Música

Banda Poti-Paulista Androyde Sem Par Toca no TECESol

Nesta sexta a banda poti-paulista ANDROYDE SEM PAR realiza o pré lançamento do show “Ruynas” a banda apresenta uma atmosfera de ressurgência.

Tendo na bagagem três engenheiros de som e um ator/performer, a banda traz nesse espetáculo um som cru, instrumental de garagem, acompanhado de um vocalista visceral. Androyde Sem Par é uma declamação poética e de memória.

Sexta (07/12), às 20h no TECESol (Rua Governador Valadares, 4858, Neópolis).

Os ingressos pelo sympla ou na bilheteria do TECESOL, a partir das 18h, ou visitando o site: SYMPLA

Arte, Música

Semana da Música Traz Série de Concertos Gratuitos até Sábado

Três dias de intensa atividade musical, com concertos, palestras, oficinas e recitais gratuitos em Natal. Assim será a Semana da Música 2018, promovida pela Escola de Música da UFRN. Na programação desta quinta e até sábado, destaque para o concerto da Orquestra Sinfônica da UFRN no Teatro Riachuelo, o concerto O Universo da Música de Concerto, o musical Bye, Bye, Natal, o Conexão África e o Retropicando.

Nesta quinta-feira acontece o concerto Rumo a Roma, da Orquestra Sinfônica da UFRN. Será a única apresentação paga, com ingresso a R$ 40 e R$ 20 (meia entrada e clientes Unimed). O público desfrutará não só do conforto do Teatro Riachuelo, mas de um repertório montado para ser apresentado aqui e ao Papa Francisco, no próximo dia 12 de dezembro. Ou seja, este concerto será a avant première da apresentação ao Santo Padre.

Também hoje (22) acontece o Conexão África, na Escola de Música da UFRN. A apresentação contará com execução de instrumentos tradicionais do continente africano. Karamoto Sanogo, nascido de uma família de gritos na Costa do Marfim, e o moçambicano Micas Silambo, além do grupo potiguar Pau e Lata, comandarão o concerto gratuito, a partir das 19h30 no Auditório Onofre Lopes.

Na sexta-feira (23), O Universo da Música de Concerto trará ao Auditório Onofre Lopes, da EMUFRN, professores da Escola juntos ao Grupo de Estudo de Música Antiga (Gema), o grupo Trompete Arte e ainda o Grupo de Improvisação Livre, todos oriundos da EMUFRN e heterogêneos em suas formações, o que promete mesclar a tradição e a modernidade. O concerto acontece às 19h30 e é gratuito.

Sábado (24) é dia de se conectar ao som da tropicália brasileira, mas a partir de uma releitura sonora e irreverente com dez vozes masculinas do Grupo Vocal Acorde, recriando clássicos do Tropicalismo, que marcou a geração de 70 com nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé, Jorge Mautner e outros. O concerto Retropicando também acontece no Auditório Onofre Lopes da EMUFRN, a partir das 19h30, com acesso livre.

Também no sábado acontece a encenação do musical Bye Bye Natal. O espetáculo mergulha no ambiente da cidade do Natal da década de 40 durante a Segunda Guerra Mundial. Tem autoria do dramaturgo Racine Santos e do compositor Danilo Guanais, com direção cênica de Diana Fontes. Alunos da UFRN integram o elenco. O musical acontece em duas sessões, às 17h e 19h, no Mezanino da EMUFRN, com entrada gratuita.

Arte, Música

Sinfônica da UFRN Realiza Concerto Nesta Quinta Antes de Se Apresentar ao Papa

Um feito histórico para o Rio Grande do Norte acontecerá no próximo dia 12 de dezembro. A Orquestra Sinfônica da UFRN e o Madrigal da UFRN se apresentarão para o Papa Francisco, durante a audiência geral do Vaticano. E o público potiguar tem a oportunidade de conferir, já nesta quinta-feira (22), às 20h no Teatro Riachuelo, o mesmo repertório que será apresentado ao Papa. O concerto terá duração de 1h20. O valor de R$ 40 ou (R$ 20 meia entrada e para clientes Unimed) servirá para custear a passagem da Orquestra ao Vaticano, dia 12 de dezembro. A data é simbólica, pois coincide com o Dia de Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira das Américas. “Será a homenagem de uma orquestra sul-americana a um Papa de mesma origem”, frisou o maestro da OSUFRN, André Muniz.

