Nacional

Em 8 Meses, Empresário Prestou Mais de 30 Depoimentos

Mais célebre delator do país, o bilionário Joesley Batista, um dos donos da JBS, esforçava-se para levar rotina discreta desde que foi autorizado a deixar a prisão, em março deste ano, após passar seis meses no cárcere.

A vida reclusa, como fontes próximas ao empresário classificaram ao Estado seu dia a dia, era, em parte, consequência das limitações impostas pela Justiça. Para responder em liberdade, ele fora proibido de participar da gestão de suas principais empresas e de fazer viagens para o exterior.

A rotina derivava também do receio da reação das pessoas caso voltasse a circular por restaurantes badalados e eventos da alta sociedade de São Paulo – o irmão Wesley chegou a ser hostilizado em uma churrascaria paulistana enquanto almoçava com filhos e neto.

De tornozeleira eletrônica, Joesley passava a maior parte de seu tempo em sua casa, no bairro do Jardim Europa, onde é vizinho dos pais e de Wesley. O empresário evitava aparecer na sede da J&F e da JBS com receio de sua presença ser interpretada como infração às exigências da Justiça. Amiúde, porém, visitava o instituto Germinare, braço social da J&F.

Com a limitação judicial para viagens ao exterior e a necessidade de demonstrar austeridade financeira e de aparentar hábitos mais simples, Joesley colocou à venda seu apartamento em Nova York – que já encontrou comprador -, sua casa no balneário de Angra dos Reis e seu iate, que ainda buscam interessados. Vez ou outra, o empresário refugiava-se em uma de suas fazendas acompanhado da família, segundo uma fonte próxima. Sua mulher, a ex-apresentadora de TV Ticiana Villas Boas, está grávida do segundo filho do casal e do quinto de Joesley, que tem outros três do primeiro casamento.

Delação

O empresário ocupava-se de forma incessante dos processos que resultaram de sua delação. No total, foram mais de cem inquéritos abertos em diversos Estados a partir das informações de sua colaboração premiada. Havia documentos a juntar e depoimentos a prestar. Desde março, quando deixou a prisão, foram ao menos 30 depoimentos, em várias cidades, incluindo Belo Horizonte, Brasília, de acordo com levantamento da defesa.

As obrigações do acordo tomavam tanto seu tempo que Joesley costumava brincar com os delegados que tomavam seu depoimento que havia se tornado “funcionário da Polícia Federal em tempo integral”.

Alijado dos negócios, legou as decisões do conglomerado que tocava ao lado de Wesley a outros integrantes da família. A holding do conglomerado J&F, que era por ele presidida, passou a ser comandada pelo sobrinho José Antônio Batista.

O grupo, que conseguiu promover uma reestruturação financeira após a crise desencadeada pela divulgação da delação dos irmãos, ainda enfrenta dificuldades. Recentemente, entrou em disputa societária com a multinacional Paper Excellence, que havia firmado acordo para comprar a fabricante de celulose Eldorado.

Inesperado

A prisão pegou Joesley e os familiares de surpresa. O empresário se preparava para viajar a Brasília na segunda que vem para prestar depoimento no Supremo Tribunal Federal (STF), passo que considerava importante na defesa da manutenção de seu acordo. Planejava passar o fim de semana debruçado sobre o caso e reunindo documentos. Fazia cálculos sobre os próximos passos, mas mão imaginava ter de retornar oito meses depois à prisão.

