Opinião

Enfim, Acabou!

Inesperada, e talvez isso tenha refletido pelos 48 meses seguintes, a eleição de Robinson Faria, em 2014, não trouxe esperança, trouxe o sentimento, digamos, de revanche contra quem não o escolheu como governador.

Quem não lembra dos “outdoor” que dizia: “Serei o melhor governador da história do Rio Grande do Norte”? Quatro anos depois, Robinson sai do Governo do Estado como o pior governador da história do RN,impopular, devendo salários, com o mesmo discurso vitimista durante todo o mandato, é assim que Robinson Faria será lembrado. Apesar de abraçar muitos jornalistas, de tomar café, dar inúmeras entrevistas, nenhum deles, ou a cadeia de comunicação governamental, foi capaz de salvar a imagem do governador.

Ronda Cidadã, Ronda Integrada, nada disso mudou o calcanhar de Aquiles deRobinson. Nem a Educação, nem a Saúde, causaram tanto estrago para um governo que bateu recordes de aparições em rede nacional com “propaganda” negativa. A rebelião em Alcaçuz fez o governador demonstrar inaptidão, fraqueza no comando, sangrar publicamente, e perder secretário de Estado que era considerado importante para a reestruturação do sistema prisional.

Além disso, Robinson Faria, que arrogantemente sempre fez pouco caso da bancada federal, termina o mandato bradando falta de apoio, abandono da bancada ao seu mandato. E ainda sim, e muito graças ao EMPRÉSTIMO ao Banco Mundial, diz ter feito 1.200 obras desconhecidas pelo povo do Rio Grande do Norte. Um contra senso, tendo em vista que quem é beneficiado é o primeiro a conhecer as obras que muda sua vida.

Dia 31 de dezembro de 2018 e fica a sensação de final melancólico, como povo contando as horas para o governador passar o cargo. Enquanto isso, Robinson inaugurou diversas obras (realmente prontas ou não) como se não houvesse amanhã, e assim continuou falando como se o RN fosse aquilo que ele imagina no mundo de Bob. Acabou.

Eleições 2018, Justiça, Opinião

Gosto Amargo

Ganhou mas não levou. É assim que deve se sentir o ainda deputado estadual Fernando Mineiro (PT).

Em um erro inédito, o TRE-RN não protocolou os documentos de Kericlis Alves Ribeiro, o Kerinho (PDT), impugnando seu registro de candidatura e não contabilizando os seus 8.890 votos.

Ao buscar junto ao TSE a contabilização desses votos de Kerinho, o deputado federal Beto Rosado (PP), conseguiu sua reeleição. É que com esses votos de Kerinho, a coligação de Beto Rosado ultrapassou o quantitativo de votos da coligação de Mineiro.

O petista garantiu ainda recorrer da decisão do Ministro Jorge Mussi, que devolveu o caso ao TRE-RN a correção do erro.

Esse ganhar e não levar, levando em consideração coeficiente eleitoral, faz lembrar o caso da ex-vereadora Amanda Gurgel, que em 2016 obteve 8.002 votos, a segunda mais votada da capital potiguar, e não conseguiu sua reeleição.

Pode não ser justo, mas é a regra do jogo.

Opinião, Política

Pecados Eleitorais

O fixo, o difícil, o pouco crível. Depois de 2018 as campanhas eleitorais não serão mais as mesmas.

Só o marketing como ferramenta de persuasão acabou, provou-se que o marketing precisa ser sensível ao que se passa nas ruas, precisa ser criativo, agir rapidamente e conectado com redes digitais com capacidade de disseminar o material produzido. Muitos foram eleitos sem grandes agências em sua campanha, mas com forte atuação nas redes sociais e na assessoria de imprensa.

As pesquisas não ditam o ritmo de campanha, o povo dá o ritmo. As manipulações nas pesquisas foram claras, e estas pesquisas só serviriam para nortear estratégias de campo, mas não real conhecimento do público eleitor, com fortes tendências como anteriormente.