De acordo com o maestro, entre as peças executadas está a estreia de Regina Coeli, do professor Danilo Guanais, escrito especialmente para a audiência papal, que será realizada na Praça de São Pedro. E ainda O Guarani, de Carlos Gomes; Magnificat Aleluia, de Heitor Villa-Lobos; Pinos de Roma, de Ottorino Respigui; e Missa Nordestina, do pernambucano Clóvis Pereira.

Na Itália, a Orquestra ainda se apresentará no Conservatório Licinio Refice, junto a músicos italianos. Essa viagem será mais uma experiência internacional da OSUFRN, que foi a primeira orquestra universitária brasileira a realizar uma turnê na Europa, quando esteve na Alemanha, em 2015. Muitos dos seus 59 integrantes tem se destacado no cenário internacional.

Serviço

Concerto – Orquestra Sinfônica da UFRN rumo à Roma

Onde: Teatro Riachuelo (Shopping Midway Mall)

Quando: nesta quinta-feira (22)

Hora: 20h

Ingresso: R$ 40 (inteira) ou R$ 20 (meia entrada e para clientes Unimed).         

Os ingressos podem ser comprados na bilheteria ou online: AQUI

Festival, Música

MADA 20 Anos – Primeira Noite Foi Um Baile de Diversidade Sonora

A primeira noite da edição de 20 anos do Festival MADA foi um baile de novidades musicais onde couberam vários ritmos e misturas, do pop eletrônico à suingueira indie, passando pela MPB vanguarda, a poesia, o jazz e o pop rock “raiz”. Com mais espaço no gramado e ocupação de diversas áreas da Arena das Dunas, incluindo um terceiro palco e a Feira Mix melhor acomodada nos corredores do podium, o MADA abriu sua festa promovendo uma experiência grande festival. Luminosos espalhados por vários setores do estádio foram um convite às selfies com a galera. Parceiros e patrocinadores do festival capricharam em suas estruturas e ativações.

Sem atrasos, a sexta-feira começou cedo com o show da banda potiguar Demonia, às 18h, e findou as 4 horas da manhã, quando a cantora Pitty convidou ao palco a banda potiguar Far From Alaska para cantar junto. A edição também atraiu o público de outros estados nordestinos, além dos potiguares. Muitos cearenses, pernambucanos, paraibanos balançaram suas bandeiras a cada show. O estudante Valde Cabral, de Fortaleza, destacou a criatividade do line up. “Gosto desse festival porque já é conhecido por ser alternativo, com novos artistas. É minha primeira vez aqui e, com certeza, haverá a segunda, a terceira…”

Quem abriu a noite foi a pernambucana Duda Beat, uma das atrações mais aguardadas pelos ‘novidadeiros’ de plantão. Com a mudança do horário de sua apresentação, o publicou até chegou mais cedo para vê-la. Mistura de pop, eletrônica, reggae e brega pernambucano, Duda encantou com seu balanço com letras que falam de dores de amor. A artista já foi chamada de rainha da sofrência pop. No repertório, músicas como “Bédi Beat” e “Sinto Muito” de seu elogiado u disco de estreia. Mas “Bixinho” fez todo mundo dançar e teve até bis no final. “Eu conheci o MADA em 2007, e na época pensei: ‘ainda vou tocar nesse festival’ e agora consegui. Incentivar os artistas

locais é um diferencial”, comentou Duda, após o show.

