Eleições 2018, Operações, Política

Com ou Sem Juízo de Valor?

20180403_115918

Coincidência, ou não, no último dia como prefeito de Natal o Portal/Jornal Agora RN coloca como principal assunto uma acusação de recebimeno de propina por Carlos Eduardo, agora pré-candidato ao Governo do Estado pelo PDT. É o papel do jornalismo obter a informação e divulgá-la, mas há abordagens que demonstram criar mais zoada do que relatar a verdade ou saber o que é verdade.

Segundo a matéria, a homologação da delação premiada de Allan Emmanoel e Felipe Gonçalves já teria sido homologada pelo Ministério Público e já aceita pelo juiz José Armando Ponte Dias Júnior. A matéria diz que Allan Emmanoel afirmou que teve uma reunião no gabinete do prefeito para falar sobre dinheiro para a campanha e assim garantir o contrato da empresa de energia que ele então representava. E ainda segundo o jornal, a propina entrou via caixa 2 de campanha.

O interessante é que propina e caixa dois são crimes diferentes. Mas são mencionados como se fossem uma coisa só. A propina é sobre obter recursos para enriquecimento pessoal, crime corrupção; já o caixa dois consiste em receber doações de campanha e não declarar os valores na prestação de contas à Justiça Eleitoral e pode ser punido com até cinco anos de prisão. Nenhuma as duas coisas justificam qualquer dos atos, mas é preciso explicar ao cidadão a diferença das coisas.

Durante o jornal da noite, o proprietário do portal/jornal, Alex Viana, fez questão de dizer que não se deve fazer juízo de valor sobre acusar Carlos Eduardo de qualquer dos crimes, embora inteligentemente deixasse a dúvida da honestidade do agora ex-prefeito, dizendo diversas vezes que ele agora é um cidadão comum, não terá foro privilegiado. Como exemplo, perdão, pode ser citado o atual governador do estado, que responde processo dentro das investigações da Lavajato.

Então vamos por partes, ninguém crê que sabendo que haveria possibilidade de denúncia de seu nome, Carlos Eduardo seria candidato ao Governo. Seria mais fácil permanecer no cargo e ver no que daria; segundo, se verdade for, não será o único com o nome envolvido em algum processo ou denúncia; terceiro, outro dia noticiaram que o ex-secretário Jerônimo Melo teria feito a delação, a defesa negou. Ou seja, o MP ainda não se pronunciou sobre o caso e nem sobre delações feitas, e nem colocou operações nas ruas.

O mais curioso de tudo é como alguns poucos veículos de comunicação locais conseguem informações tão sigilosas de dentro do MP. O Ministério Público de fato tem que investigar e dar andamento com o judiciário, mas também investigar quem, dentro dos seus quadros e relações, vaza as informações se de fato forem verdadeiras. Tem sido prática constante e já parece que há algo proposital nisso, deixando a população desacreditada nas ações do MP se perguntando qual o propósito de expor, por exemplo, sem dizer se tem provas. Dizer que alguém roubou, que pediu dinheiro, que é dono do mundo, estando preso, é até fácil, mas provas cabais de fato existem? Há um julgamento e condenação antecipados, deixando preso quem já deveria estar solto.

Na Operação Cidade Luz há uma grande inquietude de quem leu parte do processo. É sobre o período investigado, mesmo dizendo que havia esquema de propina anteriormente, toda a investigação foi voltada de 2013 em diante. É como se o crime anteriormente não tivesse nenhum valor, e deve ser punido. Sempre achamos que o peso da lei devesse ser para todos, mas parece é que apenas para os “escolhidos”, seja de quem for e ninguém ainda sabe quem escolhe o investigado.

Nos Estados Unidos, a delação é feita para que o criminoso tenha sua pena diminuída, ou tenha direito ao regime aberto no futuro, mas o delator paga pelo seu crime e se mentir, a vantagem da delação é automaticamente cancelada. No Brasil, como país torto que é, o delator, que também confessa seu crime, recebe inúmeros benefícios, como liberdade para remontar empresa ou criar uma nova, para viajar, para dizer que roubou ou ganhou dinheiro público e ainda sim, viajar o mundo desde que avise ao juiz.

Uma coisa, ainda que parecesse cauteloso nisso, Alex Viana tem razão: Não se pode fazer juízo de valor sobre nada e ninguém. Não é imprensa a responsável pela investigação, julgamento e condenação das pessoas. E no Dia do Jornalista nada mais propício para dizer que a cada dia os jornalistas se coloquem como jornalistas na sua essência, reportando a verdade, sendo éticos, responsáveis e ouvindo os dois lados da notícia. Ser imparcial? Não precisa. Precisa que deixe claro ao seu leitor/ouvinte/audiência de que lado está a sua parcialidade e assim ser honesto no que faz e com quem se comunica.