As Fake News não possuem controle, ainda que se queira ter. Além disso, percebe-se que há uma camada de pessoas sendo pagas para fazerem esse jogo sujo de difamar, caluniar, mentir, com a garantia de que há a impunidade neste país. O “pobre” candidato não faz, mas paga para fazer. Honestidade nas mensagens não foi o forte desta eleição.

Não há mais ideologia a ser seguida, há qualquer preço a ser pago para alcançar o poder. O governador do Rio Grande do Norte, como ex-aliado recente do PT, orienta seus cargos e apoiadores para que votem em Fátima Bezerra, com sua coordenação e os midiáticos pagos envolvidos; O PT-RN, partido que vota em Haddad, faz aliança com o PSDB-RN, que diz votar em Bolsonaro e leva na sua aba aquele partido que parece ser um satélite do PSDB, o PTC. A água e o óleo ideológico. Tudo cabe na acomodação política no estado que se contrapõe ao caminho nacional. Enquanto o Brasil ruma com Jair Bolsonaro para a presidência da república, o Rio Grande do Norte, falido, combalido, financeiramente implodido, até agora, caminha para a oposição ao Governo Federal com metade de sua bancada sendo adversária.

Que aquele garoto
Que ia mudar o mundo
Mudar o mundo
Frequenta agora
As festas do Grand Monde

No RN e no Brasil, muitos candidatos tradicionais perderam seus mandatos por não conseguirem entender os desejos do eleitor. Como se isso não fosse suficiente, ainda durante o segundo turno, os eleitos são questionados com suas escolhas, e não são poupados quando ficam claras as razões pelas quais declararam seu voto para um candidato. As lideranças já não lideram mais tanto assim. Os eleitores ficam cada dia mais independentes, dificultando “arregimentar” multidões seja para reuniões, caminhadas, audiências.

Quem sabe depois de 2018 o povo consiga enxergar mais do que “meu lado” e “seu lado”; quem sabe consiga enxergar as intenções e competências, e não os sorrisos que traem e de ideologias que são jogadas no lixo. Quando um mau governante é eleito, o lado é um só: Mel para poucos, fel para a maioria.

Opinião

Predadores de Almas, Crônica de Lya Luft

Abaixo, crônica de Lya Luft que vale a pena a leitura.

Quanto mais inseguros, mais julgamos. Quanto mais culpados, mais sentenciamos.
Nunca entendi bem essa nossa avidez por julgamentos. Sobretudo por julgamentos que nós fazemos dos outros. Possivelmente, numa interpretação rápida que alguém chamaria “psicanálise de fundo de quintal”, eu diria que, criticando os outros, estamos erguendo biombos entre nós mesmos. Como meninos de escola que, tendo feito alguma malandragem, ligeiro dizem “não fui eu, profe”, e apontam o dedo para alguém do lado.

Não precisamos ser heróis, nem santos, mas sempre podemos ser um pouco mais humanos, solidários, compreensivos.

Quanto mais inseguros, mais julgamos. Quanto mais culpados – ainda que por nada ou por alguma bobagem –, mais sentenciamos: por que ela não corta esse cabelo? Por que ele não muda de emprego? Por que ela educa tão mal as crianças? Por que frequenta esse restaurante tão caro? Por que nunca tira férias? Por que fala tão mal dos outros? Por que está sempre com essa cara de velório?

Alguém também me disse, há anos, esta frase que nunca esqueci: “Lya, todos têm a sua dor”. Sim. Ela pode não cortar o cabelo simplesmente porque gosta assim. Ele não muda de emprego pois tem família a sustentar e não está fácil encontrar outro. As crianças dela não são mal-educadas: são felizes e naturais. Ele frequenta esse restaurante caro porque pode!!! Ele nunca tira férias porque não quer!!! Ela fala mal dos outros porque você também fala, neste momento, aliás. Quem sabe ela está com cara de velório porque perdeu um filho e essa dor não tem cura?

