Nacional, Política

Jean Wyllys Desiste do Mandato e Sairá do Brasil Após Ameaças

O deputado Jean Wyllys durante o 15º Seminário LGBT do Congresso Nacional

Jean Wyllys (PSOL) foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro pela terceira vez no último ano. Apesar disso, ele afirmou, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, que vai abrir mão do mandato. Fora do país, de férias, ele disse que não voltará do Brasil por conta de ameaças, e que vai se dedicar à carreira acadêmica.

Após o assassinato de Marielle Franco, também do PSOL, em março de 2018, Jean Wyllys passou a andar escoltado. As ameaças de morte, já presentes há anos, aumentaram e fizeram ele abandonar a vida pública. “O Pepe Mujica [ex-presidente do Uruguai] quando soube que eu estava ameaçado de morte, falou para mim: ‘Rapaz, se cuide, os mártires não são heróis’. E é isso, eu não quero me sacrificar”, afirmou.

O fato de familiares de um ex-PM suspeito de chefiar a milícia investigada pela morte de Marielle ter trabalhado para o senador eleito Flávio Bolsonaro também assusta o parlamentar. “Me apavora saber que o filho do presidente contratou no seu gabinete a esposa e a mãe do sicário. O presidente que sempre me difamou, que sempre me insultou de maneira aberta, que sempre utilizou de homofobia contra mim. Esse ambiente não é seguro para mim”, acrescenta.

O fato de ter sido acusado de pedofilia pelo deputado eleito Alexandre Frota (PSL) fez as denúncias aumentarem, segundo Wyllys. Ele venceu uma disputa na Justiça Federal, em dezembro do ano passado, que obrigou Frota a pagar uma indenização de R$ 295 mil.

Por fim, Wyllys afirma que há falta de liberdade no Brasil para continuar como parlamentar. “Como é que vou viver quatro anos da minha vida dentro de um carro blindado e sob escolta? Quatro anos da minha não podendo freqüentar os lugares que eu freqüento?”, completou.

Fonte: IstoÉ

Nacional, Polícia

Caso Carandiru: Justiça Determina que Policiais Condenados Sejam Submetidos a Novo Júri Popular

A Justiça de São Paulo decidiu nesta terça-feira (27) manter a anulação do julgamento e determinar um novo júri para o caso que ficou conhecido como “massacre do Carandiru”. Com a decisão, os 74 policiais militares envolvidos deverão ser submetidos a mais um júri popular – ainda sem data para acontecer.

Os policiais em questão foram condenados em cinco júris diferentes, entre 2013 e 2014, pela morte de 111 presos nas celas do presídio em 1992. As penas variavam entre 48 e 624 anos de prisão em regime fechado. Mesmo condenados, eles não chegaram a ser presos.

A defesa pediu que os acusados fossem absolvidos em segunda instância. Embora acatasse parte da tese dos defensores, a maioria dos magistrados, no entanto, entendeu que os PMs deveriam passar por novo júri e não ser considerados inocentes.

Para anular os júris, os desembargadores argumentam que o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), responsável pela acusação, não conseguiu individualizar a conduta dos réus. Ou seja, não apontou exatamente o que cada um dos PMs fez ou contra qual vítima cada um atirou na ocasião.

Em maio, o TJ-SP já havia analisado embargos de declaração, movidos pelo MP-SP, mas negou o recurso. A promotoria sustenta que a conduta dos PMs não precisaria ser individualizada, uma vez que eles são acusados de “concorrer” para o massacre – ou seja, prestaram algum tipo de apoio, mas não necessariamente puxaram o gatilho.

Fonte: Jovem Pan Online

Governo Federal, Nacional

Filósofo Colombiano é Anunciado Para a Educação

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, anunciou na noite desta quinta-feira, 22, que o filósofo e professor colombiano nacionalizado brasileiro Ricardo Vélez Rodríguez será o futuro ministro da Educação. Crítico do Enem e com afinidade ao projeto Escola sem Partido, Rodríguez é hoje professor-colaborador do programa de Pós-Graduação em Ciência da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora (MG). Em mensagem postada no último dia 7 em seu blog, ele atribuiu sua indicação ao cargo ao filósofo Olavo de Carvalho, próximo da família do presidente eleito e uma referência do pensamento conservador.

