Internacional

Merkel e Macron Lembram Fim da Primeira Guerra Mundial

No local onde foi assinado o armistício, há cem anos, líderes inauguram placas comemorativas e destacam importância da amizade entre Alemanha e França para paz na Europa e no mundo.

O presidente da França, Emmanuel Macron, e a chanceler federal alemã, Angela Merkel, protagonizaram neste sábado (10/11) um encontro histórico em Compiègne, ao norte de Paris, no mesmo lugar onde, cem anos atrás, a Alemanha e as potências aliadas assinaram o armistício que encerrou a Primeira Guerra Mundial.

Esta é a primeira vez que os líderes máximos dos dois países visitam juntos o local que serviu de cenário também, duas décadas depois, para a capitulação da França ocupada diante da Alemanha nazista de Adolf Hitler.

No memorial, localizado na chamada clareira de Rhetondes, existe desde os anos 1920 uma grande placa de granito com as inscrições, em francês: “Aqui, em 11 de novembro de 1918, sucumbiu o orgulho criminoso do Império Alemão, derrotado pelos povos livres que ele pretendia escravizar”.

Os dois líderes inauguraram duas novas placas comemorativas no memorial, com textos em alemão e francês destacando a importância da reconciliação franco-alemã para a Europa e para a paz, cem anos depois do fim da Primeira Guerra Mundial.

Após serem recebidos pela Brigada Franco-Alemã, criada em 1989, Macron e Merkel fizeram um minuto de silêncio pelas vítimas da guerra e se dirigiram ao Vagão do Armistício, uma cópia do vagão-restaurante reformado onde as delegações aliada e alemã assinaram o cessar-fogo, em 11 de novembro de 1918. No interior do veículo, eles assinaram o livro de ouro do memorial.

Assessores do presidente francês disseram que a visita conjunta dos dois líderes tem um grande caráter simbólico, pois, depois dela, Compiègne deve deixar de ser visto como um local de revanche e passar a ser o local da reconciliação definitiva entre Alemanha e França.

Após a cerimônia, Merkel e Macron conversaram com vários jovens que participavam do evento, a quem o presidente francês lembrou que as mais de sete décadas de paz na Europa só foram possíveis pelos esforços dos países do continente, especialmente França e Alemanha.

“A mensagem é que, se queremos estar à altura daqueles jovens que morreram, não devemos ceder às tentações da divisão e enfrentar os desafios do mundo contemporâneo juntos e não uns contra os outros”, acrescentou.

Uma cerimônia agendada para este domingo no Arco do Triunfo em Paris, com a participação de 72 chefes de Estado e de governo, marca o ponto culminante das celebrações do centenário do fim de um conflito que causou a morte de quase 9 milhões de soldados e mais de 6 milhões de civis.

Fonte: Deutsch Welle

Internacional, Política

Contra a Esquerda, Polarização e Ataques à Democracia: Política na Polônia se Parece com a do Brasil

polonia

Apesar dos mais de 10 mil quilômetros de distância e das muitas diferenças que separam brasileiros e poloneses, as duas sociedades vivem debates políticos parecidos: rejeição à esquerda, discussão sobre livre mercado, renovação política, separação de religião e Estado e acolhimento a imigrantes são alguns exemplos.

Com 38 milhões de habitantes, a Polônia anunciou na última semana o resultado das eleições regionais, que consagraram a expansão do polêmico Lei e Justiça (PiS, na sigla em polonês), partido conservador de direita. No governo desde 2015, a agremiação tem grande apelo popular, mas é alvo de críticas por parte da União Europeia e de observadores internacionais, que apontam algumas medidas antidemocráticas do governo.

À diferença do Brasil, porém, na Polônia discursos extremos são menos bem recebidos.  “Na Europa, Bolsonaro seria chamado de neonazista, dados seu histórico militar e sua declarações homofóbicas e de apologia da tortura”, diz Monika Sawicka, do Instituto de Estudos Americanos da Universidade Jaguelônica, em Cracóvia, na Polônia.

O que se passa na Polônia

A Polônia é uma democracia desde 1989, quando começaram as eleições livres. A abertura política ocorreu depois de 40 anos de comunismo e repressão política e foi seguida de um crescimento de modelos políticos e sociais conservadores, com aumento do peso da igreja católica.

