Internacional

Ucrânia Declara Estado de Exceção

Poroshenko

Após a captura de três navios da marinha ucraniana por parte da guarda costeira da Rússia no Mar Negro, perto da Crimeia, o presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, decretou nesta segunda-feira (26) estado de exceção em todo o país. A medida ficará em vigor por 30 dias.

O decreto presidencial não determina obrigatoriamente a mobilização das tropas e ainda precisa do sinal verde do Parlamento. Poroshenko, que assinou a medida após conversar com o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, disse que o estado de exceção não representa a introdução de dificuldades aos direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos.

O secretário do Conselho de Segurança Nacional e Defesa (CSND) da Ucrânia, Alexander Turchinov, propôs o estado de exceção a fim de criar as condições para repelir uma possível “agressão militar” e qualquer ameaça à independência e à integridade territorial por parte do país vizinho.

A medida foi determinada depois de a Rússia ter aberto fogo no domingo contra navios ucranianos em suas águas territoriais perto da Crimeia a fim de obrigá-los a parar. A Ucrânia alega que o ataque aconteceu em águas neutras e quando suas embarcações já navegavam de volta para o porto de Odessa, no Mar Negro.

Depois do incidente, Moscou decidiu fechar o Estreito de Kerch, uma estreita passagem entre a Crimeia e o território continental russo, para impedir o acesso dos navios ucranianos ao Mar de Azov. As autoridades russas confirmaram ter capturados três embarcações do país vizinho “para detê-las”.

Poroshenko exigiu de Moscou a “imediata” libertação dos tripulantes dos três navios apreendidos, que estão sendo interrogados pelas forças de segurança da Rússia.

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Pavlo Klimkin, que tachou a captura dos navios ucranianos de “ato de agressão”, afirmou que seu país “buscará uma solução pacífica para o imbróglio, embora, sem sombra de dúvidas, se reserve ao direito à autodefesa, em virtude do artigo 51 da Carta da ONU”.

A Rússia acusa a Ucrânia de encenar uma provocação para instigar a tensão na região e ameaçar o Ocidente a impor novas sanções contra Moscou. O ministro russo do Exterior, Sergei Lavrov, criticou ainda os planos de Kiev de impor o estado de exceção e pediu aos parceiros ocidentais do país que “acalmem” as autoridades ucranianas.

Reações internacionais

Em reação ao incidente, o secretário-geral da Otan pediu que a Rússia liberte os navios ucranianos e afirmou que não há justificativa para as ações de Moscou. “Estamos acompanhando e monitorando a situação de perto, além de avaliar o que mais podemos fazer para a Rússia entender que essas ações têm consequências”, disse Stoltenberg, após uma reunião com autoridades ucranianas.

O secretário-geral disse ainda que o decreto de estado de exceção não terá um impacto negativo nas eleições presidenciais na Ucrânia, marcadas para o próximo ano.

Tanto a Rússia quanto a Ucrânia solicitaram que o Conselho de Segurança da ONU abordasse nesta segunda-feira com urgência a crise, sob diferentes pontos da agenda do dia. A delegação russa perdeu no início da reunião uma votação de procedimento, por isso a reunião prosseguiu sob o capítulo proposto pela Ucrânia.

Em seu discurso, o embaixador adjunto russo nas Nações Unidas, Dmitry Polyanskiy, acusou Poroshenk de orquestrar a crise no mar de Azov com o objetivo cancelar as eleições previstas para março do ano que vem e se manter no poder. Segundo o diplomata, a declaração do estado de exceção vai nessa direção e tal medida será “certamente estendida”.

Polyanskiy disse que o incidente foi uma “provocação previamente planejada” por Kiev com o apoio de potências ocidentais. Para o embaixador, o objetivo de Poroshenko é “acusar outra vez a Rússia de tudo” e aumentar sua popularidade se apresentando como “salvador” da Ucrânia.

Segundo o diplomata russo, os marinheiros ucranianos feridos pelas forças de seu país receberam atendimento médico e suas vidas não correm perigo. As embarcações estão em portos russos para ser feita uma investigação criminal.

Já a embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, considerou ilegal a captura de navios ucranianos pela Rússia e pediu que Moscou liberte as embarcações e não inviabilize o trânsito marítimo na região.

“Em nome da paz e da segurança internacionais, a Rússia deve imediatamente cessar o seu comportamento ilegal e respeitar os direitos de navegação e as liberdades de todos os estados”, insistiu Haley, sem mencionar a possibilidade de novas sanções contra a Rússia, como pede o governo da Ucrânia.