Enfim, não somos grande coisa, o que de certa forma nos consola. Não precisamos ser heróis, nem santos, mas sempre podemos ser um pouco mais humanos, solidários, compreensivos, pelo menos aceitar os demais com suas diferenças, suas manias, suas ainda que ocultas dores. Mas muitos de nós cultivam e curtem jogar pesadas pedras sobre quem nem conhecemos direito, ou que secretamente invejamos. Olhamos e avaliamos o que nos parece serem defeitos dos outros para animar nossa vida tediosa, ou apenas satisfazer nosso caráter não tão bonito.

Grande passatempo, barato, a ser exercido a qualquer hora e em qualquer lugar. Já vi mulheres ridicularizando maridos: “Olhem como está careca! Que barriga de cerveja! Por isso ronca a noite toda!”, e outras gracinhas mais pesadas ainda – mesmo diante de um ou dois amigos, é público, e machuca. Ou homens que (bem mais raramente do que mulheres, acreditem) sentenciam sobre sua mulher, namorada, algo como “está gorda, não se veste direito, a casa anda um lixo, sempre de mau humor, quando quero carinho está com dor de cabeça…”. Fico imaginando como será o convívio em casa. Na intimidade. Filhos e filhas certamente também são alvos dessas “bondades”, então acabam isolados, muito mais bem aceitos com amigos do que em casa, pais ainda se queixando de que não sabem por que perderam o contato com eles.

Difícil assunto esse de nos alçarmos em julgadores, juízes, críticos eternos. Muito mais difícil encontrar quem pouco, ou raramente, fale mal de alguém. Porque estamos infelizes? Porque não conhecemos (ou não aprendemos…) ternura e compreensão? Porque – generalizando eu sei que erro –, no fundo, sem saber, sem notar, somos predadores de almas?

Fonte: GauchaZH

Eleições 2018, Opinião

Dos Conceitos de Acordão e Seus Interesses

Semiótica

Acordão. Palavra usada pejorativamente na política para designar uma junção de pessoas ou partidos, geralmente usada por adversários políticos para um apontar o outro, via de regra esquecendo de si próprio.

O que muitos da comunicação ligada ao gabinete do governador chamam de acordão nesta campanha, não é nada diferente de acordos feitos pelo próprio governador, com nomes menos tradicionais do que o dele próprio, mas levando em consideração objetivos individuais em comum. O fato de famílias tradicionais do Rio Grande do Norte estarem juntas no mesmo palanque não é uma questão de sobrenome, é uma questão partidária, afinal os que estão no super acordão da situação, leia-se apoiando o governador, bem que usufruíram dessas mesmas famílias, e muitos saíram das sombras graças aos sempre caçados Alves, Maia e Rosado.

As pessoas falam dessas raízes familiares e esquecem das oligarquias distribuídas pelo interior do RN e de tantos outros estados. Muitas cidades se dividem politicamente entre preto e branco, que se revezam no poder eleição sim, e a outra também. Muitos políticos e comunicadores (sejam eles da área ou não) em algum momento se utilizou de uma dessas famílias para conseguir nem que seja 1% do seu patrimônio. Hipocrisia, é isso que muitos dos que tanto falam de acordão, que espalham os boatos, possuem. Poucos são os candidatos que não passaram em um desses grupos ou não apoiou. Poucos. Raros.

Receber apoio em troca de cargos no governo, de nomeações das mais diversas, de facilitar burocracias, oferecer mundos e fundos, abrir restaurantes populares em cidades de aliados, reformar escolas, entregar cheques, isso não é acordão. Acordão seria exatamente o que, sobrenomes tão somente?