“Gostaria de comunicar a todos a indicação de Ricardo Vélez Rodríguez, filósofo autor de mais de 30 obras, atualmente professor emérito da Escola de Comando e Estado Maior do Exército, para o cargo de ministro da Educação”, escreveu Bolsonaro, em sua conta no Twitter.

O anúncio foi feito um dia depois de a bancada evangélica vetar o nome de Mozart Neves, diretor de Articulação e Inovação do Instituto Ayrton Senna, para o cargo. De perfil técnico, Mozart chegou a ser convidado por Bolsonaro, mas a escolha provocou atrito com integrantes da Frente Parlamentar Evangélica – que faz parte da base de apoio do presidente eleito no Congresso. Para eles, Mozart não tinha “afinidade ideológica” com o novo governo. Pessoas próximas do educador disseram que ele não aprovava o Escola sem Partido.

Blog

Rodríguez mantém um blog chamado Pensador de La Macha, em referência a Dom Quixote (obra do escritor espanhol Miguel de Cervantes). No texto do último dia 7, ele escreveu que, como ministro da Educação, queria “tornar realidade, no terreno do MEC, a proposta de governo externada pelo candidato Jair Bolsonaro, de ‘Mais Brasil e Menos Brasília'”. Disse ainda que Bolsonaro venceu porque representou a insatisfação dos eleitores contra governos petistas. 

Sobre educação, Velez deixa clara sua afinidade com projetos como o Escola sem Partido. Segundo ele, os brasileiros seriam “reféns de um sistema de ensino alheio às suas vidas e afinado com a tentativa de impor, à sociedade, uma doutrinação de índole cientificista e enquistada na ideologia marxista, travestida de revolução cultural gramsciana, com toda a corte de invenções deletérias em matéria pedagógica como a educação de gênero”.

Para ele, o modelo atual de educação estaria “destinada a desmontar os valores tradicionais da nossa sociedade, no que tange à preservação da vida, da família, da religião, da cidadania, em suma, do patriotismo”.

Rodríguez também criticou outros nomes que foram avaliados para o MEC, como a da presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Maria Inês Fini. Para o futuro ministro, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), prova que ela é responsável atualmente, é um “instrumento de ideologização”.

Schelb

À tarde, antes do anúncio do novo ministro, Bolsonaro se reuniu por três horas com o procurador regional do Distrito Federal, Guilherme Schelb. Ao deixar o encontro, Schelb disse que tinha apoio “muito significativo” da bancada evangélica e reafirmou ser a favor do movimento Escola Sem Partido. 

Ele chegou a acusar professores de usarem ideologia de gênero como “pretexto” para cometer crimes e disse que todos os “doutrinadores” são de esquerda. Ele avaliou que professores fazem o que “bem entendem” atualmente no País e acrescentou que a sala de aula “também é território brasileiro”. “Estamos vendo situação de anomia em determinados âmbitos em que professor escolhe qual lei quer respeitar ou não.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: UOL Notícias

Governo do Estado, Nacional

Nordeste Independente?

Há quem defenda a separação do Nordeste das demais regiões do Brasil. Há quem sonhe que o hino nacional do Nordeste independente, do Nordeste separado, seja Asa Branca. Mas entre o defender e o querer, a realidade de que a dependência econômica, e a vontade popular não se faz demonstrar para defesa dessa independência.

Pois bem, os atuais governadores eleitos no Nordeste, aliados do PT, parece que querem criar uma independência política do Governo Federal e do comando do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), esquecendo da dependência financeira.

