Opinião

As Redes Sociais e a Imparcialidade

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Lendo opiniões nas redes sociais podemos observar como se perdeu muito do divertimento, seja no Facebook, Twitter, Instagram, Whatsapp, apenas para falar das mais populares no Brasil.

Além de virar instrumento de divulgação do que é bom e ruim, as redes sociais viraram também palco de engajamento forçado. Você precisa ter opinião formada, ainda que sequer saiba do asssunto. Precisa parecer erudito, embora junte em uma frase palavras que sequer combinam entre si e dão sentido a qualquer tipo de raciocínio, porque tem que parecer complexo. Precisa parecer operacional, ainda que seja uma operacionalidade segmetada, daquelas que o maior motivador é o dinheiro, é o status.

Cobram dos jornalistas imparcialidade. Muitos no Rio Grande do Norte insistem em fingir uma imparcialidade que nunca tiveram para que assim não sejam acusados de receber vantagens de um lado ou de vários. Mas recebem. Tão melhor deixar claro que há um lado a ser apoiado, seja por qual motivo for, para assim não enganar o leitor/ouvinte/telespectador.

É a mesma imparcialidade que não se cobra de quem, por exemplo, lida com as leis e cargos públicos da área policial, jurídica. Aqui se mistura a vontade do sujeito com o profissionalismo dele. O sujeito deseja que alguém seja preso porque ele supõe que esse alguém seja um corrupto, mas não há provas sobre isso, ainda assim um delegado, um investigador, um juiz, não foca na peça jurídica, mas naquilo que ele imagina ser e quer provar que está certo e para isso usa de todos os instrumentos, até os antiéticos. A impressão é que todos se acham acima da lei, especialmente aqueles que lidam com as leis todos os dias, e por isso condenam antes mesmo da investigação. É esse o Brasil que temos, e que ninguém confia mais em instituição alguma.

Todos possuem opinião e expressam como querem, isso é democracia. E democracia também é arcar com as consequências daquilo que se diz como quer. Ninguém, em um país justo e digno, está acima das leis. Ninguém deve colocar seus desejos de punição, enquanto agente público da área de segurança ou jurídica, acima de todo o rito processual e amplo direito de defesa. Chega de holofotes, falso moralismo e hipocrisia, é hora de rever, por exemplo, delações. Delator, via de regra, é tão criminoso quanto quem ele denuncia, e muitas as denúncias são vazias, ou alguém já esqueceu do reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, Luiz Carlos Cancellier de Olivo, que primeiro foi lichado publicamente, depois cometeu suicídio para só então verem que ele nada tinha com a história da denúncia. É isso que a sociedade quer, justiça a todo custo, ainda que o custo seja acusar, e até causar mortes, pra que se sintam “vingados” por termos um país injusto, com regalias e direitos para poucos?