Logo em seguida foi a vez de Jade Baraldo. A cantora é de longe, de Santa Catarina, porém encantou a todos com sua estética pop e dançante. “Brasa”, sua música mais conhecida, também teve bis. Além de “Vou Passar” e “Eco”, a jovem apresentou covers de “G.U.Y.”, da Lady Gaga e “I Follow Rivers”, da Lykke Li. Diretamente do Uruguai para o MADA, Alfonsina encantou até quem não a conhecia. A voz delicada, mas forte, seduziu e hipnotizou o público. “Eu só fiquei sabendo quem era a Alfonsina quando foi anunciado no line-up do festival, então me interessei e pesquisei mais sobre. Me apaixonei pelas letras das canções”, enfatizou o estudante Isaac Campos.

Após o rock cabeça, veio o grupo baiano ÀTOOXXÁ e colocou fogo no palco. O pagodão baiano eletrônico presente em músicas como “Blvckbvng”, “Popa da Bunda” e a mais nova “Caixa Postal” fez com que os fãs dançassem as coreografias, até aqueles mais tímidos. Trazendo o rock potiguar no DNA, a banda Far From Alaska voltou como “headliner” e estremeceu a Arena com os riffs pesados e a voz poderosa de Emmily Barreto nas músicas do último CD do grupo, “Unlikely”.

Em seguida, uma catarse de música, poesia e nordestinidade. Cordel do Fogo Encantado assumiu o comando do MADA. Os pernambucanos apresentaram as músicas do último CD, assim como algumas mais antigas, como “Pedrinha” e “Chover”. Na sequência, Nação Zumbi tomou conta. As clássicas “Quando a Maré Encher” e “Um Sonho”, por exemplo, foram cantadas no volume mais alto, de tanta empolgação.

No encerramento, Pitty fez questão de emocionar os fãs – alguns até choraram. Foram muitas músicas consagradas, começando com “Admirável Chip Novo”. Depois vieram “Anacrônico”, “Setevidas”, “I Wanna Be”, “Na Sua Estante, “Teto de Vidro”, entre outras. A cantora também apresentou a nova “Te Conecta”, que tem a vibe e as influências sonoras do dub e reggae. Lá para o meio do show, convidou Emmily Barreto, vocalista da Far From Alaska, para que cantassem juntas a nova música das duas, “Contramão”. No palco, Pitty disse que toca no MADA desde o começo e que a história do festival quase se confunde com a própria trajetória.

Palco Alternativo – Dançante e Intimista

O terceiro palco foi uma grata surpresa nesta edição, com uma plateia animada e regular entre as 18h até 23h. Quem aprecia shows mais intimistas, em que o público interage mais próximo do artista, pôde apreciar a qualidade das bandas escaladas na noite: o quarteto gaúcho Dingo Bells, a banda cearense Rieg, os austríacos Saint Chameleon, além das potiguares Talma & Gadelha e Demonia. Nascido no outro Rio Grande, o gaúcho Felipe Kautz, baixo e voz da banda Dingo Bells, ficou surpreso ao ver o público cantar todas as músicas. “A gente fica muito feliz em saber que nossa música chegou primeiro, muito antes de nós”, disse.

Diretamente da Áustria, o jazz festivo com pitadas de ska de Saint Chameleon botou o público para dançar. A banda surpreendeu os natalenses ao abrir com os refrões de uma música muito conhecida da terrinha: “Aonde está meu outro par da sandália havaiana/Aonde está, meu outro par, meu outro par…” da banda DuSouto.

“Agora fica a expectativa para a segunda noite, aposto que vai ser tão mágica quanto essa. Muito ansiosa para ver Franz Ferdinand ao vivo, bem pertinho”, comemorou a publicitária Letícia Dantas.

O Festival conta com patrocínios do TNT Energy Drink, Itaipava, Coca-Cola, Café Santa Clara, Comjol e Governo do Estado através da Lei Câmara Cascudo de Incentivo à Cultura. Apoio Prefeitura de Natal, Rede InterTv Cabugi, Sunline Turismo, De passaporte.com, Ballantines e FBA – Festivais Brasileiros Associados e Player Oficial Spotify. Promoção Jovem Pan Natal e realização MADA.