A Rússia anexou a península da Crimeia em 2014. A tensão no Mar de Azov aumentou desde que Moscou construiu em maio a ponte que liga a península com o território russo, o que fez aumentar as inspeções dos navios ucranianos, algo que Kiev considera um bloqueio de seus portos na região.

Fonte: Deutsche Welle

Internacional, Transporte

Ministro dos Transportes da Alemanha Quer Abrir Mercado Para a Uber Até 2021

Titular da pasta quer facilitar regras para empresas de aplicativos de transporte. Uber nunca deslanchou no país europeu por causa de conflitos com leis locais.

O ministro dos Transportes da Alemanha, Andreas Scheuer, quer abrir o mercado do país europeu para os serviços de compartilhamento de viagens de carros oferecidos por empresas como a Uber até 2021, informou neste sábado (17/11) a revista alemã Focus.

Segundo declarações de Scheuer á revista, serviços oferecidos pela Uber e outras empresas podem ajudar a suprir a demanda por transporte em regiões com pouca oferta de serviços, como áreas rurais.

O ministro dos Transportes também disse que deseja mudar as leis existentes para permitir que esses prestadores de serviço operem normalmente na Alemanha.

“Podemos criar novas possibilidades, especialmente em áreas rurais e para pessoas mais velhas, com serviços de carro e sistemas de compartilhamento”, disse Scheuer, que é membro da conservadora União Social-Cristã (CSU) da Baviera. “Essa é uma oportunidade gigantesca.”

A Uber, empresa avaliada em cerca de 70 bilhões de dólares (260 bilhões de reais), nunca decolou na Alemanha. O modelo de motorista freelancer entrou em conflito com as leis existentes. Atualmente, apenas taxistas licenciados pelas autoridades locais podem aceitar corridas.

“Sou contra proibições e limites. Sou a favor de incentivos”, disse Scheuer à revista. “Não podemos simplesmente excluir um fornecedor de serviços”.

O ministério de Scheuer tem trabalhado na reforma das leis de transporte de passageiros. Não ficou claro se a permissão para o serviço de compartilhamento de viagens é parte do processo de reforma em andamento.

A Uber, que atua em mais de 60 países, enfrentou batalhas legais com motoristas de táxi e autoridades municipais quando fez sua primeira incursão na Alemanha em 2014 – assim como ocorreu em outros países. Seu modelo de negócios de uso de motoristas de táxi não licenciados foi considerado ilegal por um tribunal alemão. A Uber também enfrentou proibições similares em várias outras cidades europeias.

Atualmente, o aplicativo da Uber só oferece viagens com taxistas licenciados em Berlim e Munique. A empresa pretende ter uma presença em todas as grandes cidades alemãs até 2020.

Fonte: Deutsche Welle

Internacional, Meio Ambiente

China Amplia Proibição à Importação de Resíduos Sólidos

A China ampliou a proibição às importações de resíduos sólidos, comunicou nesta segunda-feira (19/11) a mídia estatal chinesa. A medida faz parte de uma campanha do governo chinês para reduzir o “lixo estrangeiro” enviado ao país.

A ação regulatória – que ampliou a proibição de 24 tipos de resíduos sólidos proibidos no ano passado para 32 – entrará em vigor em 31 de dezembro, segundo a agência estatal de notícias Xinhua, que citou quatro departamentos do governo chinês.

Os tipos de produtos banidos nesta nova regulamentação incluem autopeças, hardware, navios, ferragens, aço inoxidável, titânio e madeira. A China começou a rejeitar neste ano vários tipos de resíduos importados, incluindo plásticos e sucata de metal. A medida fez com que outros países tivessem que buscar alternativas para se livrar de seus excessos de resíduos.

A Alemanha, por exemplo, de acordo com a Agência Federal do Meio Ambiente do país, exportava 560 mil toneladas de resíduos plásticos por ano para a China – o equivalente a 9,5% do lixo plástico produzido no país europeu. Além disso, a proibição inicial causou problemas em todo o mundo, uma vez que os recicladores perderam seu principal mercado de resíduos.

Desde 1992, aproximadamente 72% dos resíduos plásticos do mundo acabaram na China e em Hong Kong, de acordo com um estudo publicado na revista científica Science Advances. A China comprou mais da metade da sucata exportada pelos EUA no ano passado – mas essa proporção vem caindo com as medidas regulatórias estabelecidas por Pequim, que reduziu os tipos de resíduos que as empresas chinesas podem comprar.