Acordão pode ser entendido como um grande compromisso de um grupo sobre uma decisão tomada em consenso? E partindo disso, será que o acordão em torno de Robinson Faria, que já demonstrou incapacidade administrativa, incapacidade de decidir firmemente em momentos difíceis, incapacidade de agregar via discurso, diálogo, e apenas o fazendo usando a caneta do Governo do RN, convencerá o povo potiguar a recolocar Robinson na cadeira de governador novamente? Será que as pessoas que sofrem com a insegurança, prometida em campanha e estudada por 20 anos pelo governador o querem reeleito? Será que as pessoas que ouviram, viram e acreditaram na terceira ponte em Natal, e depois tudo desmentido pelo governador, o querem reeleito? Será que os pais que precisaram de UTI’s neonatal querem reeleger Robinson? Será que esse que esse super acordão, que tenta ser uníssono no discurso, dizendo que “agora vai!” sabe que o povo cansou de ser cobaia de um administrador vaidoso, sem pulso, alheio ao que acontece fora de sua bolha e terceiriza culpa? Será que os grandes gênios da publicidade e da comunicação do Rio Grande do Norte ainda procuram ludibriar, enganar, lutar contra imagens e acontecimentos do dia a dia ainda subestimam os eleitores do RN? É muita pretensão e arrogância.

Melhor revermos o conceito de acordão, e revermos conceito de credibilidade na imprensa. O resto é consequência das aulas de Semiótica na universidade, para quem cursou.

Eleições 2018, Opinião, Política

Correria, “Inaugurações” e Criação de Boataria

Robinson-Faria

Não se entende bem o que houve desse dia 05 para dia 06 de junho. Não, o assunto não é Copa do Mundo. É, para variar, política e suas peculiaridades!

Nesta quinta-feira, 05, o governador Robinson tentou fazer o dia ter mais de 24 horas para “inaugurar” várias obras. Foi base móvel da polícia, militar e rodoviária estadual, foi visita ao interior para fazer o que ele sempre faz, política fingindo ser ação governamental. Depois voltou para Natal e deu entrevista à 98 FM e só depois foi “inaugurar” o viaduto da Redinha, uma parte do Pró-Transporte.

Vamos por partes. As bases móveis, diz o Governo do RN, são 23 espalhadas pelo estado e compradas com mais um empréstimo ao Banco Mundial (se alguém souber o valor atualizado desse empréstimo, favor fazer contato). Uma base móvel foi entregue onde funcionava um prédio da Polícia Rodoviária Federal, que foi totalmente derrubado. Ninguém se importou em fazer alguma estrutura física para os policiais que por acaso fiquem no local, inclusive com banheiros; e além disso, os policiais são alvos fáceis para criminosos porque ficam em área aberta, expostos ao sol e chuva. Segundo o marketing do governo, ficará uma van e duas viaturas nesses lugares, sendo assim todos imaginam que teremos muitas viaturas rodando nas ruas, combatendo o crime, com os giroflex ligados o tempo todo, imposto por decreto. Ao passar na ponte de Igapó entre 08 horas e 09 horas do dia 05 de julho, já não havia mais base móvel, que depois foi explicada que era fixa… Mas móvel. Depois tantos comentaram sobre o sumiço da base móvel fixa, que ela voltou e deixou os policiais abrigados do sol embaixo das árvores.

Depois soube-se, e aí ninguém sabe verdadeiramente se era boato, que o governador Robinson Faria não teria entrado em Enxu Queimado, distrito de Pedra Grande, por causa de protesto de servidores. Não se sabe também se não deixaram ele entrar ou se ele refugou, mais conhecido como “amarelou”.

Ao dar entrevista em Natal, o governador foi perguntando por seus dois adversários diretos: Carlos Eduardo (PDT) e Fátima Bezerra (PT). Sobre Carlos Eduardo ele disse que é um candidato raivoso, antipático, e era um Alves, e que não fez nenhuma obra por Natal, e ainda soltou, ou criou, um boato que Carlos Eduardo, em uma rádio em Apodi, teria dito na que demitiria servidores para deixar a folha de pagamento em dia. Ao falar sobre Fátima Bezerra, o governador disse que ela não faz nada pelo RN e não conhece como funciona o Executivo, só sabe o que é o legislativo.