Neste sábado (13.10), nos Palcos TNT Energy Drink Stage e Coca-Cola será de diferentes ritmos e encontros. Do rock alternativo, pulsante e dançante do Franz Ferdinand (Escócia) à eletrizante mistura de guitarras baianas e sound system jamaicanos, do grupo Baiana System.

Será a primeira vez do rapper Rincon Sapiência em Natal e da ex-Araketu Larissa Luz com seu trabalho solo. E ainda a fusão de sons latino-americanos de Francisco El Hombre e o rock minimalista do Oto Gris e as misturas modernas dos potiguares Ângela Castro, Alphorria e Luísa e Os Alquimistas. No palco MADA Arena estão apostas talentosas como Potyguara Bardo, Ciro e a Cidade e Ardu, mostrando seus novos trabalhos.

SÁBADO (13 de outubro)

Palco TNT Energy Stage

19h40 – Angela Castro

21h10 – Luísa e Os Alquimistas

22h50 – Rincon Sapiência

00h30 – Franz Ferdinand (UK)

Palco Coca-Cola

19h – Oto Gris

20h20 – Alphorria

22h – Larissa Luz

23h40 – Francisco El Hombre

02h – Baiana System

Palco MADA Arena

19h – Ciro e a Cidade

20h – Ardu

21h – Potiguara Bardo

Cultura, Música

Amanhã, Véspera de Feriado, Tem Grande Encontro do Samba com Jorge Aragão e Péricles

A terça-feira (2 de outubro), véspera de feriado, Natal vai entrar para a história do samba. A capital potiguar vai receber a primeira edição do “Grande Encontro do Samba”, reunindo os mitos Jorge Aragão, Péricles, Preto no Branco e Mesa Doze, no Boulevard da avenida Maria Lacerda, em Nova Parnamirim. A venda de ingressos (individuais, mesas e cadeiras) já começou na Bransk (Midway Mall) e através do http://outgo.com.br/grandeencontrodosamba. Na segunda-feira, dia 24, tem virada de lote no dia 24. Informações no 99842-5942 e através da Telepequisa.

O Grande Encontro do Samba reúne várias gerações do ritmo mais popular e genuinamente brasileiro. Jorge Aragão e Péricles, duas lendas do gênero, terão ao seu lado dois nomes da cena potiguar que representam bem o encontro de gerações, Preto no Branco e Mesa Doze.

A lenda Jorge Aragão, nascido no subúrbio de Padre Miguel, no Rio de Janeiro, Jorge Aragão da Cruz é cantor, sambista e compositor de inúmeros sucessos. Quase todos os grandes intérpretes de samba (Beth Carvalho, Alcione, Zeca Pagodinho, Martinho da Vila) têm suas canções no repertório. Dono de um talento incomum, além de romântico e espirituoso, Jorge é, sem dúvida, uma pessoa fascinante, com plena convicção de sua trajetória terrena e que sabe como poucos retribuir o que recebeu. Com quase 30 anos dedicados inteiramente à MPB, Jorge Aragão continua um trajetória de sucesso, de mente aberta, vanguarda e constante renovação.

Péricles, ícone dos anos 1990, nascido em Santo André (SP), teve o primeiro contato com a música participando de festivais nas dioceses. Apaixonado por samba, fez parte de alguns grupos até que, em 1986, integrou o Exaltasamba, do qual foi um dos fundadores. O cantor e compositor, durante os 26 anos que a banda existiu, lançou 15 CDs, quatro DVDs, teve mais de 15 milhões de discos vendidos, e viajou com seus shows por todo o Brasil. Em maio de 2012, Péricles iniciou sua carreira solo e gravou o CD e DVD Sensações. Em 2013, após o sucesso solo, Péricles lançou seu segundo trabalho, quando fez uma homenagem ao pagode dos anos 90, período em que o artista considera um dos mais produtivos do samba e surgiram grandes nomes do segmento.