A China argumentou que as mudanças fazem parte de esforço no sentido de proteger o meio ambiente. Pequim afirmou que a China não quer ser mais a lata de lixo do mundo.

Igualmente prejudicial para as empresas de reciclagem têm sido as políticas mais rigorosas sobre a qualidade dos resíduos que a China permitirá que cruzem as suas fronteiras. Para produtos como papelão e metal, o país estabeleceu um nível de contaminação de 0,5% no ano passado – um limite extremamente baixo, que forçou os EUA e outros recicladores a mudar a tecnologia e as técnicas de classificação para atender aos novos padrões.

As exportações globais de plástico para a China devem cair de 7,4 milhões de toneladas em 2016 para 1,5 milhão de toneladas em 2018, enquanto as exportações de papel devem cair quase 25%, segundo uma pesquisa.

A China começou a usar o lixo como fonte de matérias-primas na década de 1980 e foi durante anos o maior importador do mundo, embora seu manuseio de resíduos não estivesse bem desenvolvido. Algumas empresas importaram lixo ilegalmente apenas pelo lucro, o que representava uma ameaça ao meio ambiente e à saúde, segundo a agência Xinhua.

Fonte: Deutsche Welle

História, Internacional

Carta Recém-Descoberta de Einstein Mostra Preocupação com Nazistas Muito Antes de Eles Tomarem o Poder

Uma década antes de Adolf Hitler comandar a Alemanha, o famoso físico Albert Einstein já pressentia o perigo iminente para seu país e seu próprio bem estar, segundo uma carta recém-descoberta de um dos maiores pensadores do século passado.

Como reportado pela Associated Press, a carta previamente desconhecida foi recentemente apresentada por um colecionador anônimo. A carta escrita à mão, com data de 12 de agosto de 1922 e assinada por Albert Einstein, era direcionada à sua irmã Maja. Na próxima semana, a carta será leiloada pela Kedem Auction House, e espera-se que ela tenha um valor inicial entre US% 15 mil e US$ 20 mil.

O documento é interessante tanto pelo conteúdo como pelo momento em que foi escrita. Eistein escreveu a carta após deixar Berlim temendo por sua própria segurança. O ministro das relações exteriores da época, Walter Rathenau, que era judeu, tinha acabado de ser assassinado por três alemães anti-semitas. Após o crime, a polícia alertou Einstein de que sua vida estava em perigo, recomendou que ele parasse de dar aulas e que ele deixasse Berlim. O físico aceitou os conselhos e se mudou para o norte da cidade, possivelmente Kiel, onde ele deve ter escrito esta carta, segundo o comunicado da casa de leilões Kedem.

Carta de Einstein para sua irmã, Maja, datada de 12 de agosto de 1922

“Ninguém sabe onde estou”, escreveu ele para a irmã, “e acredito que as pessoas achem que estou desaparecido.” Como a carta deixa claro, Einstein estava preocupado com o sentimento anti-semita na Alemanha e as incertezas quanto ao futuro do país.

“Estou bem, apesar do anti-semitismo dos meus colegas alemães”, escreveu. “Estou muito recluso aqui, sem barulho e sem sentimentos desagradáveis, e estou recebendo meu dinheiro independente do Estado, então sou um homem livre.”

Einstein escreveu a carta quatro anos após a Alemanha ter sido derrotada na Primeira Guerra Mundial. O país estava uma bagunça, com diferentes facções políticas disputando o poder. Neste cenário, surgiu um militar de direita, atribuindo a culpa da derrota de 1918 a generais traidores, que foram influenciados pelo bolchevismo (o comunismo russo) e os judeus. Em 1923, um ano após Einstein ter escrito a carta, Adolf Hitler encenou sua tentativa de golpe em Munique. Hitler foi preso após mais de mil nazistas não terem conseguido tomar o poder e ele recebeu uma pena de cinco anos de reclusão por traição. No fim das contas, ele ficou apenas nove meses, e o incidente serviu para que as pessoas conhecessem o militar nacionalmente. Em 1933, o ex-soldado tomou o poder, transformando o estado em um regime fascista e anti-semita.

