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Ele Construiu um Moinho a Partir do Lixo para Levar Energia e Água para Sua Vila na África

Autodidata, William Kamkwamba aprendeu por conta própria como construir moinhos para gerar energia e água para a sua vila no Malawi, na África Oriental. Há quase 20 anos, o seu país sofria uma das piores secas da história, o que levou o menino William de 14 anos a colocar em prática o que lia nos livros de ciência que encontrava na biblioteca. A história contada em seu livro inspirou o filme da Netflix  O menino que descobriu o vento.

“Como muitos do Malawi, meus pais são agricultores e não conseguiam produzir o suficiente para alimentar os sete filhos”, disse em palestra no último dia da conferência HSM Expo 2019, que aconteceu em São Paulo (SP). Sem dinheiro e passando fome, Kamkwamba teve que largar a escola. Mesmo assim continuou estudando por conta própria. “Eu queria encontrar uma forma de levar água para a minha vila.”

Sem compreender muito bem o inglês, o jovem associava as palavras com as ilustrações de motores e geradores representados nos livros que lia. O método se mostrou efetivo quando foi a um ferro-velho próximo à sua vila encontrar os materiais necessários para construir seu próprio moinho.

Com pedaços de metais e plástico, Kamkwamba não conseguiu colocar em prática um moinho de água como queria, mas criou um de energia. “As pessoas achavam que estava louco”, afirma. “Mas depois vinham carregar os seus celulares quando perceberam que funcionava”. A invenção foi a primeira de muitas. Em seguida, ele mudou o sistema elétrico da sua casa para evitar curtos-circuitos que pudessem causar um incêndio.

O reconhecimento ultrapassou fronteiras algum tempo depois quando o inventor foi convidado a participar da conferência TED na Tanzânia, país vizinho. Durante o evento, conheceu investidores que o ajudaram a voltar a estudar e realizar o seu sonho inicial de construir moinhos de água. “Eu construí um que produzia energia e bombeava água para os moradores da vila”, diz.

Terminada a escola e formado pela Faculdade de Dartmouth, nos Estados Unidos, Kamkwamba voltou ao seu país natal para continuar a levar energia para as vilas. Ele começou a instalar painéis solares em escolas da região, tornando possível que os estudantes tivessem acesso a computadores e projetores.

Hoje, Kamkwamba conta que quer criar um centro de inovação na sua vila para jovens desenvolverem novos projetos. “Talento é universal, mas oportunidade ainda não é”, diz. Para ele, não existe inovação “pequena”. “Você é inovador quando, mesmo com desafios, consegue criar soluções que resolvam os problemas da sua comunidade.”

Fonte: Época Negócios