Internacional

‘Vacine seus filhos ou seja multado’, diz ministro da Saúde da Alemanha

O ministro da Saúde da Alemanha, Jens Spahn, preparou um projeto de lei que obriga os pais a vacinarem seus filhos contra sarampo ou terão de pagar multas e serem excluídos de creches.

A iniciativa de Spahn acontece em meio a um inflamado debate na Alemanha sobre a obrigatoriedade da vacina contra sarampo, enquanto o número de casos da doença, outrora erradicada, atinge os maiores níveis nos Estados Unidos desde 2000.

“Eu quero erradicar o sarampo”, disse Spahn ao jornal Bild am Sonntag. 

“Qualquer um que frequenta o jardim de infância ou a escola deveria ser vacinado contra sarampo”, disse Spahn, explicando seu plano, que obrigaria os pais a mostrarem provas da vacinação. 

“Quem não vacinar seus filhos seria multado em 2.500 euros (cerca de R$ 11 mil)”, acrescentou. 

Spahn acredita que tem amplo apoio para a lei que propõe na coalizão governista conservadora da chanceler Angela Merkel, à qual ele pertence, e com os sociais-democratas (SPD), mais à esquerda. 

O especialista em políticas de saúde Karl Lauterbach citou uma “base muito boa” para a discussão. “Não funcionará sem multas”, afirmou ao jornal Augsburger Allgemeine.

Fonte: Reuters

Internacional

Mais de 200 Mortos e 450 Feridos em Oito Atentados no Sri Lanka

Uma série de explosões de bombas em igrejas e hotéis de luxo causou uma matança neste domingo no Sri Lanka. Pelo menos 207 pessoas morreram − incluindo 35 estrangeiros − e mais de 450 ficaram feridas, segundo o porta-voz da polícia, Ruwan Gunasekera. “Não podemos confirmar se foram atentados suicidas”, acrescentou o porta-voz. Ele anunciou a detenção de três pessoas, mas segundo a imprensa local, citada pela Reuters, o total de suspeitos detidos chega a sete. Entre os mortos há pelo menos nove estrangeiros. Embora nenhum grupo tenha assumido a autoria dos ataques, o ministro da Defesa, Ruwan Wijewardene, afirmou que os culpados já foram identificados e os definiu como extremistas religiosos.

As primeiras explosões, ocorridas no início da manhã, causaram um banho de sangue em três igrejas e em três hotéis de luxo localizados em diferentes lugares do país, onde centenas de fiéis celebravam o Domingo de Páscoa. Mais tarde ocorreram outras duas explosões: uma na área de um hotel vizinho ao zoológico nacional e outra em um complexo residencial no norte de Colombo.

Estes ataques são os mais sangrentos desde o fim da guerra civil no Sri Lanka, um conflito étnico-religioso que opôs a maioria budista cingalesa e a minoria hindu tâmil durante décadas. Após os atentados, foi decretado toque de recolher imediato e por tempo indeterminado, informou o Ministério da Defesa.

Uma das explosões aconteceu na igreja de Santo Antônio de Colombo, outra na igreja de São Sebastião de Negombo, ao norte da antiga capital, e a terceira em uma igreja de Batticaloa, no leste da ilha. Os três hotéis de luxo atacados − Cinnamon Grand, Kingsbury e Shangri-La, todos de cinco estrelas − ficam em Colombo. A sétima explosão ocorreu perto de estabelecimento turístico junto ao zoológico de Dehiwala, ao sul da capital. A oitava explosão teve lugar em uma área residencial em Dermatagoda. O ministro do Sri Lanka para as Reformas Econômicas, Harsha de Silva, comentou no Twitter, citando o ministro da Defesa, que estas últimas explosões “parecem ter sido causadas” por suspeitos dos primeiros atentados enquanto fugiam das forças de segurança.

Imagens divulgadas nas redes sociais mostram fachadas e telhados destroçados, e sangue em bancos próximos ao altar em uma das igrejas atacadas. O primeiro-ministro cingalês, Ranil Wickremesinghe, condenou o que qualificou que “ataque covardes”. “Conclamo todos os cingaleses a permanecer unidos e fortes neste momento trágico. […] O Governo está tomando medidas imediatas para controlar a situação”, afirmou Wickremesinghe em uma mensagem no Twitter. O Executivo convocou uma reunião de emergência do gabinete de segurança nacional para analisar a situação.