Um ano antes da primeira tentativa, no entanto, Einstein já temia pelo futuro de seu país. “Aqui estão se desenvolvendo tempos politicamente e economicamente obscuros”, escreveu, “então estou feliz de poder ficar longe de tudo por seis meses.”

Einstein, que sempre teve uma posição política mais alinhada à esquerda e visões de governo globalistas, disse à sua irmã que ele não estava interessado em dar aulas fora do país, mas disse que ele “teria de se juntar” a uma comissão da Liga das Nações (versão embrionária da ONU), o que “naturalmente perturba as pessoas daqui”, escreveu adicionando que “não há nada que eu possa fazer, se eu não quiser for infiel aos meus ideais.”

Reconhecendo sua crescente importância como figura pública, Einstein escreveu que ele estava “para se tornar uma espécie de pregador itinerante”, algo que ele considerava “agradável” e “necessário”. Apesar de sua previsão sombria, ele fez o que podia para acalmar a preocupação de sua irmã.

“Não se preocupe comigo”, escreveu, “eu mesmo não me preocupo, mesmo que não seja kosher [que isso esteja de acordo com as leis judaicas]; as pessoas estão perturbadas”. A carta continua: “Na Itália, parece que está menos pior, a propósito.” De fato, a situação na Itália — o país em que nasceu o fascismo — também não estava das melhores.

Em 1922, Einstein deu uma série de aulas do Japão, e teve uma longa jornada viajando pelo continente asiático. Neste período, ele foi notificado que tinha ganhado o prêmio Nobel de Física.

Após 11 anos, com os nazistas no poder, a introdução de leis repressivas resultou na remoção de judeus de cargos públicos, incluindo professores universitários. Estas leis também afetaram Einstein, com os nazistas negando a teoria da relatividade, chamando-a de “Física de judeu”. Foi o ódio irracional contra judeus e a luta contra tudo que remetia à religião que provavelmente desencorajou o Terceiro Reich de lançar um programa na escala do Projeto Manhattan [programa liderado para os EUA para desenvolver bombas atômicas]. Em vez disso, preferiram criar “super armas” como mísseis balísticos de longo alcance e aviões a jato, segundo a Atomic Heritage Foundation (organização que preserva a memória do Projeto Manhattan), que nota que embora os nazistas tivesse um programa para fazer a bomba, muitos historiadores achavam que era um esforço relapso e com pouco apoio político.

Quando Hitler ascendeu ao poder, Einstein estava em uma de suas turnês fora do país dando aula. Ele sabiamente decidiu que não voltaria mais para a Alemanha, inclusive renunciado à sua cidadania e eventualmente se mudando para os Estados Unidos. Ele aceitou uma posição no Instituto de Estudos Avançados de Princeton, onde ele trabalhou até morrer em 1955.

Internacional

Merkel e Macron Lembram Fim da Primeira Guerra Mundial

No local onde foi assinado o armistício, há cem anos, líderes inauguram placas comemorativas e destacam importância da amizade entre Alemanha e França para paz na Europa e no mundo.

O presidente da França, Emmanuel Macron, e a chanceler federal alemã, Angela Merkel, protagonizaram neste sábado (10/11) um encontro histórico em Compiègne, ao norte de Paris, no mesmo lugar onde, cem anos atrás, a Alemanha e as potências aliadas assinaram o armistício que encerrou a Primeira Guerra Mundial.

Esta é a primeira vez que os líderes máximos dos dois países visitam juntos o local que serviu de cenário também, duas décadas depois, para a capitulação da França ocupada diante da Alemanha nazista de Adolf Hitler.

No memorial, localizado na chamada clareira de Rhetondes, existe desde os anos 1920 uma grande placa de granito com as inscrições, em francês: “Aqui, em 11 de novembro de 1918, sucumbiu o orgulho criminoso do Império Alemão, derrotado pelos povos livres que ele pretendia escravizar”.

Os dois líderes inauguraram duas novas placas comemorativas no memorial, com textos em alemão e francês destacando a importância da reconciliação franco-alemã para a Europa e para a paz, cem anos depois do fim da Primeira Guerra Mundial.

Após serem recebidos pela Brigada Franco-Alemã, criada em 1989, Macron e Merkel fizeram um minuto de silêncio pelas vítimas da guerra e se dirigiram ao Vagão do Armistício, uma cópia do vagão-restaurante reformado onde as delegações aliada e alemã assinaram o cessar-fogo, em 11 de novembro de 1918. No interior do veículo, eles assinaram o livro de ouro do memorial.