Com reunião marcada para hoje com Bolsonaro, os governadores do Nordeste enviaram um representante, Wellington Dias (PT), governador do Piauí, e não mais que isso. Sim, do Piauí que “cedeu” o programa de governo para a então candidata do PT, Fátima Bezerra.

O Rio Grande do Norte, sufocado, afundado em uma crise sem precedentes, abriu mão de ter um diálogo republicano com o presidente eleito olho no olho. O RN, via Fátima Bezerra, nem assumiu e demonstra uma postura radical, rancorosa, e prejudicial no caminho para tirar o estado da crise.

Depois do Muro de Berlim, parece que querem construir o Muro Nordestin, sinal de irresponsabilidade e de compromisso com cada partido nacionalmente, esquecendo a dificuldade e realidade local, para desespero do povo do RN, em especial. Lamentável.

Nacional

Em 8 Meses, Empresário Prestou Mais de 30 Depoimentos

Mais célebre delator do país, o bilionário Joesley Batista, um dos donos da JBS, esforçava-se para levar rotina discreta desde que foi autorizado a deixar a prisão, em março deste ano, após passar seis meses no cárcere.

A vida reclusa, como fontes próximas ao empresário classificaram ao Estado seu dia a dia, era, em parte, consequência das limitações impostas pela Justiça. Para responder em liberdade, ele fora proibido de participar da gestão de suas principais empresas e de fazer viagens para o exterior.

A rotina derivava também do receio da reação das pessoas caso voltasse a circular por restaurantes badalados e eventos da alta sociedade de São Paulo – o irmão Wesley chegou a ser hostilizado em uma churrascaria paulistana enquanto almoçava com filhos e neto.

De tornozeleira eletrônica, Joesley passava a maior parte de seu tempo em sua casa, no bairro do Jardim Europa, onde é vizinho dos pais e de Wesley. O empresário evitava aparecer na sede da J&F e da JBS com receio de sua presença ser interpretada como infração às exigências da Justiça. Amiúde, porém, visitava o instituto Germinare, braço social da J&F.

Com a limitação judicial para viagens ao exterior e a necessidade de demonstrar austeridade financeira e de aparentar hábitos mais simples, Joesley colocou à venda seu apartamento em Nova York – que já encontrou comprador -, sua casa no balneário de Angra dos Reis e seu iate, que ainda buscam interessados. Vez ou outra, o empresário refugiava-se em uma de suas fazendas acompanhado da família, segundo uma fonte próxima. Sua mulher, a ex-apresentadora de TV Ticiana Villas Boas, está grávida do segundo filho do casal e do quinto de Joesley, que tem outros três do primeiro casamento.

Delação

O empresário ocupava-se de forma incessante dos processos que resultaram de sua delação. No total, foram mais de cem inquéritos abertos em diversos Estados a partir das informações de sua colaboração premiada. Havia documentos a juntar e depoimentos a prestar. Desde março, quando deixou a prisão, foram ao menos 30 depoimentos, em várias cidades, incluindo Belo Horizonte, Brasília, de acordo com levantamento da defesa.

As obrigações do acordo tomavam tanto seu tempo que Joesley costumava brincar com os delegados que tomavam seu depoimento que havia se tornado “funcionário da Polícia Federal em tempo integral”.

Alijado dos negócios, legou as decisões do conglomerado que tocava ao lado de Wesley a outros integrantes da família. A holding do conglomerado J&F, que era por ele presidida, passou a ser comandada pelo sobrinho José Antônio Batista.

O grupo, que conseguiu promover uma reestruturação financeira após a crise desencadeada pela divulgação da delação dos irmãos, ainda enfrenta dificuldades. Recentemente, entrou em disputa societária com a multinacional Paper Excellence, que havia firmado acordo para comprar a fabricante de celulose Eldorado.

Inesperado

A prisão pegou Joesley e os familiares de surpresa. O empresário se preparava para viajar a Brasília na segunda que vem para prestar depoimento no Supremo Tribunal Federal (STF), passo que considerava importante na defesa da manutenção de seu acordo. Planejava passar o fim de semana debruçado sobre o caso e reunindo documentos. Fazia cálculos sobre os próximos passos, mas mão imaginava ter de retornar oito meses depois à prisão.

