Internacional, Política

Aliada de Merkel Será Sua Sucessora Como Líder da CDU

Após 18 anos na liderança do partido conservador União Democrata Cristã, chanceler federal alemã passa o bastão para Annegret Kramp-Karrenbauer. Mudança marca o princípio do fim da era Merkel.

Annegret Kramp-Karrenbauer, uma aliada de longa data da chanceler federal alemã, Angela Merkel, foi escolhida nesta sexta-feira (07/12) para sucedê-la como líder de seu partido, a União Democrata Cristã (CDU).

A mudança no comando da CDU marca o princípio do fim da era Merkel. Apesar de abrir mão da liderança da legenda, que assumiu há 18 anos, Merkel pretende seguir à frente do governo alemão até o fim de seu mandato, em 2021.

Dos 999 delegados da CDU que se reuniram num congresso da legenda em Hamburgo, 517 (51%) votaram em Kramp-Karrenbauer, atual secretária-geral da CDU. Os demais 482 votos foram para Friedrich Merz, advogado milionário que já foi oponente interno de Merkel.

A eleição foi decidida em segundo turno, pouco depois de Merkel ser aplaudida em pé durante quase dez minutos por seu último discurso como líder da CDU. O terceiro candidato, Jens Spahn, atual ministro da Saúde, foi eliminado na primeira rodada, com 157 votos, contra 450 para Kramp-Karrenbauer e 392 para Merz.

Antes de ser eleita, Kramp-Karrenbauer se apresentou como a candidata da unidade e da continuidade e falou sobre sua ligação com a chanceler federal, que lhe rendeu o apelido de “mini Merkel”. A política de 56 anos ganhou o codinome devido tanto à sua reputação de leal a Merkel quanto a seu estilo de centro e pragmático.

“As pessoas me consideram uma mini, uma cópia, simplesmente ‘mais do mesmo’, mas posso dizer que estou aqui como eu mesma, da maneira como a vida me configurou, e tenho orgulho disso”, disse.

Cinco dos nove chanceleres federais que governaram a Alemanha desde 1949 eram ou são da CDU. Merkel, que está no cargo desde 2005, reconheceu nesta sexta-feira ser hora de uma mudança. Agora, Kramp-Karrenbauer será vista como uma potencial futura chanceler federal, caso a CDU vença as eleições de 2021.

Histórico como política regional

A história de Annegret Kramp-Karrenbauer parece um exemplo didático de quão importante é, na política, estar no lugar certo, no momento exato.

Há apenas dois anos, AKK, como é conhecida, era a respeitada governadora do pequeno estado do Sarre, enfrentando uma dura batalha pela reeleição. Dois anos mais tarde, ela substituirá sua mentora, Merkel, à frente do maior partido do país, tradicionalmente dominado por homens.

Sua estrela começou a ascender em março de 2017, quando guiou a CDU numa vitória surpreendentemente fácil na eleição estadual, obtendo 40,7% dos votos. Na época, o candidato social-democrata à chefia de governo, Martin Schulz, brilhava nas pesquisas de opinião. Kramp-Karrenbauer foi a primeira oposicionista a tirar dos trilhos o assim chamado “trem de Schulz”.

Praticamente da noite para o dia, ela passou a contar entre os protagonistas da política alemã – uma ascensão improvável para alguém que por muito tempo parecia destinada a permanecer uma figura regional.

Kramp-Karrenbauer nasceu em 1962 na pequena localidade de Völklingen e crescida na igualmente pequena Püttlingen – ambos topônimos bem representativos do mais provinciano sudoeste alemão. Seu pai era professor de escola, a mãe, dona de casa. Hoje mãe de três crianças, Kramp-Karrenbauer é católica romana, assim como a maioria dos habitantes da região.

Ela se filiou à CDU em 1981, subindo na hierarquia partidária desde a ala juvenil, pelos cargos regionais acima. De 2001 a 2004, Kramp-Karrenbauer foi a primeira mulher a ser secretária do Interior de um estado alemão. Em 2011, eleita com impressionantes 97% dos votos, foi também a primeira mulher a liderar a CDU no Sarre.

No mesmo ano, assumiu o governo do estado, após forjar uma coalizão com os Partidos Verde e Democrático Liberal (FDP), porém já em 2012 encabeçava a dissolução do parlamento regional e novas eleições, que resultaram numa “grande coalizão” com o rival da CDU, o Partido Social-Democrata (SPD).

