Eleições 2018, Opinião

Dos Conceitos de Acordão e Seus Interesses

Semiótica

Acordão. Palavra usada pejorativamente na política para designar uma junção de pessoas ou partidos, geralmente usada por adversários políticos para um apontar o outro, via de regra esquecendo de si próprio.

O que muitos da comunicação ligada ao gabinete do governador chamam de acordão nesta campanha, não é nada diferente de acordos feitos pelo próprio governador, com nomes menos tradicionais do que o dele próprio, mas levando em consideração objetivos individuais em comum. O fato de famílias tradicionais do Rio Grande do Norte estarem juntas no mesmo palanque não é uma questão de sobrenome, é uma questão partidária, afinal os que estão no super acordão da situação, leia-se apoiando o governador, bem que usufruíram dessas mesmas famílias, e muitos saíram das sombras graças aos sempre caçados Alves, Maia e Rosado.

As pessoas falam dessas raízes familiares e esquecem das oligarquias distribuídas pelo interior do RN e de tantos outros estados. Muitas cidades se dividem politicamente entre preto e branco, que se revezam no poder eleição sim, e a outra também. Muitos políticos e comunicadores (sejam eles da área ou não) em algum momento se utilizou de uma dessas famílias para conseguir nem que seja 1% do seu patrimônio. Hipocrisia, é isso que muitos dos que tanto falam de acordão, que espalham os boatos, possuem. Poucos são os candidatos que não passaram em um desses grupos ou não apoiou. Poucos. Raros.

Receber apoio em troca de cargos no governo, de nomeações das mais diversas, de facilitar burocracias, oferecer mundos e fundos, abrir restaurantes populares em cidades de aliados, reformar escolas, entregar cheques, isso não é acordão. Acordão seria exatamente o que, sobrenomes tão somente?

Acordão pode ser entendido como um grande compromisso de um grupo sobre uma decisão tomada em consenso? E partindo disso, será que o acordão em torno de Robinson Faria, que já demonstrou incapacidade administrativa, incapacidade de decidir firmemente em momentos difíceis, incapacidade de agregar via discurso, diálogo, e apenas o fazendo usando a caneta do Governo do RN, convencerá o povo potiguar a recolocar Robinson na cadeira de governador novamente? Será que as pessoas que sofrem com a insegurança, prometida em campanha e estudada por 20 anos pelo governador o querem reeleito? Será que as pessoas que ouviram, viram e acreditaram na terceira ponte em Natal, e depois tudo desmentido pelo governador, o querem reeleito? Será que os pais que precisaram de UTI’s neonatal querem reeleger Robinson? Será que esse que esse super acordão, que tenta ser uníssono no discurso, dizendo que “agora vai!” sabe que o povo cansou de ser cobaia de um administrador vaidoso, sem pulso, alheio ao que acontece fora de sua bolha e terceiriza culpa? Será que os grandes gênios da publicidade e da comunicação do Rio Grande do Norte ainda procuram ludibriar, enganar, lutar contra imagens e acontecimentos do dia a dia ainda subestimam os eleitores do RN? É muita pretensão e arrogância.

Melhor revermos o conceito de acordão, e revermos conceito de credibilidade na imprensa. O resto é consequência das aulas de Semiótica na universidade, para quem cursou.