Grande Encontro do Samba

Jorge Aragão, Péricles, Preto no Branco e Mesa Doze

Dia 2 de outubro (véspera de feriado)

Local: Boulevard (Maria Lacerda, Nova Parnamirim)

Vendas: Bransk (Midway Mall) e http://outgo.com.br/grandeencontrodosamba

Opções: Individuais, mesas e cadeiras

Informações 99842-5942 e Telepequisa

Cultura, Música

Festival MADA 20 Anos

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O Festival MADA (Música Alimento da Alma), que comemora 20 anos em 2018, deu início nesta terça-feira (7) a seu projeto cultural/social Mada Faz Escola, realizado desde 2016.

A iniciativa levou debate e pocket shows para escolas públicas e privadas do RN. O objetivo é aproximar artistas de novos públicos e ampliar o olhar crítico sobre a música entre os mais jovens. O Mada Faz Escola tem patrocínio da Prefeitura Municipal de Natal, Lei Djalma Maranhão e Arena das Dunas.

A estreia foi na Escola Estadual Imperial Marinheiro, no Bairro Nordeste, com participações de Carcará na Viagem e banda ARDU, além de grupos da própria escola.

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Fotos: Luana Tayze

Cultura, Educação, Música

‘Doutor’ em Iron Maiden: Brasileiro, Professor da UFRN, Leva Análise de Letras de Heavy Metal para Conferência Mundial

Lauro Meller

O que os pesados decibéis do rock e o extremo rigor das pesquisas acadêmicas têm em comum? Mais do que se imagina, apontam mestres e doutores de universidades de vários países que se reúnem todos os anos na Modern Heavy Metal Conference, em Helsinque, Finlândia.

E neste ano, um dos destaques da conferência foi um brasileiro: o pesquisador Lauro Meller, que em uma palestra apresentou Iron Maiden, A Journey Through History (Iron Maiden: uma jornada através da História), livro em que analisa como a lendária banda britânica narra em suas músicas episódios que mudaram o mundo.

Com quase cinco décadas de palco, o Iron Maiden já foi tema de vários livros focados em sua trajetória e na biografia de seus integrantes. O trabalho do paraibano de 44 anos, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, é inédito ao se dedicar à obra da banda, mais especificamente, a 18 canções que, baseadas em fatos ou personagens históricos, proporcionam uma viagem no tempo – da Pré-História à Guerra do Golfo.

“Primeiro, apresento o episódio que inspirou cada canção, como em uma aula de História. Em seguida, comento como a letra retomou tal conteúdo, com maior ou menor distanciamento dos registros históricos, já que os artistas têm liberdade para criar em cima da realidade”, conta Lauro, graduado em Letras e com Pós-Doutorado pelo Institute of Popular Music da Universidade de Liverpool, na Inglaterra.

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O pesquisador, que também é músico, ainda mostra como linhas melódicas, arranjos, técnicas vocais, riffs de guitarra e baixo, entre outros ingredientes, potencializam a mensagem de cada canção.

Na “jornada”, o leitor ora se sente na pele de um faraó no Antigo Egito revoltado ao se descobrir mortal; ora de um nativo da América do Norte massacrado pelo homem branco; ou, ainda, de soldados angustiados em campos de batalha das grandes guerras mundiais, só para citar alguns exemplos.

“As canções do Maiden são portas de entrada para outros conhecimentos”, acredita Meller, que apresentou a versão em inglês do livro para colegas de locais tão distintos quanto Estados Unidos, Inglaterra, Canadá, Japão e Porto Rico, entre outros, em 27 de junho, primeiro dia da conferência.

Fã de Iron Maiden desde a adolescência, em 2005, Meller apresentou, em um evento acadêmico no Paraná, trabalho em que analisava sete canções da banda com temas históricos. O artigo foi publicado, em 2013, na Revista Brasileira de Estudos da Canção. A ideia de escrever o livro, aprofundando as análises já feitas e somando a elas as de outras músicas, veio no final de 2015.

