Eleições 2018, Opinião

No Passo do Elefantinho

Gráfico

Ano eleitoral difícil este onde a população tende fazer da abstenção presidente do Brasil, governadores de estados e demais cargos. O Brasil tem vivido uma crise de “sincericídio” forçado, de deixar os reis nus, de extremismos inclusive. Uma pena, pois se discute tudo, menos a responsabilidade do eleitor brasileiro em todo esse quadro caótico que o país apresenta.

O brasileiro aponta políticos como corruptos, mas não analisa a corrupção como parte de sua vida. O judiciário que poderia ser o fiel da balança acaba sendo mais uma instituição que passa a ser desacreditada por se deixar envolver em posições políticas para tomar suas decisões. Para leigos, a Constituição Federal parece um tanto quanto rasgada, abandonada. Em quem acreditar? É isso que se pergunta o povo.

Nunca se viu, provavelmente, tantos candidatos ao posto de deputado federal no RN. Seria fragilidade da bancada federal? Teria no ar a insatisfação do povo potiguar com sua bancada federal? O que as pessoas sabem sobre os projetos da bancada federal, sobre as ações de deputados federais e senadores? Falta ao povo a busca por informações sobre o que é feito por cada um dos seus parlamentares. A forma que a população encontra de credenciar alguém para algum cargo não é sua competência no mandato, é a falsa mídia em torno das ações parlamentares, é em um momento apoiar A ou B, estar em atos populistas para parecer fazer parte do povo.

Tanto se fala de oligarquias no RN, mas ninguém enxerga as famílias que se perpetuam no poder nos municípios, que candidatam mulher, filhos, tios, sobrinhos, a parentada toda. “Ah, mas as oligarquias Maia, Alves e Rosado foram as que mais mal fizeram aos potiguares”, mas não foram conduzidas ao poder sozinhas, contaram também com outras oligaquias disfarçadas que sempre fizeram bom proveito do poder com esses apoios. Sem dizer que o que está a mais tempo é melhor, mas todos sabem que nem tudo que é novo é a melhor solução; ás vezes quem se pinta de muito novo, faz igual aos demais, ou pior. É preciso ter menos inocência política e começar a compreender como a máquina pública funciona, com a missão de cada secretaria e parar de achar que tudo tem que funcionar como o imaginário coletivo acha que deve. No Brasil, raramente se faz o ideal, se faz o possível, por diversas razões.

O povo quer votar em quem diz o que ele quer ouvir, mas nem sempre o que o povo quer ouvir é o melhor para o Estado. Ou para o Brasil. A pergunta que deve ser feita é: O que você tem como solução para os problemas do RN?
Claro, a resposta é difícil porque talvez o único conhecedor dos números atuais do estado é Robinson Faria, candidato à reeleição. Ninguém sabe o que tem dentro da caixa de Pandora que é o Rio Grande do Norte, o que todos sabem é que o RN está falido. Combalido. Debilitado. Envergonhado. Humilhado. Falta ao potiguar autoestima, mais conhecimento e mais argumentos. E muitos não colaboram para que os fatos sejam mais claros, acabam complicando e confundindo. Um exemplo é sobre a pobreza no estado, que obviamente aumenta em Natal pelo simples fato de que quando não se tem chance na sua terra, você vai pra outra, arrisca, vai para os canteiros, para as favelas das cidades maiores, o importante é não passar mais fome. Natal, assim como o RN, também passa por dificuldades, atrasou salários que há alguns meses já paga em dia. Mas não é isso que interessa ao cidadão, o que ele quer saber é como todos vamos sair do fundo do poço que nos encontramos. E o candidato que melhor souber responder, tem chance de brigar, e talvez empatar, com as abstenções, nulos e brancos nas eleições de 2018.