Opinião

Nota de 3 Reais

Parece incrível como um estado tão pequeno como o Rio Grande do Norte é tão exposto em mídia nacional. Quem observa de longe tem a impressão que esse é um Estado nascido em berço de corrupção. Se bem que a História do RN e seus atalhos vem aparecendo aos poucos, nunca se sabe.

As pessoas dizem querer gente nova na política, mas só lembra disso quando se trata do Executivo, e algumas vezes do legislativo. Entre uma coisa e outra existem os cargos de confiança, ou não, que passam anos, décadas, se perpetuando no poder, mais até que os políticos, cargos que mudam de ideologia, de camisa, de opinião, e só não mudam o (mau) caratismo e oportunismo. Por isso quando vemos por aqui alguém arrotando independência do poder público, é melhor pararmos para sabermos quem fala, como fala e razão pela qual fala.

Existem aqueles que “não precisam” do cargo público, mas vive dando um jeito de permanecer pendurado no poder, por menos que seja, por mais inexpressivo que seja o cargo. O importante é mostrar o status que não tem. Esses são os adeptos da velha política, e até do tempo que nem existia Ministério Público, e muito menos improbidade administrativa, e por isso acham que fazem graça com seu cargo maior ou menor, imaginando que jamais serão pegos. Torçamos que sejam pegos um dia, já que improbidade administrativa não prescreve.

Existem aqueles que “não precisam” do cargo público, mas dão uma forçada de barra pra emplacar alguém da família, e quando não conseguem de início, vão para as redes sociais falar mal de quem não resolveu a sua preocupação com a população de casa. Esses precisam de melhor acompanhamento nas redes para vermos as mudanças súbitas de opinião e sua cara de pau.

Existem aqueles que “não precisam” do cargo público, são imparciais, mas adoram ostentar as amizades com os altos cargos, e assim atrair ofertas, patrocinadores, digamos. Tipo muito comum entre o pessoal da mídia potiguar, gente que recebe até pouca quantia para calar, ou para falar demais, e receber de situação e oposição. Esses são os que acham que ninguém observa e nem presta atenção nos detalhes.

E são por esses todos, e mais alguns, que parte da população acha que é a nova política, e já outra parte acha que política é assim mesmo. Uma pena pela população, por não ser uma coisa e nem outra. Enquanto a população não se sentir detentora do poder, não apenas para falar de cidadania e se vender no dia do voto, a coisa sempre será assim, essa cumplicidade de coisas que não prestam e não servem para o coletivo. Fazemos parte de um Brasil corrupto, desde sua base. Sim, somos. Enquanto nação somos. Somos o Brasil do jeitinho, da República das Bananas, de levar vantagem inclusive sobre quem não tem nada na vida. O “rouba mas faz” não deveria ser aceito sob hipótese alguma, mas somos a nação em que muitos dizem que roubariam se tivessem chance e ainda assim apontamos para os políticos, e os mesmos que elegemos. Parece que até o final dos tempos seremos o país em que o certo é errado, destoa, fazer o certo é motivo de punição e execração. Até quando seremos o país em que todos os crimes compensam?