Assessores do presidente francês disseram que a visita conjunta dos dois líderes tem um grande caráter simbólico, pois, depois dela, Compiègne deve deixar de ser visto como um local de revanche e passar a ser o local da reconciliação definitiva entre Alemanha e França.

Após a cerimônia, Merkel e Macron conversaram com vários jovens que participavam do evento, a quem o presidente francês lembrou que as mais de sete décadas de paz na Europa só foram possíveis pelos esforços dos países do continente, especialmente França e Alemanha.

“A mensagem é que, se queremos estar à altura daqueles jovens que morreram, não devemos ceder às tentações da divisão e enfrentar os desafios do mundo contemporâneo juntos e não uns contra os outros”, acrescentou.

Uma cerimônia agendada para este domingo no Arco do Triunfo em Paris, com a participação de 72 chefes de Estado e de governo, marca o ponto culminante das celebrações do centenário do fim de um conflito que causou a morte de quase 9 milhões de soldados e mais de 6 milhões de civis.

Fonte: Deutsch Welle

Internacional, Política

Contra a Esquerda, Polarização e Ataques à Democracia: Política na Polônia se Parece com a do Brasil

polonia

Apesar dos mais de 10 mil quilômetros de distância e das muitas diferenças que separam brasileiros e poloneses, as duas sociedades vivem debates políticos parecidos: rejeição à esquerda, discussão sobre livre mercado, renovação política, separação de religião e Estado e acolhimento a imigrantes são alguns exemplos.

Com 38 milhões de habitantes, a Polônia anunciou na última semana o resultado das eleições regionais, que consagraram a expansão do polêmico Lei e Justiça (PiS, na sigla em polonês), partido conservador de direita. No governo desde 2015, a agremiação tem grande apelo popular, mas é alvo de críticas por parte da União Europeia e de observadores internacionais, que apontam algumas medidas antidemocráticas do governo.

À diferença do Brasil, porém, na Polônia discursos extremos são menos bem recebidos.  “Na Europa, Bolsonaro seria chamado de neonazista, dados seu histórico militar e sua declarações homofóbicas e de apologia da tortura”, diz Monika Sawicka, do Instituto de Estudos Americanos da Universidade Jaguelônica, em Cracóvia, na Polônia.

O que se passa na Polônia

A Polônia é uma democracia desde 1989, quando começaram as eleições livres. A abertura política ocorreu depois de 40 anos de comunismo e repressão política e foi seguida de um crescimento de modelos políticos e sociais conservadores, com aumento do peso da igreja católica.

Um dos resultados dessa transição é o nascimento da chamada “cidadania religiosa”: a valorização do “bom e devoto cristão católico”, diz a brasileira Thaís Wenczenovicz, pós-doutora em Ciências Humanas pela Universidade de Varsóvia, na Polônia.

Com o Plano Balcerowicz, a transição para a democracia foi brusca, e os anos 1990 foram muito difíceis para uma população que não estava preparada para o mercado livre e suas regras.

“O governo optou pela terapia de choque em 1989, e a sociedade teve que aprender a se virar sem apoio do Estado. Vieram problemas graves de desemprego e desvalorização da moeda, e houve novas mudanças radicais com a entrada na União Europeia em 2004”, conta Monika. Com mais de 20 anos de crescimento econômico ininterrupto, hoje a Polônia tem uma taxa de desemprego inferior 4%.

Onda conservadora na Polônia e na Europa

A Polônia não só vive os efeitos de uma onda conservadora que impacta diversos países, dos Estados Unidos ao Brasil, como foi uma das primeiras nações a iniciar o movimento. “Desde a chamada crise dos refugiados, partidos de direita conquistaram espaço em quase todas as eleições na Europa e, em alguns países, chegaram ao governo”, avalia Thais.

O PiS, fundado em 2001, tem maioria nas duas câmaras do Parlamento do país. Suas pautas conservadoras e céticas em relação à Europa têm acompanhado um crescimento econômico estável e baixas taxas de desemprego nos últimos anos. Nas eleições regionais do começo de outubro, o PiS estendeu seu alcance à maioria das assembleias locais, garantindo 245 de 552 assentos, mas perdeu na maior parte das grandes cidades. O regime é parlamentarista e o presidente, Andrzej Duda, segue a linha do partido.