O ministro Harsha de Silva, que estava em uma igreja no momento de um dos ataques, descreveu “cenas horríveis” de corpos destroçados depois da explosão. Em um comunicado, o presidente do país, Maithripala Sirisena, conclamou a população a manter a calma e apoiar as autoridades enquanto continuam as investigações sobre os atentados

Os ataques contra minorias religiosas na ilha vêm se repetindo. Em 2018, o Governo declarou estado de emergência depois que confrontos entre muçulmanos e budistas deixaram dois mortos. Naquela ocasião, dezenas de pessoas foram detidas.

O Sri Lanka, com quase 21 milhões de habitantes, é um país majoritariamente budista que conta com 1,2 milhão de católicos. Os budistas representam 70% da população, os hindus 12%, os muçulmanos 10% e os cristãos, 7%.

A tensão religiosa nesta ilha do Oceano Índico continua grande, mesmo depois que foi declarado, em 2009, o fim de 26 longos anos de conflito étnico entre a maioria cingalesa budista e a minoria tâmil hindu. A guerra causou entre 80.000 e 100.000 mortes. Agora, grupos cristãos dizem estar sofrendo uma crescente intimidação por parte de grupos budistas extremistas. Durante os últimos anos, os ataques a outras minorias religiosas aumentaram, particularmente contra a comunidade muçulmana, alcançando seu ponto mais virulento em março de 2018, quando os distúrbios entre budistas e muçulmanos levaram o Governo a declarar estado de emergência nacional.

No ano passado houve 86 incidentes de discriminação, ameaças e violência contra cristãos, segundo a Aliança Nacional de Cristãos Evangélicos do Sri Lanka, que representa mais de 200 igrejas e outras organizações cristãs do país asiático. Só neste ano, essa organização registrou 26 incidentes desse tipo, incluindo a tentativa de boicotar uma missa por parte de monges budistas em 25 de março.

Imagens divulgadas pela mídia local mostram a magnitude da explosão deste domingo em uma das igrejas, com o teto semidestruído, escombros e corpos pulverizados. “Por favor, fiquem calmos e dentro de suas casas. Há muitas vítimas, incluindo estrangeiros”, afirmou Harsha de Silva depois de visitar vários dos lugares atacados.

O ministro se mostrou chocado com o que viu. “Cenas horríveis. Vi membros amputados, destroçados, por todo lado. Equipes de emergência estão totalmente mobilizadas em todos os pontos”, afirmou Silva. “Levamos muitas vítimas para o hospital, esperamos ter salvado muitas vidas”, acrescentou.

As autoridades espanholas pediram que seus cidadãos que estão no Sri Lanka tomem todas as precauções depois dos atentados. “Houve várias explosões no Sri Lanka nesta manhã. Recomenda-se o máximo de precaução”, declarou a Embaixada da Espanha na Índia, que cuida dos assuntos diplomáticos no Sri Lanka. “Minha mais enérgica condenação aos terríveis atentados no Sri Lanka. Dezenas de vítimas que celebravam a Páscoa nos fazem chorar”, afirmou o chefe de Governo espanhol, Pedro Sánchez, em sua conta no Twitter.

Fonte: El País

Internacional, Transporte

Maior Avião do Mundo Decola na Califórnia; Envergadura é Maior que Campo de Futebol

O avião foi desenvolvido pela empresa de mesmo nome e quebra um recorde de 71 anos, que pertencia anteriormente ao hidroavião Hughes H-4 Hercules. Este possuía 98 metros de envergadura, e voou pela primeira vez em 1947.

O Stratolaunch possui um comprimento de 73 metros, do nariz à cauda.

A Stratolaunch é uma empresa criada em 2011 por um co-fundador da Microsoft, Paul Allen (1953-2018). Segundo a empresa, o objetivo é que o avião funcione como uma plataforma móvel para o lançamento de satélites. 

A ideia é baratear o lançamento, reduzindo custos em relação aos foguetes lançados do solo.

O aparelho consiste em duas máquinas gêmeas, sustentadas por seis motores a jato. Neste sábado, ele voou durante duas horas e meia sobre o deserto, atingindo velocidades de 274 km/h e a altitude de 4.572 metros. 

O piloto, Evan Thomas, disse a jornalistas que a experiência foi “fantástica” e que “na maior parte do tempo, o avião voou como previsto”.

Neste voo inaugural, a equipe avaliou a performance do aparelho e sua manobrabilidade. O pouso ocorreu sem incidentes, segundo a empresa. 

Em seu site, a Stratolaunch diz que seu objetivo é tornar “o acesso à órbita terrestre tão rotineiro quanto pegar um voo comercial é hoje”. 