Na ocasião, o Iron Maiden havia lançado seu mais recente álbum, The Book of Souls, com a faixa Empire of the Clouds – narrativa sobre o acidente com o dirigível britânico R101, uma espécie de “Titanic dos céus”, que caiu na França, em 1930, matando as 48 pessoas a bordo.

Instigado pelo fato de a música, de 18 minutos, ser a mais longa já gravada pela banda, Meller decidiu analisá-la, o que acabou originando uma reportagem sobre seu trabalho na BBC News Brasil. “Na época, eu estava escrevendo outro livro, um apanhado de artigos sobre assuntos musicais muito diversos. Um dos capítulos era sobre o Iron Maiden. Com a repercussão da matéria da BBC, suspendi o projeto e aquele capítulo virou o livro todo, o que demandou mais dois anos de trabalho”, relembra.

Ao longo da pesquisa, ao escutar repetidas vezes a discografia da banda, o professor constatou que pelo menos outras vinte músicas são baseadas em obras literárias ou cinematográficas como, por exemplo, O Fantasma da Ópera e O Nome da Rosa, entre várias outras. “Meu próximo livro irá abordar esse eixo temático”, adianta Meller.

Embora tenha sido escrito por um acadêmico, o livro não é nada difícil. “Não é preciso ter conhecimento musical teórico para ler”, pontua Meller. A versão em português estará disponível em breve nos sites da editora Appris e de grandes livrarias. “Para quem quer treinar o inglês, já está disponível a versão internacional”, diz o autor.

Bruce

Finlândia, pátria do heavy metal

A Modern Heavy Metal Conference é o principal evento de pesquisa sobre este gênero musical no mundo. Meller participou do evento pela primeira vez em 2016, apresentando uma análise sociológica de fãs de rock pesado em Natal, no Rio Grande do Norte, onde mora. A ideia de lançar o livro na conferência deste ano foi de seu organizador, o pesquisador finlandês Toni-Matti Karjalainen.

“Este livro sinaliza que o metal está sendo recebido cada vez mais como assunto acadêmico também no Brasil – uma tendência que hoje se observa em todo o mundo”, afirma Karjalainen, doutor em Artes e Design que realiza a conferência há quatro anos na Escola de Negócios da Universidade de Aalto, em Helsinque.

Segundo Meller, vários outros trabalhos chamaram a atenção na conferência deste ano. Entre eles, a pesquisa do norte-americano Edward Banchs, por exemplo, sobre a cena heavy metal na África, e a do porto-riquenho Nelson Varas-Diaz, mostrando como bandas na América do Sul utilizam línguas nativas para tornar mais fortes canções que falam sobre a violência dos colonizadores europeus na região.

Não é à toa que a Finlândia é palco do maior evento de estudos sobre metal do mundo. O rock pesado é levado tão a sério por lá que o Ministério de Relações Exteriores local realizou, em junho deste ano, uma competição para escolher o que chamou de “Capital Mundial do Metal”, a cidade do país com o maior número de bandas do gênero per capita.

A vencedora foi Lemi, perto da fronteira com a Rússia. O município de 3.076 habitantes conta com 13 bandas: 422,6 para cada 100 mil habitantes. A taxa é oito vezes maior que a nacional. A Finlândia tem uma população de 5,5 milhões de pessoas e cerca de 3 mil grupos de metal, o que equivale a 53,2 bandas a cada 100 mil habitantes, mais que qualquer outra nação do mundo.

“A Finlândia é um país supercivilizado, rico e bem organizado, com pessoas em geral muito recatadas, embora não reprimidas. O fato de ser o país do heavy metal não deixa de ser um contraponto a toda esta racionalidade. O rock pesado é uma forma socialmente aceitável de soltar a agressividade”, analisa Meller.

Fonte: BBC