Na época, negou qualquer ambição de seguir subindo no nível federal, afirmando estar contente em servir o Sarre. No entanto, a CDU estava em apuros nas enquetes nacionais, necessitando desesperadamente de sangue novo, e AKK passou a ser citada como possível sucessora de Merkel.

Menos de um ano após essa reeleição, recebeu o telefonema de Merkel oferecendo-lhe o posto de secretária-geral dos democrata-cristãos. Ela aceitou e foi confirmada no posto em fevereiro último. Dez meses mais tarde, alcançava o degrau máximo da hierarquia partidária.

Da cooperação ao distanciamento

Do trio que concorreu à presidência do partido, Kramp-Karrenbauer é considerada a mais parecida com Merkel. Ambas trabalharam em cooperação estreita, e o estilo discreto dela é reminiscente do de sua mentora. Assim como Merkel, ela também liderou grandes coalizões.

No entanto, suas posições são mais de direita do que a da atual chanceler federal, em especial na questão da imigração. Ela se refere à abertura das fronteiras aos refugiados, em setembro de 2015, que desencadeou uma grave crise no governo Merkel, como “algo que trabalhamos para assegurar que nunca acontecerá novamente”.

Por mais que deva a sua antecessora, parece claro para Kramp-Karrenbauer que também necessita se distanciar dela. Assim, declarou durante sua campanha pela presidência da CDU: “Este é o fim de uma era com que associo muitas relações e experiências pessoais. Mas essa era acabou, e não pode nem ser simplesmente continuada, nem revertida. A questão decisiva é, o que se faz com que se herdou, que é novo e melhor.”

Economia, Internacional

Diretora Financeira da Fabricante Chinesa Huawei É Presa no Canadá

Meng Wanzhou, diretora financeira da companhia chinesa de telecomunicações Huawei, foi presa no Canadá e enfrenta um pedido de extradição dos Estados Unidos, anunciou o Ministério da Justiça nesta quarta-feira.

“Meng Wanzhou foi presa em 1º de dezembro em Vancouver e os Estados Unidos estão tentando sua extradição. Uma audiência será realizada na próxima sexta-feira”, disse Ian McLeod, porta-voz do Ministério da Justiça do Canadá, em comunicado enviado à AFP.Pequim protestou contra a detenção e exigiu que se “restaure imediatamente a liberdade da senhora Meng Wanzhou”, filha do fundador da Huawei.

“A parte chinesa se opõe firmemente e protesta energicamente por este tipo de ação, que prejudica gravemente os direitos humanos da vítima”.

Já o gigante chinês das telecomunicações declarou desconhecer qualquer suposto crime cometido por sua diretora financeira.

“A companhia recebeu muito pouca informação sobre as acusações e não tem conhecimento de qualquer crime por parte de Meng”, destaca o comunicado do grupo.

“Huawei respeita todas as leis e regulamentações em vigor, incluindo as leis e regulamentações em matéria de controle de exportações e sanções, adotadas por ONU, Estados Unidos e União Europeia”.

O Wall Street Journal informou em abril que as autoridades americanas abriram uma investigação por supostas violações da Huawei às sanção impostas ao Irã.

A Huawei foi submetida a um rigoroso controle nos Estados Unidos, onde autoridades de segurança do governo dizem que seus supostos vínculos estreitos com o governo chinês representam um risco à segurança.

Seu negócio nos EUA foi bastante limitado pelas preocupações de que a companhia poderia enfraquecer concorrentes americanos e que seus smartphones e equipamentos de rede, amplamente usados em outros países, serviriam como instrumentos de espionagem para Pequim. 

Apesar de estar praticamente excluída do mercado americano, a Huawei superou a Apple no segundo trimestre deste ano, tornando-se a segunda maior fabricante de smartphones do mundo e agora tem a Samsung, líder de mercado, na mira.

Fonte: AFP

Internacional, Turismo

Amsterdã Remove Um de Seus Pontos Mais Fotografados

A prefeitura de Amsterdã removeu ontem, segunda-feira (03), da Museumplein (Praça dos Museus) um dos cenários fotográficos favoritos dos turistas que visitam a capital holandesa: enormes letras vermelhas e brancas que compunham o slogan “I amsterdam” (jogo de palavras que, em inglês, significa “eu sou Amsterdã”).