Fonte: UOL Notícias

Nacional

Governo Bolsonaro: Quem é Onyx Lorenzoni, Responsável por Coordenar a Relação Rntre a Futura Gestão e o Congresso

Onyx Nomeado ontem como ministro extraordinário para coordenar o governo de transição do presidente eleito e anunciado como futuro ministro-chefe da Casa Civil, o parlamentar de 64 anos acumula uma bagagem de 22 anos de Legislativo, 15 deles na Câmara dos Deputados. O porto-alegrense Onyx foi reeleito neste ano para um quinto mandato com a segunda maior votação do Estado. Seus 183.518 votos foram superados apenas pelo deputado eleito Marcel van Hattem, do Novo, com 349.855 votos. Em 2014, tinha ficado em quinto, com 148.406 votos. O incremento na performance deve-se sobretudo à decisão de aderir à candidatura de Bolsonaro, de quem se tornou coordenador de campanha antes de o DEM definir posição na sucessão presidencial. Depois de ensaiar uma candidatura do deputado Rodrigo Maia (RJ), o partido acabou integrando a coligação de Geraldo Alckmin (PSDB). “Eu tenho uma leitura de que, depois de 30 anos de hegemonia absoluta da esquerda no Brasil, quer através da centro-esquerda, que é o PSDB, quer através da esquerda, que o PT representou e que acabou numa quase tragédia, agora há um movimento de endireitar o Brasil. É um movimento em que a centro-direita chega ao poder. Não tenho nenhuma dúvida de que esta é uma eleição da centro-direita brasileira e não consigo enxergar o DEM não estando, direta ou indiretamente, apoiando Bolsonaro”, afirmou durante a campanha.

Em maio de 2017, Onyx foi um dos políticos citados por um dos diretores da empresa JBS como beneficiário de recursos em caixa 2. Em entrevista à RBS TV, o deputado assumiu ter recebido o dinheiro em 2014, mas afirmou que o valor teria sido inferior aos R$ 200 mil citados e que não tinha como declarar os recursos à Justiça Eleitoral por conta do prazo. Até o momento, não houve abertura de inquérito para investigar o caso. Em junho deste ano, a pedido da PGR (Procuradoria Geral da República), o STF (Supremo Tribunal Federal) arquivou um inquérito que investigava o parlamentar de acusação de caixa 2 na campanha de 2006 feita em delação da Odebrecht.

Atuação em Brasília

Diferentemente do presidente eleito, que chegou à Câmara em 1990 após dois anos como vereador no Rio, Onyx tinha experiência considerável ao chegar a Brasília, em 2003. Ele despontou no cenário nacional em 2005, aos 49 anos, durante as sessões da CPI Mista dos Correios, criada para investigar um escândalo de propina em uma diretoria da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (EBCT). Na primeira fase dos trabalhos, o então presidente nacional do PTB, deputado federal Roberto Jefferson (RJ), denunciou a existência de pagamentos intermediados pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a parlamentares em troca de apoio, o chamado mensalão.

Um dos dois únicos representantes do DEM (então denominado PFL) entre os 16 titulares da CPI, Onyx tornou-se desde o início um dos parlamentares mais ativos da comissão. Costumava ser um dos primeiros a chegar à sala de reuniões, no Senado, munido de chimarrão e garrafa térmica de água quente. Comedido e afável no trato pessoal, transformava-se durante os interrogatórios, ao microfone: a voz elevava-se e as mãos moviam-se em gesticulação frenética, numa atitude de palanque.

Numa época em que Lula ainda gozava de amplo apoio popular, Onyx passou a afirmar diante das câmeras, aos gritos, que o PT, partido do então presidente, havia formado uma “quadrilha” a partir do governo federal para assaltar os cofres públicos. Colegas da oposição viam exagero na atitude, e governistas reagiam com fúria. “Para o senhor (Lorenzoni) me acusar de formação de quadrilha, o senhor apresente provas”, vociferou o ministro-chefe do Núcleo de Estudos Estratégicos do governo, Luiz Gushiken, durante uma das audiências.

