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MEU SERIDÓ Estreia em São Paulo pelo Projeto Palco Giratório, no Sesc Bom Retiro

Dirigido por César Ferrario e com dramaturgia de Filipe Miguez (autor da novela Cheias de Charme), o espetáculo teatral “Meu Seridó” apresenta um recorte sobre a origem e os costumes da região do Seridó, no sertão norte-riograndense. Com músicas e canções executadas ao vivo e boas doses de humor e teatralidade, a peça traz fortes questões norteadoras como a condição da mulher no sertão, a extinção do indígena em detrimento do boi e a desertificação, na luta diária pela sobrevivência como força bruta do ser. Como o próprio autor escreveu: “A nossa história acontece em algum lugar entre a realidade, o delírio e a nostalgia”. 

É com essa linguagem universal, que o espetáculo chega ao Sesc Bom Retiro, para curta temporada de três espetáculos, nos dias 02, 03 e 04 de agosto, com ingressos a preços populares. São Paulo é uma das 47 cidades do Brasil que receberá a peça da Casa de Zoé (RN) através do programa Palco Giratório Sesc 2019, considerado o maior programa de difusão e circulação de artes cênicas do país. 

“O Palco Giratório tem uma importância gigante para a gente em vários aspectos. Tem a questão da obra em si, de poder falar de um recorte da história singular de um lugar, que é o Seridó no Rio Grande do Norte, mas descobrir, nesta história, a história universal da exploração do homem sobre a terra, sobre o outro, sobre o desejo de conquista”, disse a atriz Titina Medeiros.

Sobre Meu Seridó

Meu Seridó nasce do desejo da atriz Titina Medeiros de investigar e versar seu lugar de origem, a região do Seridó, no sertão do Rio Grande do Norte. Natural de Acari, Titina sonhou com esse espetáculo por anos, reunindo as suas vivências e coragem para retirar do próprio solo a história de vida de muitos sertanejos. Idealizado como um espetáculo solo, possível de caber numa mala e se apresentar em alpendres e terreiros de comunidades rurais, o espetáculo ganhou maiores proporções com a chegada do dramaturgo Filipe Miguez e do diretor César Ferrario. 

Acompanhada pelos atores Nara Kelly, Igor Fortunato, Caio Padilha – assinando também a trilha sonora – e Marcílio Amorim, Titina fez ao lado da equipe uma árdua pesquisa histórica, conduzidos pela pesquisadora Leusa Araújo, através de imersões no próprio Seridó. 

Para o diretor César Ferrario, a narrativa é constituída por uma linguagem de cunho popular para chegar em todas as pessoas e lugares, e tem uma estrutura que permite a montagem em ruas, fazendas, praças e diferentes paragens. “A nossa narrativa não tem um compromisso histórico. Ela tem seu início através de uma menção ao plano mítico do Seridó, onde o Sol e a Terra disputam o amor de Chuva, uma fábula muito coerente com as questões que atravessam toda a história de qualquer lugar sertanejo e seu imaginário. A partir disso, ela transita pela história do Seridó em seus espelhamentos terrenos, desde a chegada do homem andino até a vinda do vaqueiro e do português. O entrelaçamento dessas raças perpassa as histórias que vão sendo contadas ao longo do espetáculo”, conta César.

São essas questões, forças e vidas que estão bordadas num figurino, cenografia e caracterização assinados por João Marcelino, parceiro de longa data de Titina com quem trabalhou no grupo “Tambor” ainda na década de 90. A iluminação é feita por Ronaldo Costa e a produção executiva é de Arlindo Bezerra, da Bobox Produções.

Foram 08 meses de montagem, 25 profissionais envolvidos entre artistas, produtores, técnicos e equipe de comunicação e uma bem sucedida temporada de estreia, itinerante, na rua e gratuita, por 7 bairros de Natal, atraindo um público de 5.000 espectadores.  E em 2019 começou a circulação pelo projeto Palco Giratório, já tendo passado pelos estados da Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Amazonas, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais e o Distrito Federal, atraindo uma excelente repercussão de público e crítica. 

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