Fonte: UOL Notícias

Nacional

Governo Bolsonaro: Quem é Onyx Lorenzoni, Responsável por Coordenar a Relação Rntre a Futura Gestão e o Congresso

Onyx Nomeado ontem como ministro extraordinário para coordenar o governo de transição do presidente eleito e anunciado como futuro ministro-chefe da Casa Civil, o parlamentar de 64 anos acumula uma bagagem de 22 anos de Legislativo, 15 deles na Câmara dos Deputados. O porto-alegrense Onyx foi reeleito neste ano para um quinto mandato com a segunda maior votação do Estado. Seus 183.518 votos foram superados apenas pelo deputado eleito Marcel van Hattem, do Novo, com 349.855 votos. Em 2014, tinha ficado em quinto, com 148.406 votos. O incremento na performance deve-se sobretudo à decisão de aderir à candidatura de Bolsonaro, de quem se tornou coordenador de campanha antes de o DEM definir posição na sucessão presidencial. Depois de ensaiar uma candidatura do deputado Rodrigo Maia (RJ), o partido acabou integrando a coligação de Geraldo Alckmin (PSDB). “Eu tenho uma leitura de que, depois de 30 anos de hegemonia absoluta da esquerda no Brasil, quer através da centro-esquerda, que é o PSDB, quer através da esquerda, que o PT representou e que acabou numa quase tragédia, agora há um movimento de endireitar o Brasil. É um movimento em que a centro-direita chega ao poder. Não tenho nenhuma dúvida de que esta é uma eleição da centro-direita brasileira e não consigo enxergar o DEM não estando, direta ou indiretamente, apoiando Bolsonaro”, afirmou durante a campanha.

Em maio de 2017, Onyx foi um dos políticos citados por um dos diretores da empresa JBS como beneficiário de recursos em caixa 2. Em entrevista à RBS TV, o deputado assumiu ter recebido o dinheiro em 2014, mas afirmou que o valor teria sido inferior aos R$ 200 mil citados e que não tinha como declarar os recursos à Justiça Eleitoral por conta do prazo. Até o momento, não houve abertura de inquérito para investigar o caso. Em junho deste ano, a pedido da PGR (Procuradoria Geral da República), o STF (Supremo Tribunal Federal) arquivou um inquérito que investigava o parlamentar de acusação de caixa 2 na campanha de 2006 feita em delação da Odebrecht.

Atuação em Brasília

Diferentemente do presidente eleito, que chegou à Câmara em 1990 após dois anos como vereador no Rio, Onyx tinha experiência considerável ao chegar a Brasília, em 2003. Ele despontou no cenário nacional em 2005, aos 49 anos, durante as sessões da CPI Mista dos Correios, criada para investigar um escândalo de propina em uma diretoria da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (EBCT). Na primeira fase dos trabalhos, o então presidente nacional do PTB, deputado federal Roberto Jefferson (RJ), denunciou a existência de pagamentos intermediados pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a parlamentares em troca de apoio, o chamado mensalão.

Um dos dois únicos representantes do DEM (então denominado PFL) entre os 16 titulares da CPI, Onyx tornou-se desde o início um dos parlamentares mais ativos da comissão. Costumava ser um dos primeiros a chegar à sala de reuniões, no Senado, munido de chimarrão e garrafa térmica de água quente. Comedido e afável no trato pessoal, transformava-se durante os interrogatórios, ao microfone: a voz elevava-se e as mãos moviam-se em gesticulação frenética, numa atitude de palanque.

Numa época em que Lula ainda gozava de amplo apoio popular, Onyx passou a afirmar diante das câmeras, aos gritos, que o PT, partido do então presidente, havia formado uma “quadrilha” a partir do governo federal para assaltar os cofres públicos. Colegas da oposição viam exagero na atitude, e governistas reagiam com fúria. “Para o senhor (Lorenzoni) me acusar de formação de quadrilha, o senhor apresente provas”, vociferou o ministro-chefe do Núcleo de Estudos Estratégicos do governo, Luiz Gushiken, durante uma das audiências.

Anos depois do fim da CPI, Onyx manteria um curioso hábito testemunhado por quem o encontrava no início do dia. Ao falar ao telefone, costumava interromper a conversa e dizer: “E aí, galera? Bom dia! Vamos trabalhar?”. A quem se surpreendia, explicava que a saudação era dirigida a supostos responsáveis por grampos em seu aparelho. “Desde a CPI dos Correios, sou grampeado 24 horas por dia e seguido”, afirmava.