Anos depois do fim da CPI, Onyx manteria um curioso hábito testemunhado por quem o encontrava no início do dia. Ao falar ao telefone, costumava interromper a conversa e dizer: “E aí, galera? Bom dia! Vamos trabalhar?”. A quem se surpreendia, explicava que a saudação era dirigida a supostos responsáveis por grampos em seu aparelho. “Desde a CPI dos Correios, sou grampeado 24 horas por dia e seguido”, afirmava.

A CPI dos Correios culminaria, sete anos depois, com a condenação, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), de 25 dos 37 réus do escândalo. Ao concluir os trabalhos, porém, não chegou a inviabilizar o governo Lula, que recompôs sua base de apoio no Congresso, com a inclusão do PMDB, então detentor da maior bancada na Câmara. Em 2006, Lula foi reeleito com 60,83% dos votos, marca ainda hoje não superada em pleitos presidenciais.

Para Onyx, os dividendos políticos foram consideráveis. Depois da divulgação do relatório final da CPI, ele publicou um livro-denúncia, A máfia da estrela, no qual sistematizava os ataques ao PT. Na Câmara, envolveu-se em uma disputa pela liderança da bancada com o ex-colega de CPI, Antonio Carlos Magalhães Neto, hoje prefeito de Salvador. Como líder, teve Bolsonaro entre os companheiros de bancada (o presidente eleito permaneceria por dois anos no DEM). Os dois haviam tido contato em 2003, durante a campanha contra o desarmamento.

A relação com Paulo Afonso Feijó

O lance mais audacioso de Onyx nos anos 2000 ocorreu em seu Estado natal, onde o PFL, aliado ao PSDB, emplacou o vice-governador na chapa da tucana Yeda Crusius, que acabou eleita. Pela primeira vez em mais de 20 anos de existência, o partido que surgira em 1984 de uma dissidência do PDS voltava ao topo do Executivo no Rio Grande do Sul. O eleito era um afilhado político de Onyx.

Ex-presidente da Federação das Associações Comerciais do Rio Grande do Sul (Federasul), Paulo Afonso Feijó era mais do que um empresário seduzido pela política. De família tradicionalmente ligada ao comércio em Porto Alegre, havia sido um dos animadores do Instituto de Estudos Empresariais (IEE), entidade classista dedicada à divulgação do ideário liberal entre o empresariado local. O primeiro encontro de Feijó e Onyx havia ocorrido nos eventos do IEE, na década de 1980. “Conheço Onyx da época em que ele era veterinário. Sempre gostou muito de política, leu muito. Tinha participação destacada em nossas atividades”, relembra Feijó. As dificuldades na aliança PSDB-DEM começaram antes da posse de Yeda. Em entrevista durante a campanha, Feijó defendeu a privatização do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul), considerado por ele um “cabide de empregos”.

Impopular, a tese desagradou ao comando da campanha. A crise agravou-se quando, já no governo, Feijó gravou clandestinamente uma conversa com o então secretário-chefe da Casa Civil, Cézar Busatto (PPS), no qual o colega admitia o uso de estatais como fonte de financiamento ilegal de campanhas políticas. Além de marcar o rompimento definitivo entre Feijó e a governadora, o caso paralisou o governo. Pressionado pela cúpula do DEM (denominação adotada pelo antigo PFL em 2007) a expulsar Feijó, Onyx ficou ao lado do pupilo. Em 2008, concorreu pela segunda vez à prefeitura de Porto Alegre, esperando pelo menos repetir o resultado de 2004, quando ficara em terceiro lugar, com 80.633 votos (9,97%). Acabou colhendo 38.803 votos (4,91%). A amizade com o ex-vice-governador perdurou. Em agosto, durante a Expointer, maior feira agropecuária do país, em Esteio (RS), Feijó organizou um almoço para recepcionar Bolsonaro no Country Club, em Porto Alegre. Compareceram cerca de 200 empresários, além do candidato e de Onyx.