Ora, Robinson Faria a cada entrevista demonstra que nada aprendeu com os anos em que fez o potiguar de cobaia. Primeiro, criar um boato e ele mesmo espalhar com seus parceiros para enganar o povo, demonstra que já vinha fazendo política e que está incomodado com sua terceira posição na escolha do eleitorado, sendo assim, resolveu atacar seus adversários fingindo análise sobre eles. Depois, com o tom, sorriso debochado (quem viu a entrevista no Instagram sabe), falar tanto de Alves e Maia, e esquecer o quanto foi ajudado por eles, é de uma memória seletiva inigualável. Aliás, o governador, que segue falando em terceira pessoa, ainda não descobriu que Antônio Jácome fará a dobradinha com Garibaldi Alves. Não pareceu que tratava só de questões de governo nesse meio tempo, mas que focou apenas nesse discurso de família tradicionais, como a dele, e discurso desatualizado pelas mudanças em uma chapa adversária. Reconheceu que Carlos Eduardo tem experiência no Executivo, mas disse que o pré-candidato do PDT “só” administrou Natal, falando até com um certo desdém, com apenas 700 ou 800 mil habitantes, e que Robinson foi prefeito e governador ao mesmo tempo, e governador de 3 milhões e meio de habitantes de um estado grande como o Rio Grande do Norte (palavas do governador, um surfista quase profissional).

Segundo, falar que a senadora Fátima Bezerra só entende de legislativo, que nada fez pelo RN e que só fala de assunto nacional, é de imensa ingratidão, afinal, foi com o apoio do PT, com o apoio da mobilização petista, com alguns programas eleitorais ao lado de Lula que Robinson foi eleito. Mais que isso, ele aponta para ele mesmo quando diz que a senadora só entende de legislativo, afinal, quem é vice, se for como ele fez, não tem conhecimento algum do que é o Executivo, não toma decisões, não participa de reuniões que mude a vida dos cidadãos. Ou seja, ele não estava preparado para ser gestor, para ser o comandante do Executivo, porque, segundo o discurso dele próprio, Robinson só conhecia o legislativo.

E à noite, a “inauguração” do viaduto da Redinha, obra do eterno Pró-Transporte. Na verdade, ao que se percebe é que foi “inaugurada” a pista que liga a Redinha até Extremoz, o que facilita a vida dos turistas, que não entram mais pela zona norte de Natal. Segundo o direitor do DER, General Fraxe, o viatudo da Redinha é uma obra chamada de Etapa 1, e tem 80% da obra concluída (e prevista para acabar em outubro de 2018), já o governador diz que tudo foi entregue 100%. Pelo que se sabe, essa Etapa 1 é 15% do Pró-Transporte, e ainda falta muito pra ser feito, inclusive na Moema Tinôco, Av. Tocantínea, Av. das Fronteiras (incluindo a rotatória na Av. Itapetinga) e sua duplicação, e o anel viário no “gancho” de Igapó.

Viaduto Redinha gabinete civil
Foto: Dinarte Mariz. Exposta no Instagram do Gabinete Civil (@gabinetecivilrn) e feita pela manhã, porque até esse momento não tem nova foto do local em nenhum perfil oficial do Governo.

