Opinião

Apontadores ou Delatores

Dedo

Neste final de semana passado estourou feito bomba de São João alguns detalhes da delação de Rita das Mercês sobre a Operação Dama de Espadas (aquela que revela segredos da Assembléia Legislativa do RN). Sem procuração da delatora, e por sinal, a blogueira aqui é bem desconfiada com delações feitas no Brasil. Não há uma regra, não um entendimento sequer sobre uma linha para aplicar, aceitar, ou não a delação, é de acordo com a vontade do Ministério Público, seja de que esfera for. Passar a ser delator virou até uma espécie de status, meio que herói, sem ser, afinal, quando estes que denunciaram falaram dos outros, é porque também estavam se beneficiando de todos os esquemas.

Pois bem, a famosa Ritinha se poupou alguém, que digam ou calem-se para sempre, porque ela, a Dama, coloca as cartas na mesa a partir de 2006 e não poupa o governador Robinson Faria, o ex-presidente da Assembléia Legislativa Ricardo Motta, e nem o atual presidente, Ezequiel Ferreira. Assim como aponta indicações de desembargadores do Tribunal de Justiça, membros do Tribunal de Contas do Estado, diversos políticos, e gratificações para jornalistas do Rio Grande do Norte, alguns até grandes palmatórias do mundo. Aliás, Ritinha dá nomes de quem mexia em contas, quem ficava com valores, sem omitir detalhes.

A Dama, Rita, conseguiu com a delação a liberdade da família, mas terá que devolver cerca de 600 mil Reais e mais alguns bens, vive meio que isolada do mundo, e os parentes que não trabalharam terão que devolver os valores recebidos. É pouco? Talvez. Joesley confessou o quanto corrompeu pelo Brasil, devolveu um valor irrisório perto daquilo que ele e suas empresas ganharam e aí percebe-se que punição para corruptores é quase nada. Outros assumem o desvio de dinheiro de campanha, seja ele legal ou ilegal, e ainda assim não há uma punição porque houve delação que deixou o Ministério Público satisfeito. A delação deveria ser como nos Estados Unidos, o delator tem redução de pena e alguns outros benefícios, mas paga por tudo que se envolveu, assim como os demais arrolados no processo.

Infelizmente, as delações viraram banais, acaba virando a palavra de um contra o outro, ou até arma de vingança (nome de música brega, ok), ou o caso do reitor da Universidade de Santa Catarina já foi esquecido? Foi acusado, o nome alardeado para a impresa naqueles sigilos seletivos, suicidou-se tamanha a pressão sentida, e no final das contas não havia nada contra ele, era uma vingança estúpida e estapafúrdia, mas ele foi julgado antes mesmo de ter a chance de se defender.

Somos todos culpados pelo que se encontra aí. Somos um país hipócrita, que não se reconhece corrupto e também corruptor. Somos uma sociedade em que fazer algo sem ter vantagem alguma é coisa de idiota, de bobão, de gente sem confiança. Valores invertidos. Como disse um filósofo: Não há governo corrupto em uma sociedade honesta, e o inverso é também é verdadeiro.