“A asa central reforçada suporta múltiplos veículos de lançamento de satélites, cujo peso pode chegar a mais de 220 toneladas”, diz uma nota publicada pela empresa.

O bilionário britânico Richard Branson, dono da companhia Virgin Galactic, também está desenvolvendo um veículo parecido, cujo objetivo é lançar satélites a partir de uma grande altitude. 

Embora a Stratolaunch descreva seu avião como o “maior do mundo”, há outros que o superam em comprimento do nariz à cauda.

Fonte: BBC News

Internacional

Ao Lado de Trump, Bolsonaro Evita Descartar Opção Bélica Contra a Venezuela

Trump JB

O presidente Jair Bolsonaro se reuniu com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta terça-feira, 19 de março, na Casa Branca, em Washington. Antes do encontro privado, no Salão Oval, os dois presidentes posaram para as primeiras fotos, trocaram camisa das seleções de futebol e responderam a algumas perguntas, inclusive sobre Venezuela. Nesta conversa inicial, Trump fez questão de repetir que “todas as opções estão sobre a mesa”, ou seja, não está descartada uma ação militar contra Nicolás Maduro —o Brasil não apoia qualquer movimento bélico por enquanto. Na entrevista coletiva concedida em conjunto diante da Casa Branca, após a reunião entre os dois, Bolsonaro disse não ser “estratégico” falar se apoiaria uma ação bélica dos EUA no território vizinho, numa posição bem menos enfática que a adotada publicamente, por exemplo, pelo vice-presidente Hamilton Mourão. Tanto Bolsonaro quanto Trump reconhecem o presidente do Parlamento Venezuelano, Juan Guaidó, como chefe de Estado interino.

Abaixo, pronunciamento conjunto de Bolsonaro e Trump.

Fonte: El País

Internacional

Polícia Holandesa Identifica Suspeito de Ataque em Utrecht

Utrecht

As autoridades holandesas divulgaram a imagem de um suspeito: um homem de 37 anos, com o nome de Gökmen Tanis, nascido na Turquia. De acordo com uma televisão local, Tanis foi levado a tribunal há cerca de duas semanas, no âmbito de um caso de violação. Não se conhecem ainda os contornos desse processo.

Segundo alguns testemunhos, o atacante entrou numa paragem da praça 24 de Outubro e começou a disparar indiscriminadamente sobre os passageiros.

O presidente da Câmara de Utrecht evocou a possibilidade de haver vários atacantes, uma vez que foram registados disparos em diversos pontos da cidade. O primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, convocou o executivo para uma reunião de emergência.

“Os primeiros relatos provocaram incredulidade e repúdio: a violência abateu-se sobre inocentes. Os nossos pensamentos estão com eles e com as suas famílias, cujas vidas ficaram viradas do avesso de um momento para o outro. Estamos a fazer tudo ao nosso alcance para encontrar o ou os responsáveis. Estão totalmente concentrados nisso”, declarou Rutte.

As autoridades ativaram o nível de alerta máximo na região do Utrecht, a quarta maior cidade da Holanda, onde se apelou ao encerramento de escolas e mesquitas. Foi reforçada a segurança em torno da sede do governo em Haia, bem como de edifícios públicos considerados vitais e aeroportos do país.

Fonte: Euronews

Internacional

Eleições Legislativas na Coréia do Norte

Os norte-coreanos vão às urnas neste domingo, 10, para eleições de 1 partido só, ou seja, apenas 1 ganhador possível. O candidato é designado pelo Partido dos Trabalhadores, o único autorizado no país, do líder Kim Jong-un.

A cada 5 anos, são realizadas eleições legislativas para nomear os membros da Assembleia Suprema do Povo, o Parlamento norte-coreano.

Nas últimas eleições, em 2014, o índice de participação foi de 99,97%, segundo a agência de notícias KCNA. Os eleitores que estão no exterior foram os únicos que não participaram. Os candidatos obtiveram 100% dos votos de suas respectivas circunscrições eleitorais.

O regime de Kim Jong-un usa as eleições para fazer propaganda da “unidade nacional” e dos “benefícios”de 1 sistema apresentado como “igualitário e democrático”, no qual o governo se encarrega de definir o destino de cada norte-coreano que vive no país.

A Coreia do Norte está dividida em circunscrições eleitorais. Eram 686 em 2014. Naquele ano, Kim Jong-un era candidato por Monte Paektu. Segundo a KCNA, obteve 100% dos votos com uma taxa de participação de 100%.