Um dos resultados dessa transição é o nascimento da chamada “cidadania religiosa”: a valorização do “bom e devoto cristão católico”, diz a brasileira Thaís Wenczenovicz, pós-doutora em Ciências Humanas pela Universidade de Varsóvia, na Polônia.

Com o Plano Balcerowicz, a transição para a democracia foi brusca, e os anos 1990 foram muito difíceis para uma população que não estava preparada para o mercado livre e suas regras.

“O governo optou pela terapia de choque em 1989, e a sociedade teve que aprender a se virar sem apoio do Estado. Vieram problemas graves de desemprego e desvalorização da moeda, e houve novas mudanças radicais com a entrada na União Europeia em 2004”, conta Monika. Com mais de 20 anos de crescimento econômico ininterrupto, hoje a Polônia tem uma taxa de desemprego inferior 4%.

Onda conservadora na Polônia e na Europa

A Polônia não só vive os efeitos de uma onda conservadora que impacta diversos países, dos Estados Unidos ao Brasil, como foi uma das primeiras nações a iniciar o movimento. “Desde a chamada crise dos refugiados, partidos de direita conquistaram espaço em quase todas as eleições na Europa e, em alguns países, chegaram ao governo”, avalia Thais.

O PiS, fundado em 2001, tem maioria nas duas câmaras do Parlamento do país. Suas pautas conservadoras e céticas em relação à Europa têm acompanhado um crescimento econômico estável e baixas taxas de desemprego nos últimos anos. Nas eleições regionais do começo de outubro, o PiS estendeu seu alcance à maioria das assembleias locais, garantindo 245 de 552 assentos, mas perdeu na maior parte das grandes cidades. O regime é parlamentarista e o presidente, Andrzej Duda, segue a linha do partido.

Um dos atuais pontos de conflito são as políticas duras anti-imigração — o governo se recusa a receber refugiados da guerra na Síria e migrantes de outras partes da Ásia e da África. A medida  tem respaldo de grande parte da população , mas há anos causa críticas da União Europeia, que também acusa o PiS de atentar contra a democracia.

O governo polonês tem forçado alguns membros da Suprema Corte de Justiça a se aposentar neste ano. Em setembro, a  Comissão Europeia processou o país , alegando que a medida é uma tentativa de elevar o controle sobre o sistema judiciário. O partido também votou a favor de  endurecer as leis contra o aborto  — a Polônia já tem uma das legislações mais restritivas sobre a questão entre os países da região.

Em ambos lados do oceano, sistemas democráticos ainda em estágio de ‘maturação’ têm fragilidades semelhantes. “Assim como no Brasil, a democracia ainda não está totalmente consolidada. Isso se reflete em reformas que podem ser anticonstitucionais”, diz Monika.

O jeitinho polonês

Outra similaridade entre Brasil e a Polônia é a ‘flexibilidade legal’. “Na Polônia, nós aceitamos um pouco de caos nas nossas vidas. Assim como no Brasil existe o ‘jeitinho brasileiro’, na Polônia temos o conceito de ‘kombinowat'”, explica. O verbo, ela explica, significa algo como “esquivar da lei” – agir de forma não necessariamente ilegal. A importância da religião também une as duas nações. “Como o Brasil é uma ex-colônia portuguesa, tem muita influência católica. Mesmo que hoje esteja em declínio, certos valores são fortes”, defende.

Polarização dificulta avanços

Outro ponto em comum é a forte polarização das opiniões nas duas sociedades – que, para Monika, trará efeitos mesmo após as eleições. Segundo a pesquisadora, sociedades fraturadas têm dificuldade para avançar com reformas. “Falo em reforma eleitoral, reforma política que exija mais disciplina partidária, manutenção da lei da ficha limpa e maior investimento na educação”, diz.

“Mas a conversa nem se concentra nisso, fica restrita à corrupção”, diz. Apesar dos desafios, a pesquisadora vê “energia” na sociedade brasileira. “Nos países bálticos, há uma desconfiança muito grande nas instituições e uma vontade de se distanciar delas, então falta movimento cívico. Já no Brasil, tanto a esquerda quanto a direita estão mais mobilizadas”, diz.

Ela cita como exemplo os frequentes protestos nas ruas brasileiras vistos nos últimos anos. “Quando há mudanças grandes na Polônia, o número de protestos é muito baixo”, diz.