O Conselho Municipal decidiu pela remoção atendendo a um pedido do partido ambientalista Groenlinks, segundo o jornal holandês Het Parool. Os políticos verdes argumentaram que as letras, dispostas em frente ao museu Rijksmuseum (Museu Nacional), se transforaram num símbolo do turismo de massa e do “individualismo exagerado”.

Apesar de críticas contra a medida, a maioria dos membros do Conselho votou pela retirada das letras de até dois metros de altura. O slogan “I amsterdam”, porém, continuará sendo usado para promover o turismo na cidade.

“As letras representam o caráter aberto e tolerante de Amsterdã”, afirmou uma representante do marketing turístico local.

Após dez anos de incontáveis visitas de turistas que subiam, sentavam ou se deitavam sobre as letras para posar para fotos, as enormes letras deverão passar por uma restauração. Mais tarde, elas voltarão a ser expostas em diferentes pontos da cidade.

Uma versão menor do monumento pode ser encontrado no Aeroporto Internacional de Schiphol, a sudoeste de Amsterdã.

Fonte: DW

Internacional

Ucrânia Declara Estado de Exceção

Poroshenko

Após a captura de três navios da marinha ucraniana por parte da guarda costeira da Rússia no Mar Negro, perto da Crimeia, o presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, decretou nesta segunda-feira (26) estado de exceção em todo o país. A medida ficará em vigor por 30 dias.

O decreto presidencial não determina obrigatoriamente a mobilização das tropas e ainda precisa do sinal verde do Parlamento. Poroshenko, que assinou a medida após conversar com o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, disse que o estado de exceção não representa a introdução de dificuldades aos direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos.

O secretário do Conselho de Segurança Nacional e Defesa (CSND) da Ucrânia, Alexander Turchinov, propôs o estado de exceção a fim de criar as condições para repelir uma possível “agressão militar” e qualquer ameaça à independência e à integridade territorial por parte do país vizinho.

A medida foi determinada depois de a Rússia ter aberto fogo no domingo contra navios ucranianos em suas águas territoriais perto da Crimeia a fim de obrigá-los a parar. A Ucrânia alega que o ataque aconteceu em águas neutras e quando suas embarcações já navegavam de volta para o porto de Odessa, no Mar Negro.

Depois do incidente, Moscou decidiu fechar o Estreito de Kerch, uma estreita passagem entre a Crimeia e o território continental russo, para impedir o acesso dos navios ucranianos ao Mar de Azov. As autoridades russas confirmaram ter capturados três embarcações do país vizinho “para detê-las”.

Poroshenko exigiu de Moscou a “imediata” libertação dos tripulantes dos três navios apreendidos, que estão sendo interrogados pelas forças de segurança da Rússia.

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Pavlo Klimkin, que tachou a captura dos navios ucranianos de “ato de agressão”, afirmou que seu país “buscará uma solução pacífica para o imbróglio, embora, sem sombra de dúvidas, se reserve ao direito à autodefesa, em virtude do artigo 51 da Carta da ONU”.

A Rússia acusa a Ucrânia de encenar uma provocação para instigar a tensão na região e ameaçar o Ocidente a impor novas sanções contra Moscou. O ministro russo do Exterior, Sergei Lavrov, criticou ainda os planos de Kiev de impor o estado de exceção e pediu aos parceiros ocidentais do país que “acalmem” as autoridades ucranianas.

Reações internacionais

Em reação ao incidente, o secretário-geral da Otan pediu que a Rússia liberte os navios ucranianos e afirmou que não há justificativa para as ações de Moscou. “Estamos acompanhando e monitorando a situação de perto, além de avaliar o que mais podemos fazer para a Rússia entender que essas ações têm consequências”, disse Stoltenberg, após uma reunião com autoridades ucranianas.

O secretário-geral disse ainda que o decreto de estado de exceção não terá um impacto negativo nas eleições presidenciais na Ucrânia, marcadas para o próximo ano.

Tanto a Rússia quanto a Ucrânia solicitaram que o Conselho de Segurança da ONU abordasse nesta segunda-feira com urgência a crise, sob diferentes pontos da agenda do dia. A delegação russa perdeu no início da reunião uma votação de procedimento, por isso a reunião prosseguiu sob o capítulo proposto pela Ucrânia.