A CPI dos Correios culminaria, sete anos depois, com a condenação, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), de 25 dos 37 réus do escândalo. Ao concluir os trabalhos, porém, não chegou a inviabilizar o governo Lula, que recompôs sua base de apoio no Congresso, com a inclusão do PMDB, então detentor da maior bancada na Câmara. Em 2006, Lula foi reeleito com 60,83% dos votos, marca ainda hoje não superada em pleitos presidenciais.

Para Onyx, os dividendos políticos foram consideráveis. Depois da divulgação do relatório final da CPI, ele publicou um livro-denúncia, A máfia da estrela, no qual sistematizava os ataques ao PT. Na Câmara, envolveu-se em uma disputa pela liderança da bancada com o ex-colega de CPI, Antonio Carlos Magalhães Neto, hoje prefeito de Salvador. Como líder, teve Bolsonaro entre os companheiros de bancada (o presidente eleito permaneceria por dois anos no DEM). Os dois haviam tido contato em 2003, durante a campanha contra o desarmamento.

A relação com Paulo Afonso Feijó

O lance mais audacioso de Onyx nos anos 2000 ocorreu em seu Estado natal, onde o PFL, aliado ao PSDB, emplacou o vice-governador na chapa da tucana Yeda Crusius, que acabou eleita. Pela primeira vez em mais de 20 anos de existência, o partido que surgira em 1984 de uma dissidência do PDS voltava ao topo do Executivo no Rio Grande do Sul. O eleito era um afilhado político de Onyx.

Ex-presidente da Federação das Associações Comerciais do Rio Grande do Sul (Federasul), Paulo Afonso Feijó era mais do que um empresário seduzido pela política. De família tradicionalmente ligada ao comércio em Porto Alegre, havia sido um dos animadores do Instituto de Estudos Empresariais (IEE), entidade classista dedicada à divulgação do ideário liberal entre o empresariado local. O primeiro encontro de Feijó e Onyx havia ocorrido nos eventos do IEE, na década de 1980. “Conheço Onyx da época em que ele era veterinário. Sempre gostou muito de política, leu muito. Tinha participação destacada em nossas atividades”, relembra Feijó. As dificuldades na aliança PSDB-DEM começaram antes da posse de Yeda. Em entrevista durante a campanha, Feijó defendeu a privatização do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul), considerado por ele um “cabide de empregos”.

Impopular, a tese desagradou ao comando da campanha. A crise agravou-se quando, já no governo, Feijó gravou clandestinamente uma conversa com o então secretário-chefe da Casa Civil, Cézar Busatto (PPS), no qual o colega admitia o uso de estatais como fonte de financiamento ilegal de campanhas políticas. Além de marcar o rompimento definitivo entre Feijó e a governadora, o caso paralisou o governo. Pressionado pela cúpula do DEM (denominação adotada pelo antigo PFL em 2007) a expulsar Feijó, Onyx ficou ao lado do pupilo. Em 2008, concorreu pela segunda vez à prefeitura de Porto Alegre, esperando pelo menos repetir o resultado de 2004, quando ficara em terceiro lugar, com 80.633 votos (9,97%). Acabou colhendo 38.803 votos (4,91%). A amizade com o ex-vice-governador perdurou. Em agosto, durante a Expointer, maior feira agropecuária do país, em Esteio (RS), Feijó organizou um almoço para recepcionar Bolsonaro no Country Club, em Porto Alegre. Compareceram cerca de 200 empresários, além do candidato e de Onyx.

Da atividade sindical para a política

Filho do veterinário Rheno Júlio Lorenzoni e da dona de casa Dalva Lorenzoni, Onyx nasceu em 3 de outubro de 1954. No ano anterior, seu pai havia instalado uma clínica para animais de todos os portes no porão de sua casa, no Menino Deus, bairro de classe média de Porto Alegre. Hoje, o Hospital Veterinário Lorenzoni é mantido por Rodrigo Lorenzoni, filho de Onyx e da terceira geração de veterinários da família. Formado em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Onyx presidiu o sindicato da categoria entre 1984 e 1990. Da atividade sindical, passou à política.