Da atividade sindical para a política

Filho do veterinário Rheno Júlio Lorenzoni e da dona de casa Dalva Lorenzoni, Onyx nasceu em 3 de outubro de 1954. No ano anterior, seu pai havia instalado uma clínica para animais de todos os portes no porão de sua casa, no Menino Deus, bairro de classe média de Porto Alegre. Hoje, o Hospital Veterinário Lorenzoni é mantido por Rodrigo Lorenzoni, filho de Onyx e da terceira geração de veterinários da família. Formado em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Onyx presidiu o sindicato da categoria entre 1984 e 1990. Da atividade sindical, passou à política.

No início, militava no Partido Liberal (PL), pelo qual concorreu a uma vaga de deputado estadual em 1994, numa coligação com o PFL. Obteve uma primeira suplência, mas, quando o veterano pefelista Germano Bonow foi convidado pelo então governador Antonio Britto (PMDB) a comandar a Secretaria Estadual de Saúde, assumiu a vaga. A partir de 1999, Onyx passou a compor a bancada oposicionista ao governo do petista Olívio Dutra. A experiência marcaria sua atividade para sempre. “Cheguei à Câmara em 2003, vindo da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, onde vivenciei como oposição a primeira experiência petista de um governo estadual”, afirmou em discurso na Câmara em fevereiro.

Em 2016, Onyx foi um dos 367 deputados a votar favoravelmente ao relatório que propunha o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Caixa 2

Onyx foi um dos parlamentares mencionados na delação premiada do ex-diretor da Odebrecht Alexandrino Alencar, no âmbito das investigações da Operação Lava Jato, como destinatário de contribuições de campanha em caixa 2. Segundo Alexandrino, Onyx teria recebido R$ 175 mil por meio de doação ilegal. “Eu percebi que, dentro do escopo político, o senhor Onyx Lorenzoni era uma pessoa importante, era um jovem impulsivo, lutador, que precisávamos mantê-lo próximo”, disse Alexandrino. A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu abertura de inquérito para apurar falsidade ideológica eleitoral por parte de Onyx.

Uma perícia apresentada pela defesa do deputado ao Supremo Tribunal Federal (STF) sustentou que a principal prova contra ele – uma planilha na qual era identificado pelo codinome “inimigo” – teria sido fraudada.

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu o arquivamento do inquérito em razão do fato de que “diligências realizadas não foram suficientes para elucidar a materialidade do suposto crime”. A solicitação foi acolhida pelo ministro do STF Luiz Fux em junho deste ano. Em maio de 2017, Onyx foi um dos políticos citados em delação premiada pelo diretor da empresa JBS Ricardo Saud como beneficiário de recursos em caixa 2. De acordo com o executivo, o parlamentar teria recebido R$ 200 mil da empresa em setembro de 2014, por intermédio do presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Antônio Jorge Camardelli, ligado a Onyx por uma amizade de 30 anos.

Em entrevista à RBS TV, o deputado assumiu ter recebido o dinheiro, mas afirmou que o valor teria sido inferior aos R$ 200 mil citados por Saud – na versão de Onyx, foram R$ 100 mil – e argumentou que não teria como declarar a contribuição à Justiça Eleitoral.

A Procuradoria-Geral da República pediu ao STF que a parte da delação premiada da JBS referente a caixa 2 de campanha, incluindo os recursos destinados a Onyx, sejam desmembradas do processo. Não há inquérito aberto sobre o caso. “Entre carregar uma mancha que me macularia pela vida toda, eu resolvi ter uma cicatriz. E a melhor forma é trabalhar com a verdade. Tanto é que eu tenho tatuado aqui (mostra uma citação bíblica no braço direito): ‘João, 8:32, Conhecerás a verdade e a verdade vos libertará'”, disse o deputado durante a campanha eleitoral. A sentença do Novo Testamento costuma ser repetida por Bolsonaro como lema contra a corrupção. Ao lado da frase, Onyx exibe outras duas tatuagens: um brasão do Internacional e uma bandeira do Rio Grande do Sul.