Brasilianista diz que certas coisas ditas por Bolsonaro não seriam aceitas na Polônia

Para Monika, discursos como os promovidos pelo presidente eleito Jair Bolsonaro durante a campanha seriam menos bem vistos na Polônia. “Na Polônia e na Europa, os tipos de coisa que ele fala não seriam aceitáveis”, avalia.

Para ela, o apoio ao novo presidente é resultado da desilusão política, em especial após a operação Lava Jato. “Esses eleitores simplesmente não querem votar no PT. Querem uma alternativa”, disse.

Internacional

Japão Confirma 1º caso de Meteorito a Atingir Prédio em 15 anos

Cientistas japoneses confirmaram o primeiro caso de um meteorito que atingiu um edifício no país asiático nos últimos 15 anos, anunciou o Museu Nacional de Ciências Naturais do Japão.

Trata-se de uma rocha do tamanho de uma mão e de aproximadamente 550 gramas, que foi batizada como “Meteorito de Komaki” em alusão à cidade do centro de Japão onde foi encontrado por um morador depois que o objeto atingiu o telhado de sua casa.

O meteorito caiu em Komaki em 26 de setembro e, desde então, foi analisado por cientistas do citado museu nacional para determinar sua origem e sua composição, conforme publicou nesta terça-feira o jornal japonês “Asahi”.

Os especialistas confirmaram que a rocha procede do espaço e que tem idade estimada em 4,6 bilhões de anos, similar à origem do sistema solar.

O último caso de um meteorito que caiu sobre um edifício no Japão aconteceu em 2003 em Hiroshima, no oeste do país. Até o momento, caíram no total 52 meteoritos no arquipélago japonês que foram reconhecidos pela Meteoritical Society, a organização internacional de referência na matéria.

O Meteorito de Komaki será agora enviado a essa organização com sede nos Estados Unidos para que seja incluído no registro global de corpos celestes que caíram na Terra.

Fonte: UOL

Educação, Internacional

As Lições para a Educação do País em que Pedreiros Estudam por Até 4 anos e Ganham Salários de R$ 20 mil

 

Ensino

Adriane Gischig foi à Suíça há 18 anos, levada pela paixão. No Brasil, ela cursava o quinto semestre da faculdade de Direito e planejava transferir os estudos para a Universidade de Basileia para ficar próxima do namorado. Os créditos já cursados, porém, não foram reconhecidos e a paulista se viu em uma encruzilhada: recomeçar a faculdade do zero ou buscar uma nova carreira. Precisando conquistar sua independência financeira logo, ela optou por fazer a chamada “formação de aprendizagem”, mais curta, com três anos de duração, e entrar no mercado de trabalho.

Entre aulas de alemão, tubos de ensaio e microscópios, ela se reinventou como assistente de laboratório. O treinamento vocacional exigiu que ela trabalhasse e estudasse ao mesmo tempo, sob a tutela do sistema educacional público e do empregador, uma multinacional farmacêutica.

Durante a formação, recebia um salário mensal de cerca de mil francos suíços (o equivalente a R$ 4,3 mil). Ao concluir, foi efetivada com ganhos na faixa de cinco mil francos suíços (R$ 21,5 mil). “Aqui na Suíça, se você fizer um curso técnico e se empregar, você ganha muito bem em comparação com o Brasil. Não precisa ser pós-graduado ou ter mestrado para viver com conforto”, diz.

A casa com jardim, o carro e a possibilidade de viajar nas férias com os dois filhos são fatores de qualidade de vida que ela conquistou inicialmente com a formação de aprendizagem e depois com aperfeiçoamento.

Após trabalhar como assistente de laboratório por mais de três anos, Adriane decidiu fazer um novo estudo. Com mais quatro anos e meio de dedicação, ela conseguiu se formar na Escola Superior de Administração. Ao longo desse tempo, avançou na empresa, passando a agente de compras até chegar no departamento de finanças, onde já está há seis anos.

“Os suíços não têm preconceito se um profissional não tem faculdade. Isso só existe no Brasil. Não existe discriminação justamente porque aqui todo mundo vive bem, independentemente de como você se formou”, diz, sem lamentar o sonho abdicado de se tornar advogada e reafirmando que não se arrepende de trocar a universidade pelo aprendizado técnico. “No Brasil, tenho vários amigos e colegas formados em Direito que não trabalham na área ou estão desempregados”, pondera.