Fonte: Poder360

Internacional

O Lado Mais Sombrio de Dickens

O homem mais famoso da era vitoriana, o “poeta da cidade moderna”, o romancista mais importante da história inglesa, Charles Dickens, cometeu um dos atos mais cruéis e abjetos que se possa imaginar: tentou encerrar sua mulher, Catherine – com a qual compartilhava 20 anos de casamento e 10 filhos –, em um manicômio para poder desfrutar em liberdade do seu romance com a atriz Ellen Ternan.

John Bowen, professor de Literatura do século XIX na Universidade de York, no norte da Inglaterra, deu com uma carta que demonstra a crueldade de Dickens ao tentar se safar do momento mais turvo de sua vida. “Durante anos existiu a suspeita de que tinha tentado, mas nenhuma prova definitiva. E é claro que é algo muito difícil de assimilar. Fez coisas admiráveis, mas em sua ruptura matrimonial teve um comportamento horrível, e magoou muita gente”, conta Bowen por telefone ao EL PAÍS.

Catherine Dickens viveu as duas últimas décadas de sua vida em uma pequena residência em Camden, na zona norte de Londres. Lá travou amizade com um casal vizinho, Edward e Lynda Dutton Cook. Ela era pianista. Ele, um homem de letras, crítico teatral e romancista. Em seu último ano de vida, em 1879, enquanto aliviava suas terríveis dores com doses de morfina, Catherine sentiu a necessidade de contar sua versão do ocorrido. Até então, Dickens, zeloso ao extremo de sua boa imagem e reputação, tinha conseguido transmitir a imagem de um casamento deteriorado pelos “distúrbios mentais” de uma mulher que não prestava atenção nem dava carinho aos filhos. Grande publicitário de si mesmo e com bons e influentes amigos, o escritor plasmou um retrato desumano e falso numa carta que convenientemente vazou à imprensa. A famosa “carta violada” que convenceu seus admiradores, mas também escandalizou muitos de seus contemporâneos.

Edward Dutton Cook nunca quis tornar públicas as intimidades de uma família e de um homem que àquela altura já era um tesouro nacional. Mas as contou através de várias cartas a um amigo, o jornalista William Moy Thomas. “No final, [Dickens] descobriu que ela já não era de seu agrado. Tinha parido dez filhos e perdido grande parte de sua beleza. Tornou-se velha. Tentou inclusive encerrá-la em um manicômio, pobre mulher! Mas apesar das nefastas que são nossas leis no que se refere a provar a loucura, não conseguiu seu propósito”, escreveu Dutton Cook.

“Quando você descobre este lado sombrio de Dickens, interpreta a obra posterior a 1858, o ano do rompimento conjugal”, explica o professor Bowen. “Grandes Esperanças”, um de seus livros mais universais, é uma romance cheio de culpa, de vergonha. Seu personagem principal [Philip Pirrip, ou Pip] se sente incompreendido, e é alguém que magoou muita gente.

Bowen, que teve acesso ao conteúdo das cartas de Dutton Cook, hoje preservadas na Universidade Harvard, nos Estados Unidos, conhece bem os documentos da época e deduziu, com quase total segurança, a identidade do médico que se negou a cumprir os desejos de Dickens. Thomas Harrington Tuke, superintendente do Asilo Manor House, no bairro londrino de Chiswick, entre 1849 e 1888, era um velho conhecido do escritor. Chegou a assistir ao batismo de um de seus filhos. A amizade esfriou pouco depois, sem motivo aparente, e Dickens se prodigalizou em lhe dedicar insultos como “asno médico” e “ser miserável”.

As leis da época davam pouca proteção a indivíduos cujas famílias decidissem interná-los pelo resto da vida por suposta doença mental, sobretudo quando se dispunha de conexões adequadas. E Dickens dispunha. Seu amigo e biógrafo, John Forster, secretário no Comissariado para a Loucura, um órgão público criado em 1845 para fiscalizar os manicômios, e o médico John Connolly, com grande influência nesse âmbito, moveram céus e terras para agradar o seu amigo.

“À luz do que sabemos agora, esta história teria muito a ver com o movimento do MeToo”, sugere Bowen. “Mas também com esse gaslighting que muitos homens projetam sobre suas parceiras para que acreditem serem elas as culpadas. Embora haja uma parte positiva em todo este relato. Um médico foi capaz de dizer que não. Não são muitos os médicos ou advogados capazes naquela época de encarar os ricos e poderosos. Quase como esses depoimentos que escutamos hoje em dia de algumas pessoas contra o presidente Donald Trump nos Estados Unidos.”

Fonte: El País