No início, militava no Partido Liberal (PL), pelo qual concorreu a uma vaga de deputado estadual em 1994, numa coligação com o PFL. Obteve uma primeira suplência, mas, quando o veterano pefelista Germano Bonow foi convidado pelo então governador Antonio Britto (PMDB) a comandar a Secretaria Estadual de Saúde, assumiu a vaga. A partir de 1999, Onyx passou a compor a bancada oposicionista ao governo do petista Olívio Dutra. A experiência marcaria sua atividade para sempre. “Cheguei à Câmara em 2003, vindo da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, onde vivenciei como oposição a primeira experiência petista de um governo estadual”, afirmou em discurso na Câmara em fevereiro.

Em 2016, Onyx foi um dos 367 deputados a votar favoravelmente ao relatório que propunha o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Caixa 2

Onyx foi um dos parlamentares mencionados na delação premiada do ex-diretor da Odebrecht Alexandrino Alencar, no âmbito das investigações da Operação Lava Jato, como destinatário de contribuições de campanha em caixa 2. Segundo Alexandrino, Onyx teria recebido R$ 175 mil por meio de doação ilegal. “Eu percebi que, dentro do escopo político, o senhor Onyx Lorenzoni era uma pessoa importante, era um jovem impulsivo, lutador, que precisávamos mantê-lo próximo”, disse Alexandrino. A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu abertura de inquérito para apurar falsidade ideológica eleitoral por parte de Onyx.

Uma perícia apresentada pela defesa do deputado ao Supremo Tribunal Federal (STF) sustentou que a principal prova contra ele – uma planilha na qual era identificado pelo codinome “inimigo” – teria sido fraudada.

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu o arquivamento do inquérito em razão do fato de que “diligências realizadas não foram suficientes para elucidar a materialidade do suposto crime”. A solicitação foi acolhida pelo ministro do STF Luiz Fux em junho deste ano. Em maio de 2017, Onyx foi um dos políticos citados em delação premiada pelo diretor da empresa JBS Ricardo Saud como beneficiário de recursos em caixa 2. De acordo com o executivo, o parlamentar teria recebido R$ 200 mil da empresa em setembro de 2014, por intermédio do presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Antônio Jorge Camardelli, ligado a Onyx por uma amizade de 30 anos.

Em entrevista à RBS TV, o deputado assumiu ter recebido o dinheiro, mas afirmou que o valor teria sido inferior aos R$ 200 mil citados por Saud – na versão de Onyx, foram R$ 100 mil – e argumentou que não teria como declarar a contribuição à Justiça Eleitoral.

A Procuradoria-Geral da República pediu ao STF que a parte da delação premiada da JBS referente a caixa 2 de campanha, incluindo os recursos destinados a Onyx, sejam desmembradas do processo. Não há inquérito aberto sobre o caso. “Entre carregar uma mancha que me macularia pela vida toda, eu resolvi ter uma cicatriz. E a melhor forma é trabalhar com a verdade. Tanto é que eu tenho tatuado aqui (mostra uma citação bíblica no braço direito): ‘João, 8:32, Conhecerás a verdade e a verdade vos libertará'”, disse o deputado durante a campanha eleitoral. A sentença do Novo Testamento costuma ser repetida por Bolsonaro como lema contra a corrupção. Ao lado da frase, Onyx exibe outras duas tatuagens: um brasão do Internacional e uma bandeira do Rio Grande do Sul.