Futuro político

Onyx 2 A vitória de Bolsonaro deu margem a especulações sobre o futuro político de Onyx, como uma eventual (e terceira) candidatura à prefeitura de Porto Alegre em 2020. Apontado como um dos homens fortes do governo Bolsonaro, Onyx chocou-se na última terça-feira (30) com Paulo Guedes, guru econômico do presidente eleito. Na véspera, o deputado havia descartado aceitar a oferta do presidente Michel Temer de aprovar o projeto de reforma da Previdência em tramitação no Congresso, qualificando-o de “remendo”. Questionado sobre a declaração de Onyx, Guedes disse: “É um político falando de coisa de economia. É a mesma coisa que eu sair falando coisa de política. Não dá certo, né?”. Depois de reunião com Bolsonaro, Guedes recuou e concordou que haverá dificuldades políticas para aprovar a reforma este ano.

Fonte: BBC
Nacional

Em Mensagem, Moro se Despede de Juízes e Pede ‘Atuação Independente’

Sérgio Moro se despediu de seus colegas da magistratura federal nesta segunda-feira (5) por meio de uma mensagem via intranet. No texto, pediu aos juízes que “continuem dignificando a Justiça com atuação independente mesmo contra, se for o caso, o Ministério da Justiça”, além de reiterar o “respeito e admiração” pelos companheiros.

Também na segunda, Moro dirigiu um ofício ao corregedor do Tribunal Regional Federal da 4ª região e deixou a Operação Lava Jato. Até a posse do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), quando assumirá o comando do Ministério da Justiça, ele estará de férias.

O novo cargo do magistrado virá junto com a reformulação da Pasta, que ganhará status de “superministério” e englobará o Ministério da Segurança, a Controladoria-Geral da União, uma fatia do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e a Polícia Federal.

Moro também lembrou, na mensagem, do juiz Giovanni Falcone, assassinado pela máfia italiana em 1992, e disse que pretende seguir seus passos. “Lembrei-me do juiz Falcone, muito melhor do que eu, que depois dos sucessos em romper a impunidade da Cosa Nostra, decidiu trocar Palermo por Roma, deixou a toga e assumiu o cargo de Diretor de Assuntos Penais no Ministério da Justiça, onde fez grande diferença mesmo em pouco tempo. Se tiver sorte, poderei fazer algo também importante.”

Ele ainda reiterou que a decisão de abandonar a toga foi “muito difícil, mas ponderada” e que vai trabalhar para “aprimorar o enfrentamento da corrupção e do crime organizado”.

Confira mensagem na íntegra:

Prezados colegas magistrados federais,

A todos que me endereçaram congratulações aqui, meus agradecimentos.

Foi uma decisão muito difícil, mas ponderada.

Em Brasília, trabalharei para principalmente aprimorar o enfrentamento da corrupção e do crime organizado, com respeito à Constituição, às leis e aos direitos fundamentais.

Lembrei-me do juiz Falcone, muito melhor do que eu, que depois dos sucessos em romper a impunidade da Cosa Nostra, decidiu trocar Palermo por Roma, deixou a toga e assumiu o cargo de Diretor de Assuntos Penais no Ministério da Justiça, onde fez grande diferença mesmo em pouco tempo. Se tiver sorte, poderei fazer algo também importante.

Da minha parte, sempre terei orgulho de ter participado da Justiça Federal e os magistrados terão sempre o meu respeito e admiração. Continuem dignificando a Justiça com atuação independente (mesmo contra, se for o caso, o Ministério da Justiça).

Abs a todos,

Sergio Fernando Moro

Fonte: Joven Pan Online