Educação contínua e porta para o mercado

Na Suíça o sistema de formação de aprendizagem é amplamente estimulado, e cerca de dois terços dos estudantes optam por esse caminho, que se segue aos 11 anos de ensino compulsório, começando no jardim de infância, passando pela escola fundamental até a intermediária.

Mais de 250 profissões estão disponíveis por meio desse sistema de aprendizado, que propicia contato desde cedo com o mercado de trabalho. O tempo de formação depende da carreira escolhida, mas o mínimo é de dois anos, podendo chegar a quatro. Pelo sistema de formação de aprendizagem são ensinadas ocupações como padeiro, açougueiro, cozinheiro, vendedor, operador de máquina, enfermeira, pintor, cabeleireiro, bombeiro e outros postos práticos.

Marceneiro

A formação profissionalizante serve não só como porta de entrada para o mercado de trabalho, como também é base para uma educação contínua que pode se estender pela vida toda. As aulas são intercaladas com treinamento praticado em construtoras, supermercados, restaurantes, lojas, hospitais, laboratórios e fábricas. As empresas que no futuro contratarão esses profissionais dividem com os governos local e nacional a responsabilidade pela implementação do currículo que foca em habilidades práticas.

Os que concluem com sucesso recebem, normalmente, uma oferta de emprego da companhia onde treinaram e um diploma com validade nacional, o que os permite ter acesso a novos cursos, avançando na especialização da área que escolheram. Se depois de formados os aprendizes quiserem mudar de profissão e seguir para um instituto superior politécnico ou ir à universidade, é possível, mas é necessário fazer um rigoroso estudo complementar de transição.

Profissões valorizadas e bons salaários

Os empregos de base que estão acessíveis por meio de aprendizagem despertam grande interesse porque garantem uma boa renda. Na média, esses profissionais recebem por mês algo entre R$ 21.500 e R$ 25.850 (de 5 mil a 6 mil francos suíços).

Um pedreiro, por exemplo, ganha por mês na Suíça, em média, 5,5 mil francos (R$ 24 mil), um marceneiro, 5,1 mil francos (R$ 22,2 mil) e um mecânico, 5,8 mil (R$ 24,9 mil). Nessas mesmas profissões, a média salarial no Brasil é de R$ 1.640 para pedreiros, R$ 1.550 para marceneiros e R$ 1.530 para mecânicos de automóveis. O curso básico de aprendizagem de formação para pedreiro, marceneiro e mecânico dura dois anos na Suíça. É possível também estudar por três a quatro anos e receber uma qualificação avançada nessas profissões, o que garante um salário ainda maior.

O fato de os estudantes já estarem inseridos ativamente na economia faz com que a taxa de desemprego entre a população jovem da Suíça seja de apenas 4%. Além disso, a evasão escolar é baixa, pois mais de 90% dos inscritos conseguem concluir com sucesso o programa.

Universidade para poucos?

Stefan Wolter, professor de economia na universidade de Berna dedicado ao tema da Educação, alerta que o excesso de pessoas com formação superior leva não apenas ao desemprego, mas também deprecia o salário dos que estão ativos no mercado.

UniZuerichZentrum

Wolter desaconselha jovens com perfil acadêmico fraco a buscarem obter um diploma universitário a qualquer custo, recorrendo a universidades pagas e sem credibilidade. “Nos Estados Unidos há pesquisas que mostraram que essas faculdades que só querem lucrar causam um impacto negativo. Lá, na média para cada ano a mais que você estuda, você ganha entre 8% e 10% a mais de salário. Mas se você for para uma universidade sem prestígio, o impacto será negativo mesmo assim. Você acabará acumulando dívidas do financiamento educacional”, alerta.

O especialista destaca que a realidade da Suíça é bem diferente da do Brasil, em que há muito poucas alternativas à universidade para o jovem que quer continuar a estudar, em busca de aprimoramento e melhores salários. “No Brasil, a alternativa que se tem a ir à universidade é zero. Você não recebe nenhuma educação decente se não for à universidade”, diz.