Futuro político

Onyx 2 A vitória de Bolsonaro deu margem a especulações sobre o futuro político de Onyx, como uma eventual (e terceira) candidatura à prefeitura de Porto Alegre em 2020. Apontado como um dos homens fortes do governo Bolsonaro, Onyx chocou-se na última terça-feira (30) com Paulo Guedes, guru econômico do presidente eleito. Na véspera, o deputado havia descartado aceitar a oferta do presidente Michel Temer de aprovar o projeto de reforma da Previdência em tramitação no Congresso, qualificando-o de “remendo”. Questionado sobre a declaração de Onyx, Guedes disse: “É um político falando de coisa de economia. É a mesma coisa que eu sair falando coisa de política. Não dá certo, né?”. Depois de reunião com Bolsonaro, Guedes recuou e concordou que haverá dificuldades políticas para aprovar a reforma este ano.

Fonte: BBC
Nacional

Em Mensagem, Moro se Despede de Juízes e Pede ‘Atuação Independente’

Sérgio Moro se despediu de seus colegas da magistratura federal nesta segunda-feira (5) por meio de uma mensagem via intranet. No texto, pediu aos juízes que “continuem dignificando a Justiça com atuação independente mesmo contra, se for o caso, o Ministério da Justiça”, além de reiterar o “respeito e admiração” pelos companheiros.

Também na segunda, Moro dirigiu um ofício ao corregedor do Tribunal Regional Federal da 4ª região e deixou a Operação Lava Jato. Até a posse do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), quando assumirá o comando do Ministério da Justiça, ele estará de férias.

O novo cargo do magistrado virá junto com a reformulação da Pasta, que ganhará status de “superministério” e englobará o Ministério da Segurança, a Controladoria-Geral da União, uma fatia do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e a Polícia Federal.

Moro também lembrou, na mensagem, do juiz Giovanni Falcone, assassinado pela máfia italiana em 1992, e disse que pretende seguir seus passos. “Lembrei-me do juiz Falcone, muito melhor do que eu, que depois dos sucessos em romper a impunidade da Cosa Nostra, decidiu trocar Palermo por Roma, deixou a toga e assumiu o cargo de Diretor de Assuntos Penais no Ministério da Justiça, onde fez grande diferença mesmo em pouco tempo. Se tiver sorte, poderei fazer algo também importante.”

Ele ainda reiterou que a decisão de abandonar a toga foi “muito difícil, mas ponderada” e que vai trabalhar para “aprimorar o enfrentamento da corrupção e do crime organizado”.

Confira mensagem na íntegra:

Prezados colegas magistrados federais,

A todos que me endereçaram congratulações aqui, meus agradecimentos.

Foi uma decisão muito difícil, mas ponderada.

Em Brasília, trabalharei para principalmente aprimorar o enfrentamento da corrupção e do crime organizado, com respeito à Constituição, às leis e aos direitos fundamentais.

Lembrei-me do juiz Falcone, muito melhor do que eu, que depois dos sucessos em romper a impunidade da Cosa Nostra, decidiu trocar Palermo por Roma, deixou a toga e assumiu o cargo de Diretor de Assuntos Penais no Ministério da Justiça, onde fez grande diferença mesmo em pouco tempo. Se tiver sorte, poderei fazer algo também importante.

Da minha parte, sempre terei orgulho de ter participado da Justiça Federal e os magistrados terão sempre o meu respeito e admiração. Continuem dignificando a Justiça com atuação independente (mesmo contra, se for o caso, o Ministério da Justiça).

Abs a todos,

Sergio Fernando Moro

Fonte: Joven Pan Online

Eleições 2018, Nacional

Tiririca é Eleito para Terceiro Mandato como Deputado Federal por SP

O palhaço Francisco Everardo Oliveira Silva, 53 anos, conhecido como Tiririca (PR-SP), foi eleito deputado federal pela terceira vez. Após ter anunciado que abandonaria a política, em dezembro de 2017, ele desistiu da decisão e conseguiu a segunda reeleição.

Tiririca usou a estratégia que já havia dado certo nas outras eleições e apostou no humor no horário eleitoral, sem apresentar qualquer proposta. Ele imitou a cantora Jojo Todynho, o atacante Neymar e brincou com a Lava Jato. Desde o início, repetiu ter enganado o eleitor ao concorrer mais uma vez após afirmar que abandonaria a política.

