Turismo

Jornal Diz que o Setor de Turismo Encolheu 9% no RN

2018-07-23_13-15-29

Recomenda-se ler a matéria da Tribuna do Norte sobre o encolhimento do turismo no Rio Grande do Norte em 9% e pensar em cada palavra e cada argumento, e tirar alguma conclusão. Diz a TN que os especialistas imputam responsabilidade desse encolhimento à recessão nacional, crise na segurança pública estadual e problemas na pista de pouso do aeroporto Aluizio Alves. Quem são os especialistas a matérias não diz, mas vale muito a opinião do secretário estadual de turismo, Manoel Gaspar, e do diretor da EMPROTUR/RN, Rogério Pessoa Diniz.

Manoel Gaspar atribui esse encolhimento ao problema na pista de pouso do aeroporto Aluízio Alves, que os voos da TAP deixaram de operar nesse período. E não voltou ainda por qual razão? Só existiam voos internacionais da TAP? E tanto empréstimo ao Banco Mundial, para feiras, propagandas, comitivas e mais comitivas internacionais e nacionais, serviu para atrair quais turistas, de onde?

Rogério Pessoa Diniz já atribuiu esse encolhimento ao momento de crise econômica e ainda disse que o valor do Dólar traz o turista internacional, mas que o problema nacional de segurança não contribui para a vinda desses turistas. Ele precisa analisar melhor a situação sobre segurança nacional e local para ter uma ideia por que uns estados encolheram e outros cresceram.

Podemos analisar melhor. A crise econômica brasileira não parece ter afetado tão gravemente o turismo dos vizinhos do Ceará e da Paraíba, a impressão é até que ajudou. No Ceará dois HUBs foram criados em Fortaleza, o da LATAM (prometido e garantido pelo Governo do Estado, como se a decisão fosse tomada pelo governador) e da KLM/Air France.

A pista de pouso do aeroporto, fechada para os voos noturnos, realmente incomodou e prejudicou até os potiguares que iam ou vinham de algum lugar, mas não o suficiente para acabar com os voos diretos, e caríssimos da TAP, partindo do ponto mais próximo da Europa. Não foram seis meses de pausa, e já sabendo disso, um gestor deveria conversar com as empresas aéreas e com a administradora do aeroporto.

Fato é que a segurança tem um imenso peso na escolha dos destinos turísticos. O Rio Grande do Norte tem sido destaque negativo não só no Brasil, mas internacionalmente também. Se o problema fosse de segurança nacional, no mesmo nível, o Brasil não teria mais turistas internacionais.

Talvez a estratégia montada nesses quatro anos para atrair os turistas, e melhor dizendo, retormar caminhos que foram feitos há mais de 20 anos, não tenha sido a ideal. Talvez o orgulho de um governo mais preocupado em delegar culpas do que assumir alguma falha, e corrigir, tenha sido maior do que fazer acontecer verdadeiramente a retomada do turismo no RN. Há ex-secretário que culpa a imprensa pelos problemas com o turismo. A imprensa divulga o que acontece na cidade, no estado, e não se pode culpar uma imprensa muito bem relacionada com o Governo do Estado, como a nossa.

É hora de retomar, sem vaidades, sem querer ser maior do que precisa, o turismo do Rio Grande do Norte, e que volte a ser competitivo, que se criem novas estratégias, novas oportunidades, novas atrações. Não precisa ser especialista para ver o quanto João Pessoa cresceu turisticamente, o quanto Fortaleza voltou a ser competitiva. A impressão é que Natal, por implicância política, foi descartada e não entrou em nenhum planejamento. A Prefeitura do Natal não tem linha de crédito como o Governo do Estado tem com o Banco Mundial, e ainda assim claramente errou a estratégia, e não assume esse erro, e muito menos corrige. Lamentável.