançar o poder. O governador do Rio Grande do Norte, como ex-aliado recente do PT, orienta seus cargos e apoiadores para que votem em Fátima Bezerra, com sua coordenação e os midiáticos pagos envolvidos; O PT-RN, partido que vota em Haddad, faz aliança com o PSDB-RN, que diz votar em Bolsonaro e leva na sua aba aquele partido que parece ser um satélite do PSDB, o PTC. A água e o óleo ideológico. Tudo cabe na acomodação política no estado que se contrapõe ao caminho nacional. Enquanto o Brasil ruma com Jair Bolsonaro para a presidência da república, o Rio Grande do Norte, falido, combalido, financeiramente implodido, até agora, caminha para a oposição ao Governo Federal com metade de sua bancada sendo adversária.

Que aquele garoto
Que ia mudar o mundo
Mudar o mundo
Frequenta agora
As festas do Grand Monde

No RN e no Brasil, muitos candidatos tradicionais perderam seus mandatos por não conseguirem entender os desejos do eleitor. Como se isso não fosse suficiente, ainda durante o segundo turno, os eleitos são questionados com suas escolhas, e não são poupados quando ficam claras as razões pelas quais declararam seu voto para um candidato. As lideranças já não lideram mais tanto assim. Os eleitores ficam cada dia mais independentes, dificultando “arregimentar” multidões seja para reuniões, caminhadas, audiências.

Quem sabe depois de 2018 o povo consiga enxergar mais do que “meu lado” e “seu lado”; quem sabe consiga enxergar as intenções e competências, e não os sorrisos que traem e de ideologias que são jogadas no lixo. Quando um mau governante é eleito, o lado é um só: Mel para poucos, fel para a maioria.