Em sua conta no Facebook, Tiririca fez piada para rebater comentários de seguidores que questionaram o uso de brincadeiras no lugar da apresentação de propostas. O deputado respondeu que a campanha foi feita para “pessoas mais inteligentes” e que faria versões mais “fáceis” de entender.

Embora represente São Paulo e não tivesse uma agenda oficial de campanha, Tiririca esteve no Maranhão e outras regiões do país para agenda de shows. Em suas redes sociais, há apenas algumas fotos em que o deputado parece estar nas ruas da capital paulista.

Ao longo de quase oito anos de mandato, Tiririca foi autor de 59 projetos de lei e outras proposições. Do total, 17 foram arquivados e apenas um se transformou em lei: o projeto que instituiu o Programa de Cultura do Trabalhador e criou o vale-cultura.

Em dezembro do ano passado, Tiririca discursou na Câmara e afirmou que abandonaria a vida pública: “Subo nesta tribuna pela primeira vez e pela última vez”, disse o deputado, que fez críticas aos colegas e se mostrou decepcionado com o trabalho do Congresso. “O que eu vi nos sete anos aqui, eu saio totalmente com vergonha”.

Na eleição passada, em 2014, o deputado foi um “puxador de votos” para seu partido. Com mais de um milhão de votos, conseguiu levar com ele outros dois candidatos do PR (Partido da República) para a Câmara por meio do quociente eleitoral.

Esse quociente é determinado da seguinte maneira na Câmara Federal: o número total de votos válidos registrados no estado do candidato é dividido pelo número de cadeiras a que aquele estado tem direito (no caso de Tiririca, que concorre por São Paulo, são 70 cadeiras). Se o candidato não tiver 10% do total que resulta dessa conta, ele não se elege.

Tiririca recebeu para sua campanha R$ 1,2 milhão do fundo especial do diretório nacional do PR, segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Deste montante, gastou R$ 1,1 milhão, sendo que R$ 840 mil (76%) foram investidos em produção de propaganda. O valor foi pago à Fórmula Tecnologia, do deputado Miguel Correa Júnior, envolvida no caso que ficou conhecido como “mensalinho do Twitter”.

Fonte: UOL

Eleições 2018, Nacional

O Brasil na Imprensa Alemã (03/10)

Perspectiva de segundo turno entre Bolsonaro e Haddad na eleição presidencial e avanço da extrema direita brasileira foram temas de jornais e sites alemães na semana que passou.

Der Tagesspiegel – “Jair Bolsonaro: o pistoleiro do Brasil”, 1º/10/2018

Jair Bolsonaro pode se tornar o próximo presidente do Brasil. […] Ele lidera em todas as pesquisas para a primeira votação em 7 de outubro e certamente chegará ao segundo turno. Se ele vencer, isso não seria apenas um ponto de virada para o Brasil, mas, após a eleição de Donald Trump, um novo choque geopolítico.

Jair Bolsonaro combina a raiva, o medo e a insatisfação de muitas pessoas. Eles estão com raiva da classe política corrupta e têm medo do aumento da criminalidade. E sofrem com a miserável situação econômica, com 13 milhões de desempregados e uma taxa de desemprego de 12%. Muitos brasileiros estão cansados.

Até este final de semana, Bolsonaro fez campanha a partir do leito do hospital – através de redes sociais. Como Trump, ele despreza a mídia tradicional e usa o Facebook, Instagram e Twitter para espalhar sua mensagem. O atentado serviu para ele se apresentar ao mesmo tempo como agredido e agressor. Em uma das primeiras fotos tiradas no hospital, ele fez seu gesto favorito: as duas pistolas.

Frankfurter Allgemeine Zeitung – “A desmistificação do mito”, 1º/10/2018

Uma semana antes do primeiro turno no Brasil, cresce uma oposição generalizada ao candidato de direita Jair Bolsonaro, que continua liderando as pesquisas. A investida chega atrasada – e ajuda sobretudo um candidato.