O governador do Rio Grande do Norte, disse várias vezes que cumprirá a lei eleitoral. É o que se espera de todos, que cumpram a lei! Robinson Faria tem rejeição de 51% dos potiguares para a reeleição, e seu governo tem reprovação de 85% nas terras de Poti, segundo pesquisa feita pelo Blog do BG/98,9 FM/Instituto Consult. Agora que assumiu sua pré-candidatura, resta saber como os partidos que já anunciaram apoio, sem ele pensar em política e reeleição, discursarão para justificar o apoio ao que os cidadãos rejeitam. Talvez o caminho seja usar o discurso de perdão, perseverança porque Robinson aprendeu muito, humildade (depois de já dizer em 2014 que seria o melhor governador da história do RN), e mais de 1.200 obras que o povo não conhecia e também não sabe onde achar essa lista das 1.200 obras e após rever conceito sobre “obras” e obras, afinal, é só lembrar que o evento Campus Party foi carimbado como obra do Governo do RN, quando na verdade teve apoio, como acontece em outros estados. Que cartas colocadas na mesa, o Ministério Público Eleitoral tenha os olhos atentos para todos, com os mesmos critérios, e sem compaixão.

Opinião

Apontadores ou Delatores

Dedo

Neste final de semana passado estourou feito bomba de São João alguns detalhes da delação de Rita das Mercês sobre a Operação Dama de Espadas (aquela que revela segredos da Assembléia Legislativa do RN). Sem procuração da delatora, e por sinal, a blogueira aqui é bem desconfiada com delações feitas no Brasil. Não há uma regra, não um entendimento sequer sobre uma linha para aplicar, aceitar, ou não a delação, é de acordo com a vontade do Ministério Público, seja de que esfera for. Passar a ser delator virou até uma espécie de status, meio que herói, sem ser, afinal, quando estes que denunciaram falaram dos outros, é porque também estavam se beneficiando de todos os esquemas.

Pois bem, a famosa Ritinha se poupou alguém, que digam ou calem-se para sempre, porque ela, a Dama, coloca as cartas na mesa a partir de 2006 e não poupa o governador Robinson Faria, o ex-presidente da Assembléia Legislativa Ricardo Motta, e nem o atual presidente, Ezequiel Ferreira. Assim como aponta indicações de desembargadores do Tribunal de Justiça, membros do Tribunal de Contas do Estado, diversos políticos, e gratificações para jornalistas do Rio Grande do Norte, alguns até grandes palmatórias do mundo. Aliás, Ritinha dá nomes de quem mexia em contas, quem ficava com valores, sem omitir detalhes.

A Dama, Rita, conseguiu com a delação a liberdade da família, mas terá que devolver cerca de 600 mil Reais e mais alguns bens, vive meio que isolada do mundo, e os parentes que não trabalharam terão que devolver os valores recebidos. É pouco? Talvez. Joesley confessou o quanto corrompeu pelo Brasil, devolveu um valor irrisório perto daquilo que ele e suas empresas ganharam e aí percebe-se que punição para corruptores é quase nada. Outros assumem o desvio de dinheiro de campanha, seja ele legal ou ilegal, e ainda assim não há uma punição porque houve delação que deixou o Ministério Público satisfeito. A delação deveria ser como nos Estados Unidos, o delator tem redução de pena e alguns outros benefícios, mas paga por tudo que se envolveu, assim como os demais arrolados no processo.

Infelizmente, as delações viraram banais, acaba virando a palavra de um contra o outro, ou até arma de vingança (nome de música brega, ok), ou o caso do reitor da Universidade de Santa Catarina já foi esquecido? Foi acusado, o nome alardeado para a impresa naqueles sigilos seletivos, suicidou-se tamanha a pressão sentida, e no final das contas não havia nada contra ele, era uma vingança estúpida e estapafúrdia, mas ele foi julgado antes mesmo de ter a chance de se defender.

Somos todos culpados pelo que se encontra aí. Somos um país hipócrita, que não se reconhece corrupto e também corruptor. Somos uma sociedade em que fazer algo sem ter vantagem alguma é coisa de idiota, de bobão, de gente sem confiança. Valores invertidos. Como disse um filósofo: Não há governo corrupto em uma sociedade honesta, e o inverso é também é verdadeiro.