O economista argumenta que os brasileiros menos qualificados, que muitas vezes acumulam anos de déficit de aprendizagem ao longo da educação básica, acabam se formando com notas sofríveis em instituições ruins e não conseguem se posicionar na sua profissão em um mercado de trabalho já saturado e muito competitivo. Para esses, teria sido melhor fazer um treinamento vocacional. “É um desperdício de capital humano”, lamenta Wolter.

Adultos qualificados

Na Suíça, cursam uma aprendizagem profissionalizante cerca de 220 mil pessoas, a maior parte delas (205 mil) em currículos de três ou quatro anos. Segundo a OCDE (Organização para o Desenvolvimento e Cooperação Econômica), a Suíça é um dos países com maior número de adultos qualificados por meio de prática profissionalizante na Europa. A força de trabalho do país (adultos de 25 a 65 anos) está dividida desta maneira: 12,6% só concluíram o ensino fundamental, 46,2% tem formação profissionalizante secundária e 41,2% têm formação avançada terciária, que inclui o ensino superior.

A diretora do departamento de estatística da UNESCO, a agência da ONU que lida com o tema da Educação, explica que o grande desafio no mundo hoje é, antes de mais nada, garantir competências de base para que a educação secundária vocacional seja uma consequência natural. Segundo ela, há uma crise global no ensino primário. “No mundo todo, 6 de cada 10 alunos não é capaz de demonstrar o mínimo de conhecimentos em leitura e matemática. São 617 milhões de crianças iletradas. Imagine três vezes a população do Brasil sendo incapaz de ler e de demonstrar conhecimentos de matemática”, alerta.

“Esse desperdício de capital humano nos diz que colocar as crianças em sala de aula é apenas metade da luta. Agora o desafio é garantir que toda criança em sala de aula esteja aprendendo as habilidades mínimas necessárias para leitura e matemática”, diz a diretora do departamento de estatística da UNESCO, Silvia Montoya. Pelos números da UNICEF, no caso do Brasil, há 1,5 milhão de crianças e jovens fora das escolas. São 772 mil na educação primária e 740 mil na educação secundária. É para esse segundo grupo, os adolescentes em formação secundária, que o modelo suíço serviria.

Jovens sem estudo no Brasil

Segundo dados do IBGE em 2017, havia cerca de 25,1 milhões de pessoas de 15 a 29 anos de idade que não alcançaram o ensino superior completo e não estavam nem estudando, nem se qualificando – os chamados “nem-nem”. Desse grupo, a maioria era homens (52,5%) e negros (64,2%). Os motivos mais frequentemente alegados para estarem longe dos estudos eram porque trabalhavam, procuravam trabalho ou conseguiram trabalho e começariam em breve (39,7%); não tinham interesse em estudar (20,1%); e tinham que cuidar dos afazeres domésticos ou de pessoas (11,9%).

O professor Wolter acredita que esses jovens deveriam melhorar suas capacidades sem abrir mão do trabalho, mas há uma “falta de coordenação” entre o mercado e as instituições de estudo. “É um problema ‘ovo-galinha'”, que impede que o Brasil acumule mão de obra de base com excelência. Há uma falta de empresas com disponibilidade para investir e que poderiam sustentar um programa de treinamento qualificado ambicioso como o modelo suíço, diagnostica Wolter. Ele recomenda que o governo atraia investidores da iniciativa privada internacional para tentar estimular uma transformação.

No Brasil, o sistema de parceria entre empresas e governo existe dentro do programa Pronatec (Programa Nacional para o Acesso ao Ensino Técnico e Emprego) e dos cursos FIC (Formação Inicial Continuada). Para se formar em um curso de formação continuada, o aluno brasileiro precisa atender apenas 350 horas de aulas, e no curso técnico, 800 horas. Na Suíça, o mínimo é de dois anos de estudo.

Qualidade e acesso à todos

Se no Brasil existe a preocupação em evitar que o acesso ao ensino superior fique restrito à elite, na Suíça isso não é um problema. Lá, a qualidade da educação básica é boa e rigorosa para ricos e pobres, que estudam nas mesmas escolas públicas, explicam os especialistas. E é durante os anos do ensino básico, com base em exames na 6ª série, que ocorre a seleção entre os que irão à universidade. O sistema de avaliação premia não só os alunos brillhantes, mas também os muito disciplinados.