“Ele não”, grita metade do Brasil, referindo-se ao candidato presidencial de extrema-direita Jair Bolsonaro. Neste final de semana, dezenas de milhares tomaram as ruas em várias cidades do país para protestar contra o deputado de 63 anos do Rio de Janeiro, notório por uma série de declarações misóginas, racistas e homofóbicas no passado. As manifestações foram lideradas por mulheres e movimentos de esquerda, mas atraíram manifestantes até o centro do espectro político.

De qualquer forma, a ida de Bolsonaro para o segundo turno dificilmente será abalada. Poucos dias antes da primeira votação, no próximo domingo, o deputado e capitão da reserva, que é aclamado por seus simpatizantes como “mito” e que louva a ditadura militar brasileira como uma época gloriosa, continua a liderar as pesquisas. A desmistificação do “mito” na mídia tradicional e nas redes sociais chegou, portanto, com muito atraso. Seus seguidores fiéis são de um jeito ou de outro resistentes às reportagens da mídia tradicional, cujas revelações eles classificam como fake news ou como uma campanha do establishment, que teme por sua própria sobrevivência política.

Quem sai ganhando com a campanha contra Bolsonaro não é o candidato favorito desse establishment, o conservador Geraldo Alckmin, mas Fernando Haddad, do partido de esquerda PT. Haddad tem, depois de Bolsonaro, as melhores perspectivas de ir para o segundo turno – e, num segundo turno contra Bolsonaro, boas chances de vitória. Haddad é o candidato substituto do antigo presidente Lula da Silva, que não pode concorrer por causa de uma condenação por corrupção e lavagem de dinheiro.

Badische Zeitung – “O Brasil diante de uma volta à direita”, 02/10/2018

Para os candidatos do centro, que também existem na campanha eleitoral brasileira, mal existe espaço em meio à luta de emoções e polêmicas. A ambientalista Marina Silva, com sua prudente proposta de se concentrar em energia sustentável, não recebe o espaço de que precisa para ser levada a sério, seja na mídia nacional, seja na internacional. No momento, a candidata indígena parece não ter chance alguma na luta de homens brancos pela presidência.

Sobre os reais problemas do Brasil, ninguém fala: o país sofre com uma queda econômica. Os grandes projetos Copa do Mundo e Jogos Olímpicos de 2016, adquiridos ainda no governo Lula e planejados por [Dilma] Rousseff, não levaram o país para frente, mas o afundaram numa enorme lama de corrupção. Há alguns anos, o Brasil era visto como a próxima superpotência, mas a queda dos preços do petróleo e os erros estratégicos na Copa do Mundo e nos Jogos Olímpicos anularam o progresso alcançado pelos programas sociais.

Tanto na esfera esportiva quanto financeira, a Copa do Mundo terminou em desastre para o Brasil, culminando no controverso impeachment de Dilma Rousseff pouco mais tarde. Isso foi o começo do que o Brasil vive hoje: o renascimento de uma extrema direita brasileira que, após os dois turnos de 7 e 28 de outubro – e independentemente da vitória ou não de Bolsonaro –, será mais forte do que jamais foi desde a ditadura militar.

Fonte: DW

Nacional, Política

Haddad é Denunciado pelo MP-SP por Corrupção e Lavagem de Dinheiro

Haddad

Prestes a ser destacado pelo PT como candidato do partido à Presidência da República, ex-prefeito de SP é acusado de receber R$ 2,6 milhões em propina.

O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) apresentou, nesta terça-feira (4), uma denúncia contra o candidato a vice-presidente pelo PT, Fernando Haddad. Ex-prefeito da capital paulista, Haddad é acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e quadrilha. Segundo a Promotoria, Fernando Haddad é acusado pelo recebimento de R$ 2,6 milhões em propina da empreiteira UTC Engenharia, supostamente usados no pagamento de uma dívida contraída durante a campanha eleitoral à prefeitura da capital paulista em 2012.