Um dos atuais pontos de conflito são as políticas duras anti-imigração — o governo se recusa a receber refugiados da guerra na Síria e migrantes de outras partes da Ásia e da África. A medida  tem respaldo de grande parte da população , mas há anos causa críticas da União Europeia, que também acusa o PiS de atentar contra a democracia.

O governo polonês tem forçado alguns membros da Suprema Corte de Justiça a se aposentar neste ano. Em setembro, a  Comissão Europeia processou o país , alegando que a medida é uma tentativa de elevar o controle sobre o sistema judiciário. O partido também votou a favor de  endurecer as leis contra o aborto  — a Polônia já tem uma das legislações mais restritivas sobre a questão entre os países da região.

Em ambos lados do oceano, sistemas democráticos ainda em estágio de ‘maturação’ têm fragilidades semelhantes. “Assim como no Brasil, a democracia ainda não está totalmente consolidada. Isso se reflete em reformas que podem ser anticonstitucionais”, diz Monika.

O jeitinho polonês

Outra similaridade entre Brasil e a Polônia é a ‘flexibilidade legal’. “Na Polônia, nós aceitamos um pouco de caos nas nossas vidas. Assim como no Brasil existe o ‘jeitinho brasileiro’, na Polônia temos o conceito de ‘kombinowat'”, explica. O verbo, ela explica, significa algo como “esquivar da lei” – agir de forma não necessariamente ilegal. A importância da religião também une as duas nações. “Como o Brasil é uma ex-colônia portuguesa, tem muita influência católica. Mesmo que hoje esteja em declínio, certos valores são fortes”, defende.

Polarização dificulta avanços

Outro ponto em comum é a forte polarização das opiniões nas duas sociedades – que, para Monika, trará efeitos mesmo após as eleições. Segundo a pesquisadora, sociedades fraturadas têm dificuldade para avançar com reformas. “Falo em reforma eleitoral, reforma política que exija mais disciplina partidária, manutenção da lei da ficha limpa e maior investimento na educação”, diz.

“Mas a conversa nem se concentra nisso, fica restrita à corrupção”, diz. Apesar dos desafios, a pesquisadora vê “energia” na sociedade brasileira. “Nos países bálticos, há uma desconfiança muito grande nas instituições e uma vontade de se distanciar delas, então falta movimento cívico. Já no Brasil, tanto a esquerda quanto a direita estão mais mobilizadas”, diz.

Ela cita como exemplo os frequentes protestos nas ruas brasileiras vistos nos últimos anos. “Quando há mudanças grandes na Polônia, o número de protestos é muito baixo”, diz.

Brasilianista diz que certas coisas ditas por Bolsonaro não seriam aceitas na Polônia

Para Monika, discursos como os promovidos pelo presidente eleito Jair Bolsonaro durante a campanha seriam menos bem vistos na Polônia. “Na Polônia e na Europa, os tipos de coisa que ele fala não seriam aceitáveis”, avalia.

Para ela, o apoio ao novo presidente é resultado da desilusão política, em especial após a operação Lava Jato. “Esses eleitores simplesmente não querem votar no PT. Querem uma alternativa”, disse.

Internacional

Japão Confirma 1º caso de Meteorito a Atingir Prédio em 15 anos

Cientistas japoneses confirmaram o primeiro caso de um meteorito que atingiu um edifício no país asiático nos últimos 15 anos, anunciou o Museu Nacional de Ciências Naturais do Japão.

Trata-se de uma rocha do tamanho de uma mão e de aproximadamente 550 gramas, que foi batizada como “Meteorito de Komaki” em alusão à cidade do centro de Japão onde foi encontrado por um morador depois que o objeto atingiu o telhado de sua casa.

O meteorito caiu em Komaki em 26 de setembro e, desde então, foi analisado por cientistas do citado museu nacional para determinar sua origem e sua composição, conforme publicou nesta terça-feira o jornal japonês “Asahi”.

Os especialistas confirmaram que a rocha procede do espaço e que tem idade estimada em 4,6 bilhões de anos, similar à origem do sistema solar.

O último caso de um meteorito que caiu sobre um edifício no Japão aconteceu em 2003 em Hiroshima, no oeste do país. Até o momento, caíram no total 52 meteoritos no arquipélago japonês que foram reconhecidos pela Meteoritical Society, a organização internacional de referência na matéria.

O Meteorito de Komaki será agora enviado a essa organização com sede nos Estados Unidos para que seja incluído no registro global de corpos celestes que caíram na Terra.

Fonte: UOL