Quadro

Além disso, o ensino técnico não é o fim dos estudos. Quem se forma em educação técnica pode mais tarde fazer um curso que leva de um a dois anos, chamado de “passarela”, para o ensino superior. Muitos optam por não fazer, no entanto, porque já têm um bom retorno financeiro com a profissão técnica. “Justamente porque o treinamento vocacional na Suíça é tão bom, não há uma grande discrepância salarial frente aos que possuem diplomas universitários. É uma alternativa viável, porque a qualidade do ensino é praticamente quase tão boa quanto de uma faculdade”, diz.

A brasileira Adriane concorda: “é uma formação que me deu muito pra vida toda. Eu aprendi demais”.

Preparando profissionais do futuro?

Por outro lado, se o Brasil estimular excessivamente os cursos de aprendizado, poderia vir a sofrer um “apagão” de universitários? O advogado e político argentino Gustavo Beliz, que estuda o fenômeno da Quarta Revolução Industrial, diz que é indispensável seguir investindo em profissões de nível universitário. “A inteligência artificial permitirá a criação de muitos empregos que ainda não existem, como especialistas em agricultura vertical, antropologistas do cyberespaço, auditores da economia compartilhada. Temos que preparar as próximas gerações para esse novo mercado de trabalho.”

Futuro

Mas, segundo ele, as mudanças tecnológicas recentes geraram uma tendência que é justamente a intensificação dos extremos, com ausência de capacitação em nível intermediário. “As mudanças no mercado de trabalho deram origem aos fenômenos de esvaziamento e polarização, um processo através do qual o número de empregos de alta e baixa qualificação cresce com o tempo, enquanto o emprego de média qualificação diminui devido aos diferentes impactos das mudanças tecnológicas”, explica.

“Isso aponta para duas necessidades: primeiro, o sistema educacional precisa dar aos jovens as ferramentas necessárias para entrar em um mercado de trabalho cada vez mais sofisticado. Segundo, ele precisa funcionar como um nivelador social, para evitar que a desigualdade e a fragmentação social se tornem ainda mais intensas.”

Beliz ressalta que os trabalhadores do futuro terão de focar principalmente nas “habilidades interpessoais” para não perder o emprego para as máquinas, investindo em habilidades como a “inteligência emocional, a empatia e a criatividade”. Justamente as profissões menos valorizadas no Brasil poderiam ganhar destaque no futuro da Quarta Revolução Industrial. “A América Latina precisa começar a apostar no fator humano, no talento. Paixão, comprometimento, sacrifício, trabalho em equipe e criatividade. Essas são as áreas que superamos as máquinas”, afirma.

“Precisamos preparar as novas gerações para esse novo mercado de trabalho que poderá demandar tanto treinamento vocacional, quanto acadêmico, porque nós precisamos de ambos”, conclui.

Fonte: BBC

Internacional, Negócios

CEOs Suíços São os Mais Bem Pagos da Europa

Um relatório sobre os salários dos CEOs em toda a Europa aponta que a Suíça mais uma vez lidera o ranking, à frente da Grã-Bretanha e da Alemanha. Os salários dos altos executivos também registraram um sensível aumento no ano passado.

CHF 8,7 milhões (US$ 9,05 milhões): essa foi a remuneração média dos chefes das principais empresas na Suíça em 2017, segundo o relatório Eurotop 100 deste ano, divulgado na quinta-feira pelo grupo de consultoria Willis Towers Watson.

Assim como no ano passado, a Suíça encontra-se firmemente à frente do ranking europeu de remuneração de CEOs, à frente da Grã-Bretanha (média de 7,21 milhões de francos suíços) e da Alemanha (7,18 milhões de francos suíços).

Sevrin Schwan, CEO do grupo farmacêutico suíço Roche, lidera a lista individual de executivos, embolsando CHF 14,57 milhões por ano. Ele foi seguido por Carlos Brito, chefe do grupo cervejeiro AB/Inbev (CHF 14.49 milhões) e Sergio Ermotti do banco UBS (CHF 14.16 milhões).

Digno de nota é que, entre as 100 maiores empresas européias, os salários-base dos CEOs suíços correspondem à menor parte de sua remuneração – em 25%, segundo o relatório.