Essa é a segunda vez que o ex-prefeito paulistano é acusado pelo MP. Da primeira vez, ele foi acusado de improbidade administrativa e enriquecimento ilícito no mesmo caso. De acordo com o MP-SP, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto teria pedido ao então presidente da UTC, Ricardo Pessoa, que fizesse o pagamento da dívida da campanha de Haddad com gráficas, em troca de um eventual favorecimento à empreiteira por parte da administração municipal. Já condenados em ações de corrupção na Lava Jato, tanto Vaccari quanto Pessoa, também foram denunciados pelo MP paulista.

Defesa de Fernando Haddad

Em sua defesa, Haddad rejeita a acusação e alega que Pessoa – cuja delação ajuda a sustentar a ação do Ministério Público – está mentindo. De acordo com a assessoria do ex-prefeito petista, as ações do MP são pautadas por um componente eleitoral, já que as acusações estão sendo feitas a poucas semanas das eleições 2018 .

“Surpreende que no período eleitoral, uma narrativa do empresário Ricardo Pessoa, da UTC, sem qualquer prova, fundamente três ações propostas pelo Ministério Público de São Paulo contra o ex-prefeito e candidato a vice-presidente da República”, diz a assessoria de Haddad.

“É notório que o empresário já teve sua delação rejeitada em quase uma dezena de casos e que ele conta suas histórias de acordo com seus interesses”, reitera em nota, divulgada hoje.

Fernando Haddad não é só o candidato a vice-presidente pelo PT. Ele é ainda o provável substituto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cabeça da chapa presidencial do partido, caso o ex-presidente seja irrevogavelmente barrado da disputa eleitoral.

Fonte: IG

Eleições 2018, Nacional, Política

Folha de São Paulo Aponta Fátima Bezerra e Robinson Faria Como Citados em Escândalos

Fátima e Gleisi - Vitorino Junior
Foto: Vitorino Junior

O jornal Folha de São Paulo publica em sua edição impressa e on-line desta segunda feira(06/08), reportagem sobre as eleições 2018 no Rio Grande do Norte. Dos candidatos a governador, dois são mencionados por citações em escândalos: a senadora Fátima Bezerra(PT) e o governador Robinson Faria(PDT). A reportagem, assinada por Joelmir Tavares, analisa o quadro político local.

Aborda cada candidato, suas opiniões(Robinson se recusou ao repórter), as tradições políticas do Rio Grande do Norte e afirma textualmente: Fátima Bezerra – Delação revelou doações ilegais a partidos de sua coligação de campanha(Operação Lava Jato). ” Também afirma: “Empunhando a bandeira “Lula Livre”, a senadora rivaliza com o atual governador, Robinson Faria(PSD), e com Carlos Eduardo(PDT), que é da oligarquia Alves, mas fez carreira independente e já chegou a ficar rompido com parentes.

Adversários dela (Fátima), cobram propostas para o estado e a acusam de fiar sua campanha só na defesa do ex-presidente”. Lembra que Fátima esteve no palanque de Robinson em 2014, quando ambos se elegeram senadora e governador, respectivamente.

A Folha de São Paulo sobre Robinson: “O atual governador que não atendeu aos pedidos de entrevista da Folha, está desgastado pela crise financeira do estado com salários atrasados.” Sobre problemas com a Justiça: “Denunciado no ano passado pela Procuradoria-Geral da República sob suspeita de obstrução de Justiça em uma investigação sobre fraudes na Assembleia Legislativa. “

Robinson e Lula

A Folha de São Paulo também recorda o episódio em que o atual governador teria se recusado a atender o ex-presidente Lula, para que não apoiasse o impeachment da presidente Dilma Rousseff. “Entrou para o anedotário político local o episódio em que o governador se negou a atender uma ligação de Lula quando Dilma estava na mira”.

Fonte: Folha de São Paulo