Governo do Estado, Polícia

Governo do Estado Quer Falar Sobre o Poder do Estado em Gestão e Segurança Prisional

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Como todo potiguar sabe, o governador é um quebrador de paradigmas. Depois da rebelião em Alcaçuz que chamou a atenção de toda mídia nacional, e demonstrou a fragilidade do sistema de segurança do Rio Grande do Norte, além da escalada da violência em todo RN, agora, e só agora, o gabinete civil do estado resolveu fazer o 1º Seminário de Gestão e Segurança Prisional, esta semana, com o tema: O Poder do Estado.

O tema é tudo aquilo que o Rio Grande do Norte não tem, o poder do estado agindo contra o crime, seja onde for. Parte dos palestrantes pertence ao Governo do Estado, o que parece ser mais uma prestação de contas para convencer quem está dentro do setor de segurança de que o Governo do RN saber, de fato, o que está fazendo. E para não falar sozinho, fingindo conhecer tudo, trouxeram outros palestrantes. Se os temas fossem já casos de sucesso, faria sentido alguma palestra dada pelos secretários do governo, mas não é o caso. Alcaçuz está em paz porque os presos assim querem, e as melhorias que foram feitas na penitenciária que o governador, profundo conhecedor do tema, iria desativar para todo o sempre, foi em uma parte e não no todo. Alcaçuz, ao contrário do que o gestor especialista nos estudos de segurança por 20 anos queria, continua de pé, provando que o problema não é de engenharia e nem localização. Naquela ocasião faltou coragem e pulso ao governador, que preferiu a omissão na briga entre facções a ter que chamar a responsabilidade para si e dizer que quem manda no RN é a polícia, é o Governo.

O RN não é um case de sucesso, ao contrário, bate recordes de aparecimentos nos principais jornais e programas do Brasil. Aqui, a violência cresce assustadoramente. Aqui, traficantes trocam tiros de fuzis de um lado pro outro sem que se importem com os veículos que transitam entre uma barricada e outra, seja dia ou seja noite. Aqui, a quantidade de diárias operacionais, pagas com atraso, são contadas como mais homens nas ruas. Aqui, se diz que está tudo sob controle, mas sob controle da bandidagem, que não tem hora preferida, local preferido, dia preferido para roubar, matar. E matar uma cidade, e um estado, na sua autoestima, na sua confiança no aparato e inteligência do Estado. Aqui, os veículos de comunicação com relações estreitas com o governo colocam na mesma vala: briga de traficantes, confronto polícia contra traficantes, e coloca gente que nunca pertenceu a nenhuma dessas situações, o que é uma covardia com os cidadãos de bem que perderam suas vidas graças a ausência do poder do Estado.

O seminário já começou defasado, e incrivelmente lembrado em um ano eleitoral. Talvez fosse interessante terem escalado o governador Robinson Faria como palestrante, para que ele conte o que aprendeu nesses 20 anos (agora 23 anos) de estudo, que o levou ao Ceará antes de 2014, e à Colômbia, com uma comitiva em fevereiro de 2016. Ou essas ações só funcionam nos locais que ele visitou, ou ele não aprendeu nada.

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