Em vez disso, “componentes de alta variabilidade [como bônus] dão a eles a oportunidade de ganhar muito mais que seus salários”, conforme escreveu Olaf Lang, diretor administrativo da Willis Towers Watson.

As culturas de incentivos salariais diferem em toda a Europa, continua o relatório: na Escandinávia, muito mais ênfase é dada à remuneração fixa (ver tabela abaixo).

Gatos gordos em dieta

No geral, a remuneração direta total das empresas suíças pesquisadas no relatório ficou praticamente inalterada em relação ao ano passado, em + 0,1%. A mediana europeia subiu cerca de 5%.

Em março de 2013, os eleitores suíços apoiaram uma iniciativa para reduzir os altos salários dos executivos “gatos gordos”. Contudo, em outra votação no mesmo ano ano, eles rejeitaram a proposta de limitar o pagamento dos executivos a 12 vezes o salário mais baixo de sua empresa.

Assim, embora os acionistas de empresas listadas tenham agora votos vinculados nos pacotes de remuneração, e vários tipos de bônus, como contratos de rescisão conhecidos como “pára-quedas de ouro”, sejam proibidos, a iniciativa não parece ter tido muito efeito sobre o volume dos salários mais altos.

No entanto, novas regras que estão sendo preparadas na Europa podem ter um impacto sobre a remuneração na Suíça. A nova diretiva de direitos dos acionistas da União Europeia (SRD) exige a adoção de voto vinculativo dos acionistas (ou seja, que obriga sua implementação) sobre a política de remuneração e uma votação não vinculante sobre os salários individuais dos executivos.

As empresas também devem divulgar a relação entre os pacotes de pagamento mais altos e mais baixos. A diretiva deve ser implementada até junho de 2019.

Fonte: SwissInfo

Internacional, Mobilidade

Alemanha Estréia Trem Movido a Hidrogênio

Primeiro do mundo a entrar em operação, “trem do futuro” fará trajeto regular de 100 quilômetros no norte do país. Uma alternativa para ajudar o país em sua ambiciosa meta climática.

Começaram a circular nesta segunda-feira (17/09), na Alemanha, os primeiros trens movidos a hidrogênio. As duas composições farão um trajeto de 100 quilômetros entre as cidades de Cuxhaven, Bremerhaven, Bremervoerde e Buxtehude, no norte do país.

“O primeiro trem de hidrogênio do mundo está entrando em serviço comercial e pronto para produção em série”, disse o presidente da fabricante Alstom, Henri Poupart-Lafarge, na cerimônia de inauguração.

A cerimônia foi em Bremervoerde, a estação onde os dois trens da fabricante francesa serão reabastecidos com hidrogênio. Até agora, o trecho, não eletrificado, era atendido por trens a diesel.

A Alstom aposta na nova tecnologia como uma alternativa mais ecológica e silenciosa para o transporte ferroviário, e tem planos de entregar outros 14 trens de emissão zero até 2021 à operadora ferroviária local LNVG, do estado da Baixa Saxônia.

Os trens de hidrogênio são equipados com células de combustível que produzem eletricidade por meio de uma combinação de hidrogênio e oxigênio, um processo que tem como únicas emissões vapor e água.

Com metas climáticas ambiciosas, a Alemanha pretende reduzir suas emissões de CO2 em 40% até 2020 em comparação com os níveis de 1990, e se comprometeu a usar 80% de energia renovável em seu abastecimento elétrico até 2050.

O trem azul-claro da Alstom foi apresentado pela primeira vez ao mundo na feira da indústria ferroviária Innotrans em 2016 e apelidado pela empresa como o “trem do futuro”. Ele pode rodar por cerca de mil quilômetros com um único tanque de hidrogênio, que é semelhante à capacidade dos trens a diesel.

No cerne do sistema iLint está uma célula de combustível situada no topo do trem. O hidrogênio é fornecido à célula e então combinado com o oxigênio retirado do ar do ambiente em seu interior. Os dois produtos dessa reação química são a eletricidade, que é usada para alimentar uma tração elétrica que controla os movimentos do trem; e a água, que é emitida na forma de vapor.

Toda a energia elétrica que não é usada imediatamente para a tração pode ser armazenada em baterias de íons de lítio na parte de baixo do trem. Um conversor auxiliar também é usado para adaptar a energia para várias aplicações a bordo, como ar condicionado, sistemas de portas e mostradores de informações aos passageiros.

Além de um produto limpo, as principais vantagens do iLint são seu gerenciamento de energia inteligente e armazenamento de energia flexível. A energia elétrica é fornecida sob demanda, o que significa que a célula de combustível só precisa trabalhar a todo vapor quando o trem permanece em estado de aceleração por períodos prolongados. Quando ele freia, as células de combustível são desligadas quase que completamente, economizando no consumo de hidrogênio.

Segundo a LNVG, operadora de trens local, os 14 trens que comprados da Alstom custaram cerca de 81 milhões de euros, o que é mais do que seria gasto com o mesmo número de trens convencionais a diesel. Mas Stefan Schrank, gerente do projeto na Alstom, diz que o investimento vale a pena.

“Claro, comprar um trem de hidrogênio é um pouco mais caro do que um trem a diesel, mas é mais barato de operar”, afirmou.

No entanto, ainda há a questão de como os trens serão reabastecidos e de onde virá o hidrogênio a longo prazo. Durante a fase inicial, a Alstom fornecerá o hidrogênio a partir de emissões industriais.

Fonte: DW

Internacional, Política

Grupo de Lima Rejeita Intervenção na Venezuela

Maduro

Maioria dos países do grupo, entre eles o Brasil, descarta intervenção militar contra governo Maduro e defende saída pacífica para a crise. Uso da força foi sugerido pelo secretário-geral da OEA.

Onze dos 14 países que integram o Grupo de Lima rejeitaram a ideia de uma intervenção militar na Venezuela em comunicado divulgado neste domingo (16/09), depois de o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, ter declarado que não descarta essa possibilidade. Os 11 países expressaram “sua preocupação e rechaço perante qualquer curso de ação ou declaração que implique uma intervenção militar ou o exercício da violência, a ameaça ou o uso da força na Venezuela” e defenderam uma saída pacífica e negociada para a crise política e social no país sul-americano.

Porém, os signatários, entre eles o Brasil, instaram mais uma vez o governo do presidente Nicolás Maduro a “pôr fim às violações de direitos humanos, a libertar os presos políticos, respeitar a autonomia dos poderes do Estado e assumir sua responsabilidade pela grave crise que vive a Venezuela”. Além do Brasil, assinaram o documento os governos da Argentina, da Costa Rica, do Chile, da Guatemala, de Honduras, do México, do Panamá, do Paraguai, do Peru e de Santa Lucía. Canadá, Colômbia e Guiana ficaram de fora.

O Grupo de Lima foi criado por iniciativa do governo do Peru para denunciar a ruptura da ordem democrática na Venezuela quando da criação da polêmica Assembleia Nacional Constituinte, cuja legitimidade não é reconhecida por esses países.

Nesta sexta-feira, durante visita à cidade colombiana de Cúcuta, que fica perto da fronteira com a Venezuela, Almagro afirmou que não se deve descartar uma intervenção militar contra o governo de Maduro e insistiu que os venezuelanos precisam de ajuda humanitária.

“Apesar de as ações diplomáticas estarem em primeiro lugar, quanto a uma intervenção militar para derrubar o governo de Maduro, acho que não devemos descartar nenhuma opção”, disse Almagro, um dos principais críticos do governo Maduro no exterior.

Em resposta, o governo venezuelano anunciou que iria recorrer à ONU e outras instâncias internacionais para denunciar Almagro, a quem acusou de incentivar uma intervenção militar na Venezuela. Segundo a vice-presidente Delcy Rodríguez, Almagro “atenta contra a paz na América Latina e no Caribe” e “pretende reviver os piores expedientes de intervenção militar imperialistas” no continente. Esta é a primeira vez que o Grupo de Lima e Almagro adotam posições diferentes sobre o governo Maduro.

A Venezuela atravessa uma profunda crise econômica, política e social, que já fez com que 2,3 milhões de venezuelanos tenham deixado o país desde 2014, segundo cálculo das Nações Unidas. A Colômbia recebeu mais de 1 milhão de refugiados.

O colapso da economia venezuelana, fortemente dependente da exportações de petróleo, levou à falta de vários produtos no país, incluindo remédios e alimentos.

Fonte: Deutsche Welle