Em seu discurso, o embaixador adjunto russo nas Nações Unidas, Dmitry Polyanskiy, acusou Poroshenk de orquestrar a crise no mar de Azov com o objetivo cancelar as eleições previstas para março do ano que vem e se manter no poder. Segundo o diplomata, a declaração do estado de exceção vai nessa direção e tal medida será “certamente estendida”.

Polyanskiy disse que o incidente foi uma “provocação previamente planejada” por Kiev com o apoio de potências ocidentais. Para o embaixador, o objetivo de Poroshenko é “acusar outra vez a Rússia de tudo” e aumentar sua popularidade se apresentando como “salvador” da Ucrânia.

Segundo o diplomata russo, os marinheiros ucranianos feridos pelas forças de seu país receberam atendimento médico e suas vidas não correm perigo. As embarcações estão em portos russos para ser feita uma investigação criminal.

Já a embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, considerou ilegal a captura de navios ucranianos pela Rússia e pediu que Moscou liberte as embarcações e não inviabilize o trânsito marítimo na região.

“Em nome da paz e da segurança internacionais, a Rússia deve imediatamente cessar o seu comportamento ilegal e respeitar os direitos de navegação e as liberdades de todos os estados”, insistiu Haley, sem mencionar a possibilidade de novas sanções contra a Rússia, como pede o governo da Ucrânia.

A Rússia anexou a península da Crimeia em 2014. A tensão no Mar de Azov aumentou desde que Moscou construiu em maio a ponte que liga a península com o território russo, o que fez aumentar as inspeções dos navios ucranianos, algo que Kiev considera um bloqueio de seus portos na região.

Fonte: Deutsche Welle

Internacional, Transporte

Ministro dos Transportes da Alemanha Quer Abrir Mercado Para a Uber Até 2021

Titular da pasta quer facilitar regras para empresas de aplicativos de transporte. Uber nunca deslanchou no país europeu por causa de conflitos com leis locais.

O ministro dos Transportes da Alemanha, Andreas Scheuer, quer abrir o mercado do país europeu para os serviços de compartilhamento de viagens de carros oferecidos por empresas como a Uber até 2021, informou neste sábado (17/11) a revista alemã Focus.

Segundo declarações de Scheuer á revista, serviços oferecidos pela Uber e outras empresas podem ajudar a suprir a demanda por transporte em regiões com pouca oferta de serviços, como áreas rurais.

O ministro dos Transportes também disse que deseja mudar as leis existentes para permitir que esses prestadores de serviço operem normalmente na Alemanha.

“Podemos criar novas possibilidades, especialmente em áreas rurais e para pessoas mais velhas, com serviços de carro e sistemas de compartilhamento”, disse Scheuer, que é membro da conservadora União Social-Cristã (CSU) da Baviera. “Essa é uma oportunidade gigantesca.”

A Uber, empresa avaliada em cerca de 70 bilhões de dólares (260 bilhões de reais), nunca decolou na Alemanha. O modelo de motorista freelancer entrou em conflito com as leis existentes. Atualmente, apenas taxistas licenciados pelas autoridades locais podem aceitar corridas.

“Sou contra proibições e limites. Sou a favor de incentivos”, disse Scheuer à revista. “Não podemos simplesmente excluir um fornecedor de serviços”.

O ministério de Scheuer tem trabalhado na reforma das leis de transporte de passageiros. Não ficou claro se a permissão para o serviço de compartilhamento de viagens é parte do processo de reforma em andamento.

A Uber, que atua em mais de 60 países, enfrentou batalhas legais com motoristas de táxi e autoridades municipais quando fez sua primeira incursão na Alemanha em 2014 – assim como ocorreu em outros países. Seu modelo de negócios de uso de motoristas de táxi não licenciados foi considerado ilegal por um tribunal alemão. A Uber também enfrentou proibições similares em várias outras cidades europeias.

Atualmente, o aplicativo da Uber só oferece viagens com taxistas licenciados em Berlim e Munique. A empresa pretende ter uma presença em todas as grandes cidades alemãs até 2020.

Fonte: Deutsche Welle

Internacional, Meio Ambiente

China Amplia Proibição à Importação de Resíduos Sólidos

A China ampliou a proibição às importações de resíduos sólidos, comunicou nesta segunda-feira (19/11) a mídia estatal chinesa. A medida faz parte de uma campanha do governo chinês para reduzir o “lixo estrangeiro” enviado ao país.

A ação regulatória – que ampliou a proibição de 24 tipos de resíduos sólidos proibidos no ano passado para 32 – entrará em vigor em 31 de dezembro, segundo a agência estatal de notícias Xinhua, que citou quatro departamentos do governo chinês.

Os tipos de produtos banidos nesta nova regulamentação incluem autopeças, hardware, navios, ferragens, aço inoxidável, titânio e madeira. A China começou a rejeitar neste ano vários tipos de resíduos importados, incluindo plásticos e sucata de metal. A medida fez com que outros países tivessem que buscar alternativas para se livrar de seus excessos de resíduos.

A Alemanha, por exemplo, de acordo com a Agência Federal do Meio Ambiente do país, exportava 560 mil toneladas de resíduos plásticos por ano para a China – o equivalente a 9,5% do lixo plástico produzido no país europeu. Além disso, a proibição inicial causou problemas em todo o mundo, uma vez que os recicladores perderam seu principal mercado de resíduos.

Desde 1992, aproximadamente 72% dos resíduos plásticos do mundo acabaram na China e em Hong Kong, de acordo com um estudo publicado na revista científica Science Advances. A China comprou mais da metade da sucata exportada pelos EUA no ano passado – mas essa proporção vem caindo com as medidas regulatórias estabelecidas por Pequim, que reduziu os tipos de resíduos que as empresas chinesas podem comprar.

A China argumentou que as mudanças fazem parte de esforço no sentido de proteger o meio ambiente. Pequim afirmou que a China não quer ser mais a lata de lixo do mundo.

Igualmente prejudicial para as empresas de reciclagem têm sido as políticas mais rigorosas sobre a qualidade dos resíduos que a China permitirá que cruzem as suas fronteiras. Para produtos como papelão e metal, o país estabeleceu um nível de contaminação de 0,5% no ano passado – um limite extremamente baixo, que forçou os EUA e outros recicladores a mudar a tecnologia e as técnicas de classificação para atender aos novos padrões.

As exportações globais de plástico para a China devem cair de 7,4 milhões de toneladas em 2016 para 1,5 milhão de toneladas em 2018, enquanto as exportações de papel devem cair quase 25%, segundo uma pesquisa.

A China começou a usar o lixo como fonte de matérias-primas na década de 1980 e foi durante anos o maior importador do mundo, embora seu manuseio de resíduos não estivesse bem desenvolvido. Algumas empresas importaram lixo ilegalmente apenas pelo lucro, o que representava uma ameaça ao meio ambiente e à saúde, segundo a agência Xinhua.

Fonte: Deutsche Welle

História, Internacional

Carta Recém-Descoberta de Einstein Mostra Preocupação com Nazistas Muito Antes de Eles Tomarem o Poder

Uma década antes de Adolf Hitler comandar a Alemanha, o famoso físico Albert Einstein já pressentia o perigo iminente para seu país e seu próprio bem estar, segundo uma carta recém-descoberta de um dos maiores pensadores do século passado.

Como reportado pela Associated Press, a carta previamente desconhecida foi recentemente apresentada por um colecionador anônimo. A carta escrita à mão, com data de 12 de agosto de 1922 e assinada por Albert Einstein, era direcionada à sua irmã Maja. Na próxima semana, a carta será leiloada pela Kedem Auction House, e espera-se que ela tenha um valor inicial entre US% 15 mil e US$ 20 mil.

O documento é interessante tanto pelo conteúdo como pelo momento em que foi escrita. Eistein escreveu a carta após deixar Berlim temendo por sua própria segurança. O ministro das relações exteriores da época, Walter Rathenau, que era judeu, tinha acabado de ser assassinado por três alemães anti-semitas. Após o crime, a polícia alertou Einstein de que sua vida estava em perigo, recomendou que ele parasse de dar aulas e que ele deixasse Berlim. O físico aceitou os conselhos e se mudou para o norte da cidade, possivelmente Kiel, onde ele deve ter escrito esta carta, segundo o comunicado da casa de leilões Kedem.

Carta de Einstein para sua irmã, Maja, datada de 12 de agosto de 1922

“Ninguém sabe onde estou”, escreveu ele para a irmã, “e acredito que as pessoas achem que estou desaparecido.” Como a carta deixa claro, Einstein estava preocupado com o sentimento anti-semita na Alemanha e as incertezas quanto ao futuro do país.

“Estou bem, apesar do anti-semitismo dos meus colegas alemães”, escreveu. “Estou muito recluso aqui, sem barulho e sem sentimentos desagradáveis, e estou recebendo meu dinheiro independente do Estado, então sou um homem livre.”

Einstein escreveu a carta quatro anos após a Alemanha ter sido derrotada na Primeira Guerra Mundial. O país estava uma bagunça, com diferentes facções políticas disputando o poder. Neste cenário, surgiu um militar de direita, atribuindo a culpa da derrota de 1918 a generais traidores, que foram influenciados pelo bolchevismo (o comunismo russo) e os judeus. Em 1923, um ano após Einstein ter escrito a carta, Adolf Hitler encenou sua tentativa de golpe em Munique. Hitler foi preso após mais de mil nazistas não terem conseguido tomar o poder e ele recebeu uma pena de cinco anos de reclusão por traição. No fim das contas, ele ficou apenas nove meses, e o incidente serviu para que as pessoas conhecessem o militar nacionalmente. Em 1933, o ex-soldado tomou o poder, transformando o estado em um regime fascista e anti-semita.

Um ano antes da primeira tentativa, no entanto, Einstein já temia pelo futuro de seu país. “Aqui estão se desenvolvendo tempos politicamente e economicamente obscuros”, escreveu, “então estou feliz de poder ficar longe de tudo por seis meses.”

Einstein, que sempre teve uma posição política mais alinhada à esquerda e visões de governo globalistas, disse à sua irmã que ele não estava interessado em dar aulas fora do país, mas disse que ele “teria de se juntar” a uma comissão da Liga das Nações (versão embrionária da ONU), o que “naturalmente perturba as pessoas daqui”, escreveu adicionando que “não há nada que eu possa fazer, se eu não quiser for infiel aos meus ideais.”

Reconhecendo sua crescente importância como figura pública, Einstein escreveu que ele estava “para se tornar uma espécie de pregador itinerante”, algo que ele considerava “agradável” e “necessário”. Apesar de sua previsão sombria, ele fez o que podia para acalmar a preocupação de sua irmã.

“Não se preocupe comigo”, escreveu, “eu mesmo não me preocupo, mesmo que não seja kosher [que isso esteja de acordo com as leis judaicas]; as pessoas estão perturbadas”. A carta continua: “Na Itália, parece que está menos pior, a propósito.” De fato, a situação na Itália — o país em que nasceu o fascismo — também não estava das melhores.

Em 1922, Einstein deu uma série de aulas do Japão, e teve uma longa jornada viajando pelo continente asiático. Neste período, ele foi notificado que tinha ganhado o prêmio Nobel de Física.

Após 11 anos, com os nazistas no poder, a introdução de leis repressivas resultou na remoção de judeus de cargos públicos, incluindo professores universitários. Estas leis também afetaram Einstein, com os nazistas negando a teoria da relatividade, chamando-a de “Física de judeu”. Foi o ódio irracional contra judeus e a luta contra tudo que remetia à religião que provavelmente desencorajou o Terceiro Reich de lançar um programa na escala do Projeto Manhattan [programa liderado para os EUA para desenvolver bombas atômicas]. Em vez disso, preferiram criar “super armas” como mísseis balísticos de longo alcance e aviões a jato, segundo a Atomic Heritage Foundation (organização que preserva a memória do Projeto Manhattan), que nota que embora os nazistas tivesse um programa para fazer a bomba, muitos historiadores achavam que era um esforço relapso e com pouco apoio político.

Quando Hitler ascendeu ao poder, Einstein estava em uma de suas turnês fora do país dando aula. Ele sabiamente decidiu que não voltaria mais para a Alemanha, inclusive renunciado à sua cidadania e eventualmente se mudando para os Estados Unidos. Ele aceitou uma posição no Instituto de Estudos Avançados de Princeton, onde ele